sábado, 22 de junho de 2013

Caminhe, homem




 Caminhe, homem.

Assim como contam seus irmãos de pés cascudos. Assim como sonham seus irmãos de pés de seda. Caminhe ereto. Com a sombra amarrada aos calcanhares. Com olhos de girassol. Com o couro desgastando feito sabão seguindo a regra três: onde o menos vale mais.

Caminhe, homem.

Lábios calados em punho. Corpo cajado em prumo. Passo a passo, empurrando o mundo para trás.

Caminhe, homem.

Não porque acredita ser necessário chegar ao final da reta, mas porque é inevitável curvar-se ao próprio destino.

Caminhe, homem.

São mais de mil e oitocentas colinas. Novecentos dragões de lama. Sete demônios de resistência. E todos vencidos pela solidariedade de duas pernas que servem de ombro uma à outra.

Caminhe, homem.

Entregue-se à dança dos bambus e eles dobrarão o medo pra você. Ande calmo entre as vacas e elas ruminarão suas angústias. Solte seus cabelos brancos e o vento lhe responderá como responde às árvores. Beba suas magoas gole após gole, que num ato de alívio, ela se juntará à enxurrada, rumo ao rio, rumo ao mar.

Caminhe, homem. E quando cair, levante-se. E quando levantar-se, siga até cair de novo. E quando estiver no chão
não reclame da profundidade da sorte, nem da largura do azar, antes do próximo passo.

Caminhe, homem.

Ouça os lírios do campo. Plante um livro. Leia uma árvore. O apito do tem trem gosto de amora.

Não olhe pela nuca. O caminho está por todos os lados. E todos levam a Roma.

Caminhe, homem.

Carros andam mais rápido do que você. Cavalos andam mais rápidos do que você. Cachorros andam mais rápido do que você. Tartarugas com câimbra andam mais rápido do que você. Mas você não pode andar mais rápido do que você. E nem pode ser mais do que é.

Você é uma criança jurada de morte pelo tempo. Saboreie tanto a fome como a refeição. Mais vale manteiga no pão do que sebo nas canelas.

Muitas vezes, o caminho será uma pedra no sapato. Uma carga impossível de carregar. Uma montanha intransponível.

Caminhe, homem.

Que em algum momento do caminho seu coração será tocado pela mesma força que dá peso à carga, altura à montanha e dureza à pedra. Caminhe para compreender que sentar só faz sentido quando se está andando. E andar, só faz sentido, quando se está sentado.

Caminhe, homem.

E quando estiver com fome, coma. E quando estiver com sede, beba. E quando tiver forças, ande. E quando não tiver mais, pare. Não tenha medo de ser fraco, nem orgulho de ser forte. Apenas caminhe. Com pés de adulto, ânimo de criança e sabedoria de ancião.

Caminhe, homem.

Porque o caminho é seu melhor amigo. Porque o caminho só existe para lhe servir. Porque caminhar é seu caminho, seu destino de homem.


MARCELO FERRARI

Fonte: CAMINHE
http://1ficina.blogspot.com.br/2013/04/caminhe.html


 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A Noite Escura da Alma





 

PERGUNTA: Mestres, por favor, discorram sobre o propósito e o valor da experiência mística conhecida como “A Noite Escura da Alma”. Não como comumente confundida com a simples depressão ou tristeza. A devastação da auto-identidade, e o potencial que isto pode revelar. - Mark, Austrália.

 RESPOSTA: O processo natural chamado de “a noite escura da alma”, é uma batalha entre o Eu Superior, a essência da alma e o ego. Quando a alma encarna em um corpo, ela mergulha na sociedade do ego e é criada para aceitar que o julgamento é a única maneira de avançar na vida.

Quando as pessoas alcançam um ponto onde nada que controlou a sua existência faz mais sentido para elas, passam por um período de extrema dor e desorientação. Elas sentem que não pertencem, e que tudo e todos estão contra elas. Elas podem tentar se reconectar com a energia da Fonte para reunir a sabedoria de sua alma, que foi esquecida no nascimento, ou podem simplesmente lutar contra o mundo, expondo-se à negatividade.

O primeiro sintoma que aparece é a depressão – nada parece se encaixar. A depressão é uma perda de todas as impressões sobre a maneira com que a vida deveria ser, resultando em uma lousa em branco. Tudo está em conflito, porque a sua identidade específica foi perdida.

Para enfrentar a noite escura, deve-se lutar para criar uma nova compreensão da razão para a sua existência. Isto pode se transformar em um profundo esclarecimento e conexão com o eu superior, ou pode-se transformar em um indivíduo com emoções negativas e culpando o mundo pela condição.

As pessoas não podem evoluir sem aceitar a total responsabilidade pela sua vida. Com a aceitação vem o conhecimento do por que as lições escolhidas as tornaram quem são nesta vida. Passar pela noite escura transforma os sofrimentos e tribulações que a precedem na sabedoria das lições concluídas.

Almas que escolheram muitas lições para uma existência podem ser confrontadas com mais do que uma noite escura da alma. A maior parte suporta somente uma, durante uma encarnação. E muitas almas nunca têm a experiência porque elas não escolheram ensinamentos extremamente profundos.