sexta-feira, 24 de maio de 2013

Formas de consciência e o novo mundo de regeneração: é a consciência que cria a realidade - Eckhart Tolle

 
 
 
Do livro "O Poder do Agora"
 
 
  Para uma ordem diferente da realidade  

Participante: Não concordo que o corpo tenha de morrer. Estou convencido de que podemos alcançar a imortalidade física. Acreditamos na morte e é por isso que o corpo morre.


Eckart Tolle: O corpo não morre porque você acredita na morte. O corpo existe ou parece existir porque você acredita na morte. O corpo e a morte fazem parte da mesma ilusão, criada pelo modo egoico da consciência, a qual não possui consciência da Fonte da vida e se vê a si própria como separada e permanentemente ameaçada. Por isso, ela cria a ilusão de que

você é um corpo, um veículo físico e denso que está constantemente sob ameaça.

Ter a percepção de si próprio como um corpo vulnerável que nasceu e pouco depois morrerá – é a ilusão. Corpo e morte: uma ilusão. Um não existe sem o outro. Você quer manter um lado da ilusão e ver-se livre do outro, mas isso é impossível. Ou mantém tudo ou desiste de tudo.

E no entanto você não pode escapar ao corpo, nem é obrigado a fazê-lo. O corpo é uma percepção incrivelmente errada da sua verdadeira natureza. E a sua verdadeira natureza está escondida algures dentro dessa ilusão, não fora dela, é por isso que o corpo continua a ser o único ponto de acesso a ela.

Se você visse um anjo e o tomasse por uma estátua, tudo o que teria a fazer seria ajustar a sua visão e olhar mais atentamente para a "estátua de pedra", e não começar a olhar para qualquer outro lado. Descobriria então que nunca existiu uma estátua de pedra.



Participante: Se é a crença na morte que cria o corpo, então porque é que um animal tem um corpo? Um animal não possui um ego e não acredita na morte...
 
 
Eckhart Tolle: Mesmo assim morre, ou parece morrer.

Lembre-se de que a sua percepção do mundo é um reflexo do seu estado de consciência. Você não está separado dele, e lá fora não existe um mundo objectivo. Em todos os momentos, a sua consciência cria o mundo que você habita. Uma das maiores descobertas da física moderna diz respeito à unidade entre o observador e o observado, a pessoa que conduz a experiência – a consciência observadora – não pode ser separada dos fenómenos observados, e um olhar diferente faz com que os fenómenos observados se comportem de maneira diferente. Se você acredita, a um nível profundo, na separação e na luta pela sobrevivência, então vê essa crença reflectida em tudo o que o cerca e as suas percepções são dominadas pelo medo. Habita num mundo dominado pela morte e por corpos que lutam, que se matam e se devoram uns aos outros.

Nada é o que parece ser. O mundo que você cria e vê através da mente egoica poderá parecer um lugar muito imperfeito, até mesmo um vale de lágrimas. Mas tudo aquilo que você apreende não passa de uma espécie de símbolo, como uma imagem num sonho. Trata-se da forma como a sua consciência interpreta e interage com a dança da energia molecular do Universo. Essa energia é a matéria-prima da chamada realidade física. Você apreende-a em termos de corpos, de nascimento e de morte, ou como uma luta pela sobrevivência. É possível que haja, e há de facto, um número infinito de interpretações completamente diferentes de mundos completamente diferentes – tudo dependendo da consciência que os percebe. Todo o ser é um ponto focal de consciência, e todo esse ponto focal cria o seu próprio mundo, embora todos esses mundos se interliguem. Há um mundo humano, um mundo de formigas, um mundo de golfinhos, e assim por diante. Há inúmeros seres cuja frequência de consciência é tão diferente da sua que provavelmente você nem sequer se dá conta da sua existência, nem eles da sua. Os seres altamente conscientes, que têm consciência da sua ligação à Fonte e uns aos outros, habitam um mundo que a si poderia parecer um reino celestial – e, em última análise, é o que todos os mundos são.


O nosso mundo colectivo humano é, em grande medida, criado pelo nível de consciência a que chamamos mente. Mesmo dentro do mundo colectivo humano, existem diferenças enormes, muitos "submundos" diferentes, dependendo de quem os percepciona, ou seja, dependendo dos criadores dos respectivos mundos. E como todos os mundos estão interligados, quando a consciência colectiva humana se transforma, a Natureza e o reino animal reflectirão essa transformação. Daí a afirmação da Bíblia que nos tempos vindouros "o leão se deitará com o cordeiro". O que aponta para a possibilidade de uma ordem de realidade completamente diferente.

Como eu já disse, o mundo, tal como ele nos aparece agora, é em grande medida um reflexo da mente egoica. E sendo o medo uma consequência inevitável da ilusão egoica, ele é um mundo dominado pelo medo. Tal como as imagens num sonho são símbolos de estados e sentimentos interiores, também a nossa realidade colectiva é, em grande medida, uma expressão simbólica do medo e das espessas camadas de negatividade que se foram acumulando na psique colectiva humana. Nós não estamos separados do nosso mundo, pelo que, quando a maioria dos seres humanos se libertar da ilusão egoica, essa mudança interior afectará toda a criação. Habitaremos, literalmente, num mundo novo. Será uma alteração na consciência planetária. O estranho provérbio budista, que diz que cada árvore e cada folha se tornarão iluminadas, aponta para a mesma verdade. Segundo São Paulo, toda a criação está a espera que os seres humanos se tornem iluminados. É assim que eu interpreto a frase "O Universo criado espera com grande expectativa que os filhos de Deus sejam revelados." E São Paulo continua, dizendo que toda a criação será redimida através disso: "Até ao presente... todo o Universo criado em todas as suas partes geme como se estivesse com as dores de parto."

O que está a nascer é uma nova consciência e, como seu reflexo inevitável, um novo mundo. A mesma coisa está prevista no Apocalipse: "Então eu vi um novo Céu e uma nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra tinham desaparecido".


Mas você não deve confundir as causas com os efeitos. A sua primeira tarefa não deve ser procurar a salvação através da criação de um mundo melhor, mas sim despertar da sua identificação com as formas. Deixará então de ser escravo deste mundo, deste nível de realidade. Poderá sentir as suas raízes no Não-Manifesto e ficar assim livre do apego ao mundo manifesto. Poderá continuar a gozar os prazeres deste mundo, mas, como deixará de haver o medo da perda, não precisará de se agarrar a eles. Embora possa fruir dos prazeres sensuais, a ânsia por experiências sensuais desaparece, assim como desaparece a constante busca de realização pessoal por meio da satisfação psicológica, por meio da alimentação do ego. Passará a estar em contacto com alguma coisa infinitamente maior do que qualquer prazer, maior do que qualquer coisa manifesta.


De certo modo, deixará de precisar do mundo. Nem sequer precisará que ele seja diferente do que é.

Só nessa altura é que começará a dar uma contribuição real para surgir um mundo melhor, para criar uma ordem de realidade diferente. Só nessa altura é que será capaz de sentir a verdadeira compaixão e de ajudar os outros ao nível da causa do seu sofrimento. Só os que transcenderem o mundo poderão fazer surgir um mundo melhor.

Já aqui falámos da natureza dual da verdadeira compaixão, que é o reconhecimento do laço comum da mortalidade e da imortalidade que compartilhamos com os outros seres vivos. A esse nível mais profundo, a compaixão toma-se curativa no sentido mais vasto. Nesse estado, a sua influência curativa baseia-se principalmente, não em fazer, mas em ser. Todas as pessoas com quem você estiver em contacto serão tocadas pela sua presença e afectadas pela paz que você emana, quer tenha ou não consciência dela. Quando você está plenamente presente e as pessoas à sua volta manifestam comportamentos inconscientes, você não sente necessidade de reagir, pelo que não lhes atribui nenhuma realidade. A sua paz é tão grande e profunda que tudo o que não for paz desaparece nela como se nunca tivesse existido. O que provoca uma interrupção do ciclo kármico de acção e reacção. Os animais, as árvores, as flores sentirão a sua paz e responder-lhe-ão. Você ensina sendo, demonstrando a pura consciência e eliminando o sofrimento pela raiz. Você elimina a inconsciência do mundo.

3 comentários:

  1. Não entendi, se o corpo pode ser imortal ou Não.... por favor esclareça isso....

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  2. Não entendi, se o corpo pode ser imortal ou Não.... por favor esclareça isso....

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  3. Ele está dizendo que o corpo existe porque você acredita na morte.

    o corpo não é imortal, isso é óbvio né? :))

    Abçs, Valeu pela visita!

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