sábado, 25 de outubro de 2014

De Erro em Erro... Até Acertar


Muitas pessoas dizem: "Nossa, parece incrível! Nada dá certo para mim. Estou com falta de sorte no amor". Outras dizem que quando estão chegando ao fim de um projeto, desistem, porque se sentem enfraquecidas, incapazes de concluir uma tarefa que já vinha sendo desenvolvida há anos.

E aí começa o imenso rol de reclamações, atribuindo a culpa ao outro, a fatores externos: "É, foi porque tinha que ser assim"; "Não era para ser meu"; "Foi deus que quis assim".


Contudo, analisando retrospectivamente todo o trabalho que você vinha desenvolvendo com vistas a um certo fim, você superou obstáculos, mas quando chegou na reta final, e exigiu coragem para ir até o fim, na hora em que você mais precisou de você, você se abandonou, você mesmo não deu forças para você. Por que então culpar o outro? Não seria mais lógico, e óbvio, retomar, recomeçar de onde se parou e prosseguir?

Desafio é desafio. Não há desafio fácil ou difícil. Não dá para comprar o final feliz como se compra votos, como se compra um lugar na faculdade ou entrar por indicação em um bom emprego. Um nadador terá que nadar até o fim numa prova de 100 metros "craw", por exemplo, e terá que nadar mais rápido que os outros. Ninguém vai nadar por ele, porque os outros estão nadando por si e para si mesmos também.


Então não tem essa de "ah, foi pela vontade de deus". A prova disso é que se você continua tentando, persistindo, você vence aquela etapa, aquele obstáculo que parecia intransponível. E se vence, logo surge uma outra etapa, mais desafiadora ainda e isso infinitamente até chegar ao grau máximo de auto bem-estar possível neste planeta.





O primeiro obstáculo a ser superado num certo tentame, num certo projeto, é sem dúvida a opinião do outro: "É, acho que você não deveria ir a essa festa", "penso que você não deveria comprar isso, pois estamos em crise", "Acho este celular melhor do que aquele; se eu fosse você ficaria com este". Se fosse não é? Mas não é. O outro é o outro, e você é você. Mesmo que um perito em celulares diga para você qual é o melhor, e supondo que você faça uma boa compra, no final foi você quem escolheu. Se faz uma péssima compra baseado na opinião do outro, no final, a escolha é sua, pois, você escolheu permitir que o outro escolhesse por você. Não há a quem responsabilizar, depois de uma escolha feita, senão a você mesmo.

Logo, é você mesmo quem decide por você. Oh, coisa cruel! O maior dos tormentos, e mais desafiador também, é tomar uma decisão por si só.

Poucas são as pessoas que investigam, que fazem uma pesquisa criteriosa daquilo que quer comprar. Todavia, as que fazem, agem analítica e criteriosamente. Se vai comprar uma geladeira nova, por exemplo, entra na internet, num site em que compradores daquele produto discutem sobre os prós e contras do mesmo. Além de analisar os depoimentos das pessoas que já adquiram o produto, o consumidor criterioso busca comparar preços, verificar o consumo de energia da geladeira; faz comparações com outras marcas e enfim, verifica as condições de pagamento a fim de fazer uma compra com o máximo de certeza possível, para não haver arrependimento depois.

Similar e contrariamente ao consumidor sensato, no viver o dia-a-dia, a maioria das pessoas age como o consumidor incauto: não avalia as consequências de um certo relacionamento pessoal ou convivência. Acha que, porque é honesta, transparente, as outras pessoas também devem ser assim, devem agir assim, e com isso, fica-se esperando do outro um comportamento que ela considera adequado, mas que para o outro talvez não seja adequado. Esse tipo de esperança, de crença de como o outro deve ser e se comportar gera frustração e sofrimento.

Uma moça que está apaixonada gostaria que o seu eleito correspondesse ao seu sentimento. Mas ele só quer sair com ela. O que fazer? Recorre-se aos pais de santo ("faça uma amarração aí"), aos pastores ("permito que Jesus entre na minha vida e faça essa mudança") e todo o tipo de ajuda EXTERNA...

Mas quem está fazendo a escolha de ficar naquela situação? Se estamos esperando o outro mudar para atender os nossos requisitos, para sermos felizes, que tipo de escolha é essa? É uma escolha egoísta: tudo tem que ser do jeito que eu quero. "Sim, quero-o, mas não do jeito que ele é; "ah, se ele mudasse! se não fosse tão mulherengo..."




Se há livre-arbítrio então a escolha é sempre sua. É você mesmo quem escolhe permitir que o outro escolha para você o melhor celular; é você mesma quem escolhe sofrer se continua atrás de um homem que não tem afinidades com você. E assim, você se sacrifica, começa a entrar em depressão, a se culpar, a se sentir errada, inadequada, pois o que há de errado com você para ele não te querer? Mas não há nada errado. Simplesmente ele quer uma coisa e você quer outra. Ele está na dele, se achando o certo, pois dentro do código de normas da vida pessoal dele, ele considera correto e adequado sair com todas. E dentro do teu código de certo e errado, você acha que ele DEVERIA ter uma só, e essa "uma só" é você, é claro...

Infelizmente não nascemos com manual de como ser felizes, reza um ditado. Como então iremos fazer a escolha certa? Errando. Estudando o próprio viver, e aprendendo com os erros. Ser feliz é uma aprendizagem. Ninguém nasce sabendo ser feliz: aprende a partir do próprio viver, e aprende errando.

Quando investigamos o porquê de termos errado descobrimos que houve falha nossa: às vezes era para tomar aquela decisão e não tomou; e, contrariamente, era para não tomar aquela decisão e tomou.

Ao fazer esta análise, descobrimos que não existiu nenhum deus, espírito ou mal olhado, “trabalho feito” levando para outro lado aquilo que havíamos planejado. Foi apenas uma escolha errada por falta de experiência. Mas você ganhou experiência com o erro.

Havia dois carros para se comprar. Um era dois anos mais novo do que o outro e estava numa cidade mais próxima. O outro era dois anos mais “velho”, estava mais bonito, mais conservado, porém, estava numa cidade duas vezes mais distante. Você escolheu ver o que estava mais perto, embora na foto já soubesse que ele não estava tão bonito. Quando viu o carro, não gostou, e aí, marcou de comprar o outro carro, mas ele já tinha sido vendido. Sim, foi uma escolha errada, mas também, como saber que era a escolha certa? Errando! Indo lá ver o carro que estava mais perto, pois você julgou que era mais coerente, sensato, ir ver o que estava mais perto. Sim, claro, perdeu o negócio bom, enfim. Contudo, será que cabe dizer: “Ah, era para não ser meu”; “deus decidiu que fosse assim”? Ou foi um erro seu na hora de verificar e analisar – embora você não tivesse tanto tempo – qual seria o melhor negócio?

Como diz Fernando Pessoa: "parti a laranja em duas metades e uma parte ficou maior que a outra. Para quem fui errado, se sou eu quem vou comer as duas"?

E assim você caminha, de erro em erro... até acertar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente esse texto