quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Bernard Levin Entrevista Jiddu Krishnamurti


A Renúncia



Quando perguntado sobre como um chefe de família (grihastha) se encaixa no esquema da Libertação, Bhagavan disse: Por que você pensa que é um chefe de família? Se você se tornar um asceta (sannyasi), um pensamento similar de que você é um asceta vai assombrá-lo. Quer você continue como chefe de família ou renuncie a tal condição e vá para a floresta, sua mente vai junto com você. O ego é a fonte de todo o pensamento. Ele cria o corpo, o mundo e faz você pensar que é um homem do mundo. Se você renunciar ao mundo, o pensamento de que você é um asceta substituirá o de que você é um chefe de família, e o ambiente da floresta substituirá o da casa. Mas os obstáculos mentais ainda estarão lá. Eles inclusive aumentam em novos ambientes. Mudar de ambiente não ajuda em nada. O obstáculo é a mente. Ela deve ser superada, seja em casa ou na floresta. Se você pode fazê-lo na floresta, por que não em casa? Então, para que mudar de ambiente? Seus esforços podem ser feitos agora mesmo, qualquer que seja o ambiente em que se encontre. O ambiente jamais muda conforme o seu desejo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Conquista da Felicidade - Pai Joaquim de Aruanda



A Conquista da Felicidade

Nesta entrevista de Pai Joaquim de Aruanda, concedida a Jefferson Viscardi, o mestre e amigo espiritual não vem de modo algum revogar os ensinamentos já proclamados pelas grandes escolas espiritualistas e pelos mestres espirituais de todos os tempos. Muito pelo contrário, vem projetar luz sobre questões ainda mal compreendidas ou não examinadas criteriosamente.

Todos esses mestres e escolas sempre falaram por parábolas, valendo-se de figuras, comparações, no afã de retratar a Verdade nua e crua de modo velado, a fim de que ela não venha chocar, de maneira contundente, as consciências ainda não despertas.

E ela, a Verdade, choca, porque vai de encontro às verdades humanas; Ela mostra o equívoco de seus enunciados e das prerrogativas humanas acerca do que é Deus e do amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Transitoriedade e Aparência

 

Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:

“Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil…”

Mas outra onda do oceano lhe disse: “Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!”

“Mas,” replicou a pequena onda, “se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?”

“Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!”

“Água? E o que é água?”

“Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contempla a transitoriedade à tua volta, tem coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação…”

O que é a Atenção ou Vigilância

 

 
"Vigiai e orai para não cairdes em tentações"



O despertar...                                                                                                

Mumon:  Para compreender essa coisa maravilhosa chamada iluminação você precisa olhar para a fonte dos seus pensamentos, aniquilando-os por essa maneira.

A segunda maior forma de meditação Zen que hoje se pratica é a da “iluminação silenciosa (mo chão)”, conhecida no Japão como shikan-taza, sentado em meditação “só para sentar”. O famoso Mestre do Ch”an, Hung Chih, descreve-a desta feição:

Silenciosa e serenamente esquecemos todas as palavras;
Clara e vividamente Aquilo aparece...
Quando o compreendemos, é vasto e sem limites;
Em sua Essência é percepção pura. 
Refletindo-se singularmente nessa brilhante percepção,
Cheio de assombro neste reflexo puro...
Um assombro infinito impregna esta serenidade, 
Nesta Iluminação todos os esforços intencionais se esvaem.
Silêncio é a palavra final.
O reflexo é a resposta a toda (manifestação). 
Despojada de qualquer esforço,
Essa resposta é natural e espontânea... 
A Verdade da iluminação silenciosa 
É perfeita e completa.


A iluminação silenciosa, despojada de todo esforço ou conceituação, é facilmente reconhecida como a percepção passiva. Mas, então, somos impelidos a perguntar: como a gente chega a essa fase? Não surpreendentemente, a resposta é a que começa o shikan-taza trazendo a mente a um estado de cristal, de alerta vigilante, de atenção intensa mas relaxada. Yasutani Roshi explica: 

Ora, no shikan-taza a mente precisa estar desapressada mas, ao mesmo tempo, firmemente plantada ou maciçamente composta, como, digamos, o Monte Fuji. Mas também precisa estar alerta, estendida, como a corda esticada de um arco. Dessa maneira, o shikan-taza é um estado intensificado de percepção concentrada em que não estamos nem tensos nem apressados e, por certo, nunca nos mostramos frouxos. É a mente de alguém diante da morte. Imaginemos que você esteja empenhado num duelo de esgrima, do tipo que costumava realizar-se no antigo Japão. Enquanto enfrenta o oponente, está incessantemente alerta, resoluto, preparado. Se relaxasse a vigilância, nem que fosse por um momento, teria sido atingido incontinenti. Junta-se uma multidão para assistir à luta. Como você não é cego, vê a multidão com o canto dos olhos e, como não é surdo, ouve o que ela diz. Mas nem por um instante sua mente se deixa capturar por essas impressões dos sentidos.


 







sábado, 2 de fevereiro de 2013

Realizando o Atman através da Jnane Yoga





Introdução ao estudo e à prática da Jnane Yoga - Por Máscaras de Deus


Olá a todos.

Nesse texto - "Realizando o Atman através da Jnane Yoga" - Swami Vivekananda coloca as bases tanto téoricas quanto práticas da "jnane yoga", ou a realização do Atman através do conhecimento.
 
Apesar do mestre Vivekananda dizer que esta é a mais difícil das yogas, porque ela consiste em negar tudo (neti, neti), talvez, por outro lado, ela seja uma yoga importante, pelo fato de poder ser acessada pelo conhecimento.

 
"Acessar a realidade pelo conhecimento" não quer dizer que bastará unicamente a chave do PENSAMENTO ou de uma mente arguta para a o obtenção desse desiderato.
 
Infelizmente a mentalidade ocidental, apoiada no etnocentrismo, rejeita outras lógicas de concepção do mundo e da realidade, tomando a sua, como a única plausível e "lógica".
 
Assim, vemos os dualistas dizer que "o panteísmo não têm lógica". Para uma cultura cujos fundamentos racionais está assentado num mito dualista como o de Adão e Eva, dizer que "O Deus Único se matou para se dividir em vários" (Mito das civilizações orientais) é tão absurdo quanto dizer para um indiano, um hinduísta ,que no começo de tudo havia um único Deus, incriado, que criou algo a partir do nada e fora de si mesmo - como diz Santo Agostinho, " 'criar' significa 'tirar do nada".
 
Quem está certo, pois? O Logocentrismo é o termo que designa "razão no centro do universo". O Logocentrismo nos ensina, desde crianças, que os pressupostos da nossa cultura, a nossa maneira de pensar estão certos e a de outros povos "não tem lógica".
 
Swami Vivekananda tráz uma outra lógica que desafia e desaponta a razão ocidental porque extermina de uma vez por todas a idéia do "eu", desse pequeno "eu" apegado às vicissitudes desta vida momentânea.