terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Conquista da Felicidade - Pai Joaquim de Aruanda



A Conquista da Felicidade

Nesta entrevista de Pai Joaquim de Aruanda, concedida a Jefferson Viscardi, o mestre e amigo espiritual não vem de modo algum revogar os ensinamentos já proclamados pelas grandes escolas espiritualistas e pelos mestres espirituais de todos os tempos. Muito pelo contrário, vem projetar luz sobre questões ainda mal compreendidas ou não examinadas criteriosamente.

Todos esses mestres e escolas sempre falaram por parábolas, valendo-se de figuras, comparações, no afã de retratar a Verdade nua e crua de modo velado, a fim de que ela não venha chocar, de maneira contundente, as consciências ainda não despertas.

E ela, a Verdade, choca, porque vai de encontro às verdades humanas; Ela mostra o equívoco de seus enunciados e das prerrogativas humanas acerca do que é Deus e do amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.


Certa vez, um discípulo de um mestre Zen perguntou a este, porque, em sabendo que a Verdade já é conhecida de todos, ainda assim precisamos dos sutras, dos mantras e das escrituras sagradas para compreendê-la. Respondeu o mestre que, os livros, sutras e ensinamentos espirituais, são como um dedo apontando para a Lua e não a própria Lua. E, como o fato de a Lua estar sempre no céu torna isto um fato consumado – e por isso os homens esquecem a sua existência – assim é com a Verdade: ela já existe desde sempre e está ao alcance de todos, mas pelo fato dela ser um fato consumado, assim como a Lua que está no céu, nós adiamos a sua contemplação – “Ah, depois a gente pensa nisso, no momento temos coisas mais importantes a resolver” – de modo que ainda precisamos de um dedo, ou vários dedos – sutras, livros, mantras e de palestras como esta – apontando para a Lua, para a Verdade, a fim de lembrar a sua existência e da necessidade que temos de viver e nos tornarmos esta própria verdade, que é a do Espírito Uno com Deus.

E o discípulo – ainda não satisfeito, pergunta ao mestre Zen: “Mas nós não poderíamos olhar a Lua sem precisar de um dedo que aponte para ela?” – “Sim! E assim tu farás – responde o mestre – pois ninguém poderá olhar a Lua por ti”.

Do mesmo modo, Pai Joaquim não está aqui para apontar o dedo para a Lua: ele vem convidá-lo você mesmo a contemplá-la; vem anunciar o fim da idolatria e do culto ao bezerro de ouro; o fim do enaltecimento dos gurus, dos mestres, do culto aos ídolos, decepando o dedo que aponta para a Lua, como fez o mestre Gutei com o seu discípulo. É o crepúsculo dos ídolos, como anunciou anteriormente Friedrich Nietzsche.

Pai Joaquim vem, desse modo, mostrar a verdade nua e crua; apresentar o Consolador prometido pelo Cristo, que, segundo a promessa, não nos falaria mais por parábolas, mas nos mostraria a verdade nua e crua.

Para isso, faz uma releitura de O Livro dos Espíritos à luz do conhecimento das escolas espiritualistas e dos grandes mestres de todos os tempos, em particular, Jesus, o Grande Mestre que ousou contemplar a Lua, e saiu da Roda Cármica depois de 14 encarnações neste planeta, segundo informações que Pai Joaquim obteve do Mundo Espiritual. Jesus é o exemplo. Não é cultuá-lo; não é idolatrá-lo; não se trata de segui-lo; não tem a ver com enaltecê-lo, mas é sim, imitá-lo, ousando você mesmo ser também um Cristo, e não mais um seguidor de Cristo.

A verdade nua e crua é, pois, o fim da idolatria, do culto aos gurus, porque enquanto o guru é tudo, é fantástico, é o salvador, você não é nada! O ser humano permanece estagnado na sua infantilidade espiritual, qual criança que vem pedir ao pai que lhe resolva os problemas!

A humanidade está escravizada há séculos, milênios talvez, e a longa tradição de poder das religiões e instituições sociais dominantes criou no ser humano uma condição de dependência dolorosa: todos delegam a outrem o poder de decidir sobre os seus destinos, porque decidir por si mesmo, você mesmo ter que fazer o trabalho que lhe cabe fazer é doloroso. Conhecer a si próprio é doloroso, porque significa deixar um lugar que lhe é familiar, em que há proteção – uma suposta proteção que na verdade não protege ninguém, mas escraviza, subjuga, aliena – por algo desconhecido.

Então ninguém quer se aventurar a sair da clareira que a sociedade abriu na mente de todos: ali há fogo, calor, comida, proteção, sem os perigos da mata virgem, com seus animais selvagens, sem o perigo de perder-se na vastidão dessa mata que é a vacuidade do saber.

Essa clareira é o ego, a personalidade humana, que a sociedade dá a todos logo que nascemos, para que nós nos adaptemos às suas regras e não nos tornemos um problema para ela. Mas nós não somos este ego, não somos o senhor fulano de tal ou a senhora fulana de tal.

Precisamos nos desfazer de todas as nossas verdades, de todas as verdades humanas, da nossa identidade humana, livrar-se de todo o saber. E essa é a prova de todos os espíritos encarnados. E é só isso. Não há nada mais para se fazer além de nos libertar do jugo da sociedade e das nossas verdades: “eu amo”, “eu sei”, “eu tenho”, “eu faço”, “eu mando”, “eu quero”, “eu não quero”, e assim por diante. É libertar-se de nós mesmos enquanto seres humanos! Não somos seres humanos, somos Espíritos Unos com Deus num “campo de experimentação” para, definitivamente, aprendermos a amar a Deus sobre tudo, e ao próximo como a nós mesmos, porque, presentemente amamos aquilo que está fora de nós e que portanto, estão todos, a grande maioria, iludidos e equivocados a respeito da sua verdadeira identidade espiritual.  

O que é essa “identidade” espiritual? Somos espíritos que já fomos criados perfeitos por Deus. O espírito é como se fosse uma poderosa lâmpada que resplandece! Não é que você precise aumentar o teu brilho, iluminar-se: é a lâmpada que está coberta de sujeira – o saber – e não permite que essa luz resplandeça com todo o seu potencial!

Assim, esses mesmos espíritos gerados por Deus, são submetidos à encarnação por motivo de terem comido o fruto da árvore do conhecimento – sujado o vidro da lâmpada. Esta árvore produz um fruto “saboroso”, de aspecto agradável, chamado SABER. Quando o espírito comeu desse fruto, ele se tornou como um deus: julgou saber e conhecer todas as coisas. Assim, para que se precisaria de um Deus?



 O Espírito Uno com Deus já foi comparado a dois pássaros que estavam pousados numa mesma árvore: um estava mais acima e não comia os frutos da árvore; outro estava mais abaixo e os comia. Contudo, ora ele comia um fruto doce, ora ele comia um fruto amargo. Quando ele comia o fruto amargo, olhava o pássaro de cima e pulava para um galho acima, e assim sucessivamente até que um dia ele chegou ao lugar onde estava aquele pássaro majestoso e descobriu que, o tempo todo, aquele pássaro tinha sido ele mesmo: o pássaro que comia dos frutos da árvore nunca existira senão na sua mente, na sua imaginação; tudo tinha sido uma ilusão, uma aparência.

Assim se dá com os seres humanos, tendo os prazeres humanos e a irrisória e ilusória felicidade humana à conta de frutos doces. Mas na vida humana não se come só dos frutos doces. Há os frutos amargos também. Por isso que a vida é feita de vicissitudes, que são os altos e baixos da existência humana. Como observou Buda, a dor é gerada pela busca do prazer, pois que, a partir do momento em que aquele prazer não puder mais ser satisfeito, surgirá o sentimento de insatisfação, de vazio e, em consequência, de sofrimento.

E assim tem sido com a humanidade nos últimos sete mil anos, nesse vai-e-vém, girando na Roda Cármica...

O espírito antes vir a este mundo pede uma prova. Quando ele está no mundo espiritual, ele estuda para a prova: elabora planos, aventa hipóteses, adquire conhecimentos, constrói projetos, ensaia, e por fim, vem à carne, à sala de aula – nessa escola chamada planeta Terra – fazer a prova, a fim de verificar se aprendeu tudo aquilo que estudou.

Na maioria das vezes tira notas baixas, e “fica de recuperação”: volta a reencarnar-se. Até quando? Até o momento de despertar-se para a sua realidade espiritual. Essa realidade é a de que somos deuses. Não obstante, para o reconhecimento desta realidade é preciso algo bem simples, nos diz Pai Joaquim: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo.

Como ser feliz desde já, ainda nesta vida? Primeiro, amando a Deus, ou seja, tendo a certeza de que tudo o que nos acontece, é Deus que faz acontecer. Segundo, amando a nós mesmos, a saber que, aquilo que nos acontece contra a nossa vontade ou a favor dela, é também por determinação de Deus, então eu perdoo a mim mesmo. Terceiro, amando o próximo como a si mesmo: assim como eu amo a Deus – aceito tudo que me acontece sem me queixar – e perdoo a mim mesmo por aquilo que me acontece e que não está sob o meu controle, perdoo o próximo por aquilo que não está sob o seu controle. Aceito o meu próximo como ele é; respeito o seu direito de ser, de fazer, de se comportar como quiser, e quando fazemos isso – nos diz Pai Joaquim – então podemos desde já desfrutar dessa felicidade plena! “Imagine você sendo feliz todos os dias, em todos os momentos”, nos diz – intrépido e confiante – o mestre Joaquim. “Não é isso o que você deseja”?

Pois então, amemos desde já. Amemos a Deus, aceitando tudo o que nos acontece, com alegria, com confiança, com aquela fé que remove as montanhas da dor e do desânimo; amemos a nós mesmos nos perdoando dos nossos projetos humanos fracassados, que não deram certo e por fim, amemos o nosso próximo como a nós mesmos, respeitando inclusive, o seu direito de não gostar de nós, de não nos querer bem, porque como disse Paulo de Tarso, “É o Senhor que opera em nós o querer e o fazer”, até chegar o momento – que já está bem próximo – de dizer como Paulo disse: “Já não sou eu quem vive, mas é o Cristo (Deus) que vive em mim”.

 

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