quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Mais Importante Ensinamento




 

Um renomado mestre Zen dizia que seu maior ensinamento era este: Buddha é a sua mente. De tão impressionado com a profundidade implicada neste axioma, um monge decidiu deixar o Monastério e retirar-se em um local afastado para meditar nesta peça de sabedoria. Ele viveu 20 anos como um eremita refletindo no grande ensinamento.

Um dia ele encontrou outro monge que viajava na estrada através da floresta próxima à sua ermida. Logo o monge eremita soube que o viajante também tinha estudado  sob o mesmo mestre Zen.

"Por favor, diga-me se você conhece o grande ensinamento do mestre", perguntou ansioso ao outro.

Os olhos do monge viajante brilharam, "Ah! O mestre foi muito claro sobre isto. Ele disse que seu maior ensinamento era: Buddha NÃO é a sua mente."

IN: Koans e Contos Zen


 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Como sair da Roda do Samsara...




Excerto do Cap. III do livro Advaita Bodha Deepika, recém publicado



Embora sendo Pura Sabedoria Imutável por natureza, o Supremo Ser, quando associado à mente que muda conforme as qualidades operantes no momento, identifica-se com ela.
 
D: Como isso pode ocorrer?
 
M: Você vê como a água, em si, é fria e insípida. No entanto, por associação, pode ser quente, doce, amarga, azeda, etc. Da mesma forma, o Eu Real, que por natureza é Ser-Consciência-Beatitude, aparece como ego quando associado ao modo-“eu”. Assim como a água fria associada ao calor fica quente, também o Bem-aventurado Ser, unido ao modo-“eu”, torna-se o ego carregado de sofrimentos. Assim como a água, originalmente insípida, fica doce, amarga ou azeda conforme as suas associações, também o Ser de Pura Sabedoria parece imparcial, pacífico e bondoso [sattva] ou impetuoso, raivoso e ambicioso [rajas], ou ainda torpe e indolente [tamas], segundo a qualidade do modo-“isto” no momento.
A escritura diz que o Ser, associado ao prana, etc., aparece respectivamente como prana, mente, intelecto, terra e outros elementos, desejo, raiva, desapaixonamento, etc. Consequentemente, associado à mente, o Ser parece ter-se transformado na alma individual, afundado no sofrimento do infindável samsara, e sendo enganado por inúmeras ilusões, como eu, tu, isto, meu, teu, etc.
D: Agora que o samsara chegou ao Ser, como se pode afastá-lo?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Os Invólucros do Atman - Prática da Filosofia Advaita-vedanta


 
 
 
 

1- O Invólucro físico (o corpo)



Este corpo é um "invólucro físico". O alimento possibilita o seu nascimento; com alimento ele vive; sem alimento, ele morre. Esse corpo consiste em epiderme, pele, carne, sangue, ossos e água. Não pode ser o Atman, o eternamente puro, o que existe por si só.

Ele não existia antes do nascimento e não existirá depois da morte. Existe apenas por um breve lapso de

tempo, no intervalo entre ambos. Sua natureza é transitória e sujeita a mudança. Ele é um composto, e não

um elemento. Sua vitalidade é um simples reflexo. É um objeto sensorial, que pode ser percebido como um

jarro. Como há de ser ele o Atman, o experimentador de todas as experiências?

O corpo consiste em braços, pernas e outros membros. Ele não é o Atman - pois quando um desses

membros é amputado, o homem pode continuar vivendo e funcionando por meio de órgãos remanescentes.