sábado, 28 de fevereiro de 2015

SEUS PROBLEMAS ACABARAM! - Egoísmo ou Autoísmo? Faça a sua escolha...

O que te irrita no outro não é necessariamente aquilo que está em você (projeção, função espelho), mas é uma mera questão de não aceitar que o outro possa ser diferente de você. E esse "ser diferente", inclui ele ser grosseiro, desrespeitoso, cruel, mentiroso, tudo!

É aí que entra o egoísmo: você se coloca como parâmetro sobre o que é certo e errado, bom ou mal, etc. para o outro - e, "outro" aqui é tudo aquilo que não é você, o "não-eu".

E então você diz: "Mas eu não sou assim; sou delicado, afetuoso, bom, gentil, por que ele não é assim como eu"?

Porque ele é diferente, e não porque ele é errado, inadequado ou anti-ético...

É isso que faz você sofrer. Então veja: a causa do teu sofrimento em relação ao comportamento do outro, não está nele, mas está em você.

Quando você começa a perceber isso, fica fácil parar de sofrer ante o comportamento do outro, pois, simplesmente você passa a aceitar que o outro tem o direito de ser como ele é, assim como você tem o direito de ser como você é.

Logo, o motivo que leva você a se incomodar e sofrer com o comportamento do outro é a NÃO ACEITAÇÃO de si mesmo, pois, se você se auto-aceitasse COMO você é, certamente você daria liberdade para o outro ser como ele é, e desse modo viveria em paz.

Por isso que o mandamento é "amar ao próximo COMO A SI MESMO". Mas você não se aceita, não se ama, não se respeita, logo, não aceita, não ama, e nem respeita a maneira de ser do outro.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Mas para quê me comparar com uma flor?



Mas para quê me comparar com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, não comparemos coisa nenhuma; olhemos

Deixemos analogias, metáforas, símiles
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é
Separa-a de todas as outras o abismo de ser ela
( e as outras não serem ela)
Tudo é nada sem outra coisa que não é

O quê? Valho mais que uma flor

Porque ela não sabe que tem cor e eu sei
Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?

Mas o que tem uma coisa com a outra

Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim, tenho consciência da planta e ela não a tem de mim
Mas se a forma de ter consciência é ter consciência, que há nisso?

A planta se falasse, podia dizer-me: e o teu perfume?

Podia dizer-me: tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana

E eu não tenho consciência porque sou flor, não sou homem.

Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...


Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) 




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sobre o bem e o mal

"Quando o rico tira um pertence ao pobre (por exemplo, um príncipe que tira a amante ao plebeu), então gera-se um erro no pobre; este acha que aquele tem de ser absoluta­mente infame, para lhe tirar o pouco que ele tem. Mas aquele não sente de modo algum tão profunda­mente o valor de um único pertence, porque está ha­bituado a ter muitos: portanto, não se pode transpor para o espírito do pobre e não comete tal uma injustiça tão grande como este julga. Ambos têm um do outro uma concepção errada. A injustiça do poderoso, a que mais indigna na História, não é assim tão grande como parece. O mero sentimento hereditário de ser um ser superior, com direitos superiores, torna uma pessoa bastante fria e deixa-lhe a consciência tranquila: até todos nós, se a distância entre nós e um outro ente for muito grande, já não sentimos absolutamente nada de injusto e matamos um mosquito, por exemplo, sem qualquer remorso. 
Assim, não é sinal de maldade em Xerxes (a quem mesmo todos os Gregos descrevem como eminente­mente nobre) quando ele tira a um pai o seu filho e o manda esquartejar, porque este havia manifestado uma inquieta e ominosa desconfiança em relação a toda a expedição militar: neste caso, o indivíduo é eliminado como um insecto desagradável, ele está demasiado baixo para poder provocar por mais tempo sentimentos importunos num soberano universal. Sim, nenhum homem cruel é cruel na medida em que o maltratado julga; a sua noção da dor não é a mesma que o sofrimento deste. Passa-se o mesmo com o juiz injusto, com o jornalista que, com pequenas desonestidades, desorienta a opinião pública. Causa e efeito estão, em todos estes casos, rodeados por grupos de sentimentos e de pensamentos diferentes; enquanto que, involuntariamente, se pressupõe que réu e queixoso pensam e sentem da mesma maneira e, em conformidade com esse pressuposto, se mede a culpa de um pelo sofrimento do outro".
Friedrich Nietzsche 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Egoísmo e Altruísmo em Friedrich Nietzsche





Não pode haver acções que não sejam egoístas. Palavras como «instinto altruísta» soam aos meus ouvidos como machadadas. Bem gostaria eu que alguém tentasse demonstrar a possibilidade de actos desses! O povo e quem se lhe assemelha é que acredita que eles existem. Também há quem creia que o amor maternal e o amor carnal são sentimentos altruístas!
É um erro histórico supor que os povos sempre equipararam o sentido de egoísmo e de altruísmo ao de bem e de mal. Bem mais antiga é a concepção de lícito e ilícito, respectivamente como bem e mal, em conformidade com o cumprimento ou falta de cumprimento dos costumes. 

Friedrich Nietzsche - IN: "Vontade de Potência"


O egoísta e o altruísta

Um egoísta e um altruísta saíram para almoçar juntos.
Quando chegaram ao restaurante e a comida foi servida, havia dois bifes: um maior, e outro menor.
O altruísta se antecipou e disse ao egoísta:
- "Por favor, escolha o seu bife"
E o egoísta, cheio de fome e de alegria por escolher primeiro, foi lá e pegou o bife maior, não demonstrando em seu semblante qualquer arrependimento ou remorso por fazer esta escolha.
O altruísta ficou furioso, e bradou colérico:
- "Poxa! Mas você foi pegar logo o maior? Que falta de educação!"
E o egoísta perguntou para ele:
- "Mas, se você escolhesse primeiro, qual bife você iria pegar?
- "O menor, é claro - respondeu o altruísta ainda sobressaltado...
E o egoísta então arrematou:
- "Então amigo, cada qual fez a sua escolha, por que você está reclamando"?


Adaptação de Renato Pir (Máscaras de Deus) 

O que é a verdade?

“O idealista, assim como o eclesiástico, carrega todos os grandes conceitos em sua mão (­e não apenas em sua mão!); os lança com um benevolente desprezo contra o “entendimento”, os “sentidos”, a “honra”, o “bem viver”, a “ciência”; vê tais coisas abaixo de si, como forças perniciosas e sedutoras, sobre as quais “o espírito” plana como a coisa pura em si, como se a humildade, a castidade, a pobreza, em uma palavra, a santidade, não tivessem causado muito mais dano à vida que quaisquer outros horrores e vícios… O puro espírito é a pura mentira… Enquanto o padre, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão for aceito como uma variedade de homem superior, não poderá haver resposta à pergunta: Que é a verdade? A verdade já foi posta de cabeça para baixo quando o advogado do nada foi confundido com o representante da verdade”

Friedrich Nietzsche



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Da vida interior - Tomás de Kempis



Oh! Como é bom, para viver em paz, calar dos outros, não crer tudo indiferentemente, nem repeti-lo logo a outrem; abrir-se a poucos e buscar sempre a vós, o perscrutador do coração; não se mover com qualquer sopro de palavra, mas desejar que todas as coisas exteriores e interiores se façam conforme o beneplácito da vossa vontade. Que meio seguro para conservar a divina graça, fugir do que cai na vista dos homens, e não desejar o que possa granjear-nos a admiração dos homens, antes procurar, com toda solicitude, o que serve para emenda da vida e fervor da alma! A quantos prejudicou a virtude divulgada e prematuramente elogiada! Quanto proveito, porém, traz conservar a graça do silêncio, durante esta vida tão frágil, que não é mais que contínua tentação e peleja! 

Tomás de Kempis - IN: "Imitação de Cristo", cap. 45-5



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Construir a si mesmo



"[...] és moço e desejas filhos e casamento. Mas eu te pergunto: Serás tu um homem que tenha o direito de desejar um filho? 
 
És tu o vitorioso, o dominador de ti mesmo, o dono dos sentidos, o senhor de tuas virtudes? É isto que te pergunto.
 
Ou o que fala em teu desejo é o animal e a necessidade? Ou a solidão? Ou a insatisfação consigo mesmo?
 
Eu quero que a tua vitória e tua liberdade suspirem por um filho. Deves erigir monumentos vivos à tua vitória e à tua libertação. 
 
Deves construir algo superior a ti, para mais além do que tu. Mas é preciso, assim o desejo, que antes tenhas construído a ti mesmo, bem moldado de corpo e alma.

[...] Deves criar um corpo superior, um movimento primeiro, uma roda que gire por si própria. É um criador o que deves criar."

Friedrich Nietzsche - IN: "Assim Falava Zaratustra"



domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Quebrador de Pedras

Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida.
Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.
Quão poderoso é este mercador!” pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante.
Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele. Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.
Quão poderoso é este oficial!” ele pensou. “Gostaria de poder ser um alto oficial!
Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo.
Quão poderoso é o Sol!” ele pensou. “Gostaria de ser o Sol!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sobre a coragem

Nas brincadeiras de crianças, não é exatamente a competitividade que está em jogo, mas sim a "coragem", ou seja, a ideia de que, quem chega por último é fraco, perde. Pois não há nenhum prêmio para quem pula o muro e chega primeiro; não há nenhum prêmio - combinado de antemão - para aqueles que sobem até o último galho da mangueira. 

O que se ganha então chegando primeiro ao pular o muro e subindo a mangueira? 

Só ganha, porque há um perdedor lá atrás, entendeu a lógica? 
Qual é o prêmio? O "prêmio" é na verdade fornecido pelo contraste entre vencedor e perdedor. 

Nesse sentido, o que faz você ganhar? O que é que você ganha? Você ganha porque outro "perdeu" - chegou em último lugar. 

Ele não ganha nada. Ganha somente porque outro perde. Imagine que há 10 moleques e 9 se recusam a pular o muro? O primeiro, o metidão a corajoso que havia proposto a brincadeira não seria humilhado e tido como bobo e louco? É claro que ele se sentiria assim, pois é como se os outros 9 estivessem dizendo "Vai lá você seu bobo, nós não estamos ganhando nada para pular o muro e sequer estamos com vontade de fazer isso". Quer dizer, o único perdedor seria ele! 

E além do mais, não haveria ninguém para aplaudir a "coragem" dele. Esse é outro aspecto. 

Então, há um "ato de coragem", quando há alguém para aplaudir esse ato, para dizer "Nossa, você é demais, desafiou a todos". 

Mas e se ninguém aplaude? Existe alguma coragem?

Com quem as crianças aprenderam as brincadeiras que elas fazem e a lógica das mesmas? 

Então, "pular muros para chegar primeiro" e "subir até o último galho da mangueira" resume a finalidade e a lógica da vida humana.


Sobre a felicidade neste mundo...

Um amigo meu certa vez fez uma observação: "Todos estão buscando a felicidade, o mal não existe" 

Quer dizer, não existe uma pessoa fazendo o mal para ela mesma ficar mal. Supondo que uma pessoa está tentando derrubar outra, ela faz isso porque julga 
que obterá alguma vantagem, e com isso, irá se sentir bem. Então podemos dizer que esta pessoa está em busca do mesmo objetivo que as outras: ser feliz. O que acontece é que ela utiliza uma ESTRATÉGIA equivocada, e é por esse motivo que "lá na frente" ela não consegue ser feliz. 

Mesmo um homem bomba se arrebenta com a explosão pq acredita que Alá estará lá no céu, esperando ele juntamente com as 21 (é esse o número?  ) virgens prometidas.

Só o suicida escapa a essa lógica, porque ele se julga o mais infeliz do mundo. Mas se houvesse outro que ele considerasse mais infeliz que ele, ele não se suicidaria, concordam? 




A felicidade neste mundo existe porque existe o CONTRASTE como forma de "medir" quem é feliz ou não. É claro que àquele que tem o sentimento de que é feliz não se aplica esta "fórmula". Mas de um modo geral, falando das massas, da maioria, só há felicidade porque há desgraça. Só há força porque há fraqueza; só há o belo porque há o não belo; só há justiça porque há a injustiça, e assim por diante. 

Em que consiste a vantagem de ter um carro novo senão porque há carros velhos para serem vistos e CONTRASTADOS com os novos? Por que as pessoas querem serem ricas senão pq há pobres na sociedade? 

Por que os carreteiros gostam de caminhão Scania - como eu, aliás? Porque existe o Mercedes-bens - que é uma bosta - e o Volvo, cuja manutenção é caro. Então, como eu sei que o Scania é melhor senão pq existe um pior? 

Como se poderia ser feliz sem os contrastes? 

Vejam: uma mulher posta a foto dela, porque sabe que há mulheres que não tem o corpo tão bonito quanto o dela. Se não houvessem as gordas, feias (me desculpem esses termos) que mérito haveria para as magras e bonitas?




sábado, 14 de fevereiro de 2015

Egoísmo do Universo


Todas as coisas no Universo existem para cumprir a função a que se destinam.

Uma estrela converte hidrogênio em hélio e gera luminosidade para iluminar e aquecer os planetas.

Os planetas por sua vez servem de moradia para os seres vivos.

Os seres vivos – animados e inanimados – estão cada um cumprindo a sua função. A água corre pelos rios servindo ao fim a que se destina. Uma pedra fica parada no seu lugar; ela não se move, porque não é da sua natureza se mover. Uma laranjeira nasce, cresce e floresce para cumprir o seu papel, que é dar laranjas. Uma águia passa o dia inteiro inspecionando o seu habitat para poder localizar a sua presa a fim de alimentar-se, procriar e manter-se viva.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Saia da Inércia (preguiça) - Calunga/Gasparetto - Áudio




“Ihhhhhh mas como você é manhoso! Você quer aconchego, quer ficar ali, naquela zona de conforto, você não quer ser incomodado, você não quer fazer força... Você quer sossego, você quer paz, você quer as coisas assim, tudo facinho, tudo bonitinho...


Será que você não percebe como você é fresca, mole? Mas isso não me incomoda, porque se você pensa assim, você tá sacaneando a tua vida”.

Luiz Antônio Gasparetto