quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Verdades e Inverdades Proclamadas Pelos Gurus




Ser livre, é ser livre da opinão dos gurus também... 


Krishamurti diz que o pensamento é um feixe de memórias. Outros dizem o mesmo, como Eckarth Tolle, por exemplo. 


A maioria das pessoas ainda é dependente de pai e mãe, apenas transferem a pseudo-necessidade de proteção para os gurus, depois que ficam adultas. 



Continuando, Krishnamurti diz - baseado na tradição da Vedanta - que só o momento presente é real. Se o passado não existe mais, então a memória é criadora de ilusões sobre os sentimentos decorrentes dessa ou daquela lembrança. 


Isso já foi mastigado pelos espiritualistas de tal forma que já não conseguem fazer uma crítica ou retirar algo de bom sobre a memória. 


A memória é importante sim. Pela memória, sei por exemplo, que no passado fiz opções que resultaram em sofrimento; que, em certas épocas fiz opções que estavam me trazendo poder pessoal, mas num certo momento recuei, porque precisava de muita coragem para enfrentar a maioria que estava contra. Então a gente acabou voltando para a postura de protegido, para poder ser igual a todos, pois, ser você mesmo, construir algo com as suas próprias mãos, é enfrentar o desconhecido, é desbravar uma mata selvagem, ou então, construir um castelo, pedra por pedra e isso demanda muito trabalho, disciplina e perseverança.

Escolher trabalhar e servir leva ao crescimento pessoal ou auto-realização.


A vida é curta, não há tempo para nós termos inúmeros tipos de experiências. Temos normalmente dois tipos, para resumir: a que escolhemos ser nós mesmos, ser vencedores numa determinada atividade, ou quando escolhemos viver uma vida sem encarar os desafios colocados por ela.


Superar recordes e vencer limitações físicas é representativo de sobrepor-se às limitações do Ser. Quando um homem vence um obstáculo que 1 bilhão de pessoas não conseguiu vencer, de certa forma ele foi como uma chama que acendeu esse 1 bilhão de velas, gerando nelas a crença de que elas também são capazes de transpor obstáculos que achavam impossíveis.



Então, se me lembro que essa escolha me fez bem, eu já tenho um modelo, uma estratégia para ser colocada em prática novamente. Já a estratégia que consistia em ficar no "oba! oba!" - enquanto havia PROTEÇÃO (família, Estado bancando universidade pública, bolsa família, seguro-desemprego, etc) - não deu certo, porque no final resultou na dependência. Então a lembrança, a memória me orienta sobre qual escolha devo fazer. 


Do mesmo modo - dizem os gurus - "o futuro não existe ainda, de modo que, criar o futuro na imaginação leva ao sofrimento porque conduz à frustração se o futuro não for conforme planejamos" - e Nietzsche também é partidário dessa opinião.


Ora, o homem é o único animal capaz de se imaginar no futuro, por exemplo, casado com uma bela moça e sendo feliz com ela. Se as pessoas, o seres humanos, não tivessem a capacidade de auto-projetar –se no futuro, não teria sentido trabalhar, esforçar-se, batalhar no dia de hoje, no presente. Quem é que irá plantar arroz se não sabe o que vai colher? 


Pois que, sabemos de antemão aquilo vamos colher, e é com base nisto que podemos fazer as escolhas no agora. Tudo vem da experiência.


Eu estudo para um concurso porque sei de antemão os benefícios que me trará o emprego ao qual estou concorrendo. Então eu vivo, eu programo o meu presente com base numa antevisão do futuro.


"Viva o presente", diz o Zen...  Sim, claro, você pode viver o presente sem nenhuma expectativa do futuro, sem a intenção e o esforço de criar algo para o futuro, mas também não colherá nada. Se alguém está estudando Física para aprender cálculos e você não, no final de 4 ou 5 anos teremos duas pessoas, uma que sabe ensinar Física e outra que não sabe nada. Simples, não? Portanto, se não plantar nada, também não colherá nada.



Nossa capacidade de memorizar, pensar, raciocinar, planejar o futuro é algo fantástico e que pode ser usado a nosso favor sim. Por que então levar tão a sério os mantras e frases feitas dos gurus? 


Cada guru tem a sua realidade. Minha vida foi diferente da do Krishnamurti, e um sujeito que conseguiu comprar o seu carrinho de pipoca financiado pode estar tão ou mais realizado do que esses gurus todos. 


A vida no Universo viceja, pulsa, cresce. Todos os seres e todas as coisas no Universo são dotadas desse impulso de crescer, vicejar, transcender, renovar e por fim auto-realizar-se. Assim,  a auto-realização de uma laranjeira é produzir laranjas. Se a realização do potencial de um cão, é ele tornar-se fiel ao seu dono. E a realização do ser humano é ele realizar-se enquanto pessoa, livrar-se de todas as dependências e auto-afirmar-se como pessoa, mostrando o seu valor e com isso, sendo feliz e útil aos que lhe cercam. 




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