sábado, 14 de fevereiro de 2015

Egoísmo do Universo


Todas as coisas no Universo existem para cumprir a função a que se destinam.

Uma estrela converte hidrogênio em hélio e gera luminosidade para iluminar e aquecer os planetas.

Os planetas por sua vez servem de moradia para os seres vivos.

Os seres vivos – animados e inanimados – estão cada um cumprindo a sua função. A água corre pelos rios servindo ao fim a que se destina. Uma pedra fica parada no seu lugar; ela não se move, porque não é da sua natureza se mover. Uma laranjeira nasce, cresce e floresce para cumprir o seu papel, que é dar laranjas. Uma águia passa o dia inteiro inspecionando o seu habitat para poder localizar a sua presa a fim de alimentar-se, procriar e manter-se viva.

Percebe como tudo no Universo é egoísta? Cada coisa, cada ser está preocupado com si mesmo, está voltado para realizar o seu potencial, cumprir o seu papel, e, auto-realizando-se, realiza o potencial do Universo.


Só o ser humano é que está fora do seu centro, voltado para o outro, preocupado com o outro. O altruísmo humano, é precisamente o oposto do egoísmo universal, é algo contrário às leis da natureza. Imagine que haja duas árvores: uma laranjeira vicejando e dando frutos e uma jabuticabeira morrendo e seus frutos secando. Seria justo que a laranjeira saísse do seu “lugar” para ir socorrer a jabuticabeira? O que ela poderia fazer por esta última? Será que a laranjeira poderia fazer com que a jabuticabeira desse jabuticabas? Ela iria dar laranjas no pé de jabuticabas? Pois, laranjeira dá laranjas, e jabuticabeira dá jabuticabas. 

A jabuticabeira que seca segue o curso normal da vida – nascer, crescer, gerar frutos e morrer. O que há de errado então, se ela seca e seus frutos perecem?

Você é pé de você mesmo. Enquanto você está voltado em socorrer o outro que não dá frutos, não é como a laranjeira que sai do seu “lugar” para socorrer a jabuticabeira? Você poderia fazer o outro dar os frutos que cabe a ele gerar?

E você como pé de você mesmo dá o que? Dá você mesmo, desde que, contudo, você esteja – como a laranjeira – sendo egoísta, ou seja, concentrando todos os seus esforços em fazer aquilo que você é mestre, extremamente competente em fazer: realizar o seu potencial e dar os seus próprios frutos, ou seja, ser você mesmo.


Seja egoísta se você quer ver a tua árvore dar frutos. Os outros são outras tantas árvores – jabuticabeiras, abacateiros, limoeiros, mangueiras. Deixe que cada um dê os seus próprios frutos. Se o abacateiro que está do teu lado seca, que culpa tem você? Ele também está fincado no solo; recebe a mesma quantidade de luz e água. Ele que cuide de si mesmo. Se ele seca, a responsabilidade é dele e não da goiabeira ou da laranjeira.

Esse é o Egoísmo do Universo: cada coisa cuidando da melhor maneira possível de si mesma; cada ser “pensando” unicamente em si; vivendo unicamente por si e frutificando para o bem geral. E é esse egoísmo que gera a harmonia universal.


Pense em você; viva por você; trabalhe por você, e enfim, faça a sua escolha em viver de maneira egoísta, para gerar frutos para o bem geral, ou de maneira altruísta, deixando-se secar e perecer. A escolha é sua. 

Por Renato Pir (Máscaras de Deus)


4 comentários:

  1. Decerto que um homem não é uma árvore, assim como uma árvore não é uma rocha. Talvez fosse prudente suspeitar que é da natureza do homem uma realização coletiva ( além de uma outra que seria naturalmente individual ). Não existem árvores que se põem a legislar, a teorizar sobre o significado da vida ou a escrever sobre isso ou aquilo. O animal humano é capaz de criar cultura e de exercer uma crítica sobre esta mesma cultura. Daí talvez decorra que uma direção ascendente para a consciência esteja traçada desde a menor partícula subatômica até as galáxias. Cada elemento em seu nível particular de funcionamento e com suas respectivas características.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você quer dizer com isso que, não há o livre-arbítrio?

      Excluir

Comente esse texto