terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Recuperando o Poder Pessoal



Ao ouvir a palavra "poder" muitas sensações podem aflorar em nós e nem sempre estas sensações são positivas. Por muitas encarnações ouvimos e também pregamos sobre os males do poder, ou o perseguimos desmedidamente prejudicando a outros causando arrependimento e associando a ele um sentimento de culpa, ou até mesmo já estivemos em posições de muito poder e por isso fomos perseguidos, traídos ou mal interpretados.

Por esses e muitos outros motivos, a situação hoje é que rejeitamos e temos medo de assumir nosso próprio poder. Porém, assim como o dinheiro, o poder não tem culpa do uso que fazem dele. O poder é sagrado, divino e resgatar nosso poder em toda sua potência faz parte do nosso aprendizado espiritual aqui neste plano.

Neste processo de resgate do poder pessoal nos deparamos com muitas situações que trazemos em nossa bagagem emocional e que precisamos curar para podermos fazer nossa vida deslanchar de vez. É preciso, então, primeiramente humildade para reconhecer nossas próprias fraquezas e identificar as crenças que estão por traz delas.

Ao contrário do que pensam, poder pessoal não está relacionado com dominar ou mandar nos outros, estar acima da lei ou passar por cima de qualquer um para atingir seus objetivos, isso são falhas de caráter.

domingo, 24 de novembro de 2013

O que estais fazendo?





Shih-t’ou, certa vez, perguntou ao seu discípulo Yueh-shan:

“O que estais fazendo aqui?”
“Nada estou fazendo”, respondeu o pupilo.
“Então estais gastando seu tempo!”, disse o mestre, testando-o.
“Não será também gastar o tempo, quando fazemos alguma coisa?” replicou o monge.
“Dizeis que nada estais fazendo, mas quem é este indivíduo que nada faz?”

Respondeu Yueh-shan:
“Até o mais sábio não pode saber”.

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Empurre os outros para fora - Luiz Gasparetto




 
 
Todo mundo dá palpite em tudo! Tudo! Se você deixar, você vai se sentir o errado, um incompetente, um inadequado, você começa a se empurrar pra dentro. Quando você começa a se empurrar pra dentro então as coisas começam a gorar né? Claro, porque, se você está tirando a força sua, você está tirando a força das suas coisas e começa a dar pepino. E você vai se constrangendo, se achando aquele pedacinho de gente inadequada, aquele errado, e você já vai tendo vergonha de si e insegurança, e aí já começa a dar medo, preocupação, raiva, frustração, enfim... Aí você vai se empurrando para dentro, se empurrando para trás. Você volta na vida. Vi gente voltar e ficar a zero. Mas eu aprendi. Eu quero empurrar todos vocês pra fora e não empurrar eu para trás.


Então se você está esperando que a vida fique boa pra você achar que tudo é bom, você tá muito enganado, é o contrário: quando você muda o seu ponto de vista é que você vai mudar exatamente as condições.

“Ah, a justiça divina”. Não, não tem isso não. Deus não está tomando nota num livrinho de tudo o que você tá fazendo né? Nada disso. É você que faz! Porque você acha que é ruim, acha isso, acha aquilo, você faz a sua lei, quando você julga a vida dos outros – todo mundo é juiz de todo mundo né? É justiceiro! Eu parei com esse negócio “Ah que pessoa boba...” Não, deixa ela fazer, é os valores dela, é as coisas dela e ela tem o direito dela né? E pode até ser que dê certo para ela. Pra pode não dar, mas pra ela pode dar.

Eu já percebi que as coisas que eu escolhi são só pra mim; não vai mudar a vida de ninguém, vai mudar a minha né? Também não to preocupado com o que você vai pensar. Não muda nada. Muda pra você. Mas pra mim, não muda.


Tem momentos da tua vida em que o povo tá metendo o pau na tua vida. Mas não vai acontecer nada, por que? Porque eu não to dando bola né?

“Não, mas você não vai tomar uma providência?” Eu não! Imagina! Porque vocês estão incomodados eu vou mudar a minha vida? Ai ai... É o que faltava. Mas você é muito trouxa não é? Você muda? Se o povo der em cima você muda? Ah, muda né? Você não aguenta, você muda. Ai como você é baixo! Como você vale pouco pra você! Você não aguenta uma pressão né? Vixe!!! Ah, depende do que né? Depende do que você aguenta? Ô Deus! Você ainda não é seu amigo né? Você não tá do seu lado ali com tudo pra você né?

É, gente, esse negócio de deixar os outros interferirem na vida da gente é fogo!


Luiz Antônio Gasparetto
 
 
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Poder Pessoal - Luiz Antônio Gasparetto (áudio)





 
 
PODER PESSOAL

Uma das coisas que faz com que nós percamos o poder é a vaidade. A vaidade é uma ilusão. Mas é uma ilusão aterradora, porque ela destrói completamente a nossa vida e tudo aquilo que nós fazemos. Na verdade, vaidade é assim: a ilusão de que eu vivo com o do outro; é uma coisa de infantilidade, de dependência. É uma coisa de desfoque de si mesmo, de ignorância: “se você me amar, então eu vou ser feliz”. Não, mentira.

Ninguém sente dentro de si o amor do outro. Quando você ama você tem amor. Enquanto você não amar, você não tem o sabor do amor. ...

“Não, quando todo mundo me aceitar eu vou me sentir maravilhoso”. Não. A aceitação do outro está dentro da constituição dele. Você não pode viver na constituição do outro. Quando você se aceitar, aí você vai se sentir gostoso, porque é o teu sentimento.

Veja bem: você está divido, individualizado nesse sentido; você vive com aquilo que você tem, com as suas emoções, com os seus sentimentos, com a sua cabeça, e não com a do outro.
Nós passamos a maior parte da vida vivendo essa ilusão, e querendo ser para o outro “me”...

Tem sido assim a tua vida: receber o aplauso, a consideração, a estima, o respeito, receber a valorização, a aceitação, o apoio, o prestígio, e para tal, você se submete a ser a pessoa [que você não é], sacrifica o teu próprio espírito para agradar, esquecendo a tua verdade, rejeitando quem você é para ser aquilo que os outros esperam de você.

Luis Antônio Gasparetto
 
 

 

Assuma o seu Auto-poder - Mooji

 
 
"Este é seu poder! Você determina se algo acontece ou não. A menos que a mente diga 'algo está acontecendo', efetivamente ou de modo experimental, nada aconteceu! Se não ficou registrado na consciência (através da atenção), efetivamente, na...da aconteceu.
 
Assim, se algo aconteceu ou não, é você quem decide! E é também você a determinar se vai designar um acontecimento ou não. Não lhe será imposto. Este é seu poder: você desconsidera, aquilo não aconteceu! Mas, se seu interesse está em alguma coisa, subitamente... acontece.
 
Qual é o remédio para todas estas coisas? Permaneça apenas como o observador. Mantenha a atenção em neutralidade. De início, parece que vai requerer algum esforço. Porém, com um pouco de resolução de sua parte, torna-se simples. Você tem alguns poderes: primeiro, o poder da atenção, pois, onde quer que a atenção toque, isso é registrado como experiência. Segundo, sua crença! Qualquer coisa pode aparecer em sua consciência, mas, se você não acredita nela, se não se identifica com ela, não tem nenhum poder! Um pensamento, sem crédito, não tem poder! Nem tudo que surge (na mente) precisa ser aceito, precisa ser procurado. Você pode ignorar!
 
Esta é a grande Mestria dos Sábios. Eles começaram a ignorar! Não que tenham desenvolvido alguma técnica, mas simplesmente por reconhecer 'Eu Sou a Realidade!', 'Eu Sou a Consciência!', tudo mais não passa de turismo! Todo pensamento, toda emoção é apenas um turista, sim, e eu mesmo não sou um hotel para estes pensamentos, que eles venham e logo partam! A experiência deve acompanhar sua resposta, o que pode criar modificações ou algum impacto em você? Tudo está acontecendo por si mesmo e em sua presença - quem é você? Chamo isso de estar estabelecido em seu próprio Ser!"

Mooji
 
 
 
 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

NAS MÃOS DO DESTINO

 
 
Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo, embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas.


No caminho para a batalha ele parou em um templo Shinto e disse aos seus homens:


Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos.”


Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.


Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:


Ninguém pode mudar a mão do Destino!


Realmente não…” disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Três Conclusões




O tempo concedido ao Espírito para uma reencarnação, por mais longo, é sempre curto, comparado ao serviço que somos chamados a realizar. Importante, assim, o aproveitamento das horas.

Meditemos no gasto excessivo de forças  em que nos empenhamos  levianamente no trato com assuntos da repartição de outrem.

Quantos milhares de minutos e de frases esbanjamos por década, sem a mínima utilidade, ventilando temas e questões que não nos dizem respeito?

Para conjurar essa perda inútil, reflitamos em três conclusões de interesse fundamental.

O QUE OS OUTROS PENSAM – Aquilo que os outros pensam é ideia deles. Não podemos usufruir-lhes a cabeça para imprimir-lhes as interpretações que são capazes diante da vida.

Um indígena e um físico contemplam a luz, mantendo conceitos absolutamente antagônicos entre si.

Acontece o mesmo na vida moral. Precisamos nutrir o cérebro de pensamentos limpos, mas não está em nosso poder exigir que os semelhantes pensem como nós.

 O QUE OS OUTROS FALAM – A palavra dos amigos e adversários, dos conhecidos e desconhecidos, é criação verbal que lhes pertence.

Expressam-se como podem e comentam as ocorrências do dia-a-dia com os sentimentos dignos ou menos dignos de que são portadores.

Efetivamente, é dever nosso cultivar a conversação criteriosa; contudo, não dispomos de meios para interferir na manifestação pessoal dos entes que nos cercam, por mais caros que nos sejam.

O QUE OS OUTROS FAZEM – A atividade dos nossos irmãos é fruto de escolha e resolução que lhes cabe.

Sabemos que a Sabedoria Divina não nos criou  para CÓPIAS uns dos outros. Cada consciência é domínio à parte.

As criaturas que nos rodeiam decerto que agem com excelentes intenções, nessa ou naquela esfera de trabalho, e, se ainda não conseguem compreender o mérito da sinceridade e do serviço ao próximo, isso é problema que lhes compete e não a nós.

Fácil deduzir que não podemos fugir da ação nobilitante, a benefício de nós mesmos, mas não nos compete impor nas decisões alheias, que o próprio Criador deixa livres.

À vista disso, cooperemos com os outros e recebamos dos outros o auxílio de que carecemos, acatando a todos, mas sem perder tempo com o que possam falar, pensar e fazer. Em suma, respeito para os outros e obrigação para nós.

Do livro: “Estude e Viva”. Pelo Espírito André Luiz. Psicografia de Waldo Vieira/Chico Xavier. Ed. FEB, 1972, 3ª edição melhorada.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Você é único, diferente, incomparável

 
 
Ninguém é superior e ninguém é inferior, mas ninguém é igual a ninguém. As pessoas são simplesmente únicas, incomparáveis.

Você é você, eu sou eu. Eu tenho que contribuir para a vida com o meu potencial, você tem que contribuir com o seu.

Eu tenho que descobrir o meu próprio ser, você tem que descobrir o seu.

A vida em si é uma tela em branco: ela se torna aquilo que você pintar nela. Você pode pintar sofrimento, pode pintar bem-aventurança. Essa liberdade é a nossa glória.

Quando você vir raiva nos outros, mergulhe dentro de si mesmo e encontrará raiva ali. Quando vir muito ego nos outros, simplesmente interiorize-se e descobrirá o ego instalado dentro de si próprio. O interior funciona como um projetor: os outros se tornam telas e você começa a ver filmes projetados nos outros que, na verdade, são seus.

 

Osho

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O Eu ou Ego




O EU

A palavra eu foi definida diferentemente por diversas religiões e filosofias do passado até nossos dias. O bön/budhismo insiste muito na doutrina do não-eu, ou vacuidade (shunyata), que é a verdade última de todos os fenômenos. Se não compreendermos a vacuidade, será difícil cortar a raiz do eu egoísta e libertar-nos dos seus limites.

Porém, nossas leituras sobre o tema da caminhada espiritual nos informam também sobre a auto-liberação
e a auto-realização do eu. Parecemos certamente ter um eu. Precisamos argumentar bastante para convencer alguém que não possuímos um eu, se nossa vida é ameaçada ou qualquer coisa nos é tomada, o eu do qual proclamamos a inexistência pode ficar verdadeiramente apavorado ou transtornado.
Para o bön/budhismo, o eu convencional existe verdadeiramente. Senão, não haveria alguém para criar
carma, para sofrer e para encontrar a liberação. É o eu inerentemente existente que não tem existência. A
ausência do eu inerente significa que não existe uma entidade central distinta e imutável. Embora a natureza
da mente não mude, ela não deve ser confundida com uma entidade distinta, um ego, uma pequena parcela de consciência indestrutível que seria o eu . A natureza da mente não é uma possessão individual, não é um
indivíduo. É a natureza da sensação em si mesma; ela é a mesma para todos os seres dotados de sensibilidade.

Retomemos o exemplo do reflexo no espelho. Se observarmos os reflexos, podemos dizer que existe tal
reflexo, depois outro, mostrando dois reflexos diferentes. Eles aumentam e diminuem, vão e vem, e podemos
segui-los no espelho como se tratassem de entidades independentes. Eles são como a imagens do eu
convencional. Os reflexos não são entidades distintas, eles são um jogo de luz, de ilusões despidas de
substância na luminosidade vazia do espelho. Eles não têm existências independentes exceto se os
concebermos como tais. Os reflexos são manifestações da natureza do espelho, como o eu convencional é uma manifestação que nasce da limpidez vazia da base da existência, kunshi, na qual reside e nela se dissolve
novamente.

O eu convencional com o qual nos identificamos habitualmente e a mente em movimento que lhe dá
nascimento são ambos fluidos, dinâmicos, provisórios, despidos de substância, mutáveis, impermanentes e desprovidos de existência própria, como o reflexo no espelho. Podemos constatar isso em nossas vidas, se as examinarmos. Imaginem que preenchemos formulários dando informações nossas. Anotaríamos nosso nome, sexo, idade, endereço, atividade profissional, relações, descrição física. Faríamos testes que descreveriam nossa personalidade e nosso cotidiano intelectual. Escreveríamos nossos objetivos, sonhos, crenças, pensamentos, valores, e medos.

Suponhamos agora que anotamos tudo isso. O que é que faltou? Acrescentemos mais ainda nossos
amigos, a casa, nosso país e tudo o que possuímos. Se perdermos o uso da linguagem para falar ou pensar? Se perdermos nossas lembranças? Se perdermos nossos sentidos? Onde estará nosso eu? Esse é o nosso corpo?
Quem é ele se perdermos braços e pernas, vivermos com um coração artificial e um aparelho respiratório,
sofrermos lesões e perdermos nossas funções cerebrais? Em que momento cessará de ser um eu? Mesmo se continuarmos a nos despojar das camadas de identidades e os atributos sucessivos, de certo ponto de vista nada é perdido.

Não somos aqueles que éramos há um ano, ou dez anos. Não somos nem mesmo aqueles que éramos há
uma hora. Não existe nada que não mude. No momento da morte, os últimos restos daquilo que parece um eu imutável desaparecem. Poderemos renascer como um ser completamente diferente, com um corpo diferente, um gênero diferente, uma capacidade mental diferente. Isso não significa que não somos um indivíduo somos um, é evidente mas isso não quer dizer que algum indivíduo tenha existência inerente, independente. O eu convencional é radicalmente contingente. Como a maré dos pensamentos que se eleva sem fim na claridade da mente, ou as imagens que surgem indefinidamente no espelho, ele é uma sucessão de produções instantâneas.

Os pensamentos existem enquanto tais, mas quando os examinamos durante a meditação, eles se dissolvem
na vacuidade da qual surgiram. É semelhante com o eu convencional: seu exame aprofundado revela que ele
não é senão uma denominação atribuída a um conjunto vagamente definido de eventos mudando
constantemente. Nossas identidades provisórias mudam como os pensamentos que não cessam de surgir.
Identificarmo-nos falsamente com um eu convencional e prendermo-nos a um sujeito cercado de objetos
fundamenta a visão dualista e forma a dicotomia fundamental na qual repousa o sofrimento sem fim do
samsara.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Auto êxito



Auto êxito - por Marcelo Ferrari

Auto êxito é você sendo você, espontaneamente você, naturalmente você, incondicionalmente você. Bem viver é você recebendo alerta emocional de auto êxito: alegria, paz, amor, satisfação e derivados. Bem viver é o que você chama de felicidade, é o estado mental que você quer estar sempre, porém, não consegue.

O motivo de não conseguir, como sempre, é um equivoco. Você acredita que felicidade (bem viver) é resultado de algo que você precisa fazer, mas felicidade (bem viver) é resultado de algo que você desiste de fazer. Bem viver é saúde mental e saúde é estado natural. O estado natural do seu corpo é saúde física (bem estar), o estado natural da sua mente é saúde mental (bem viver). Quando você está doente, você não produz nem injeta saúde no corpo para retornar a saúde, você desbloquea o que está bloqueando sua saúde e ela volta naturalmente para você. O mesmo acontece com sua saúde mental (bem viver). Quando você está no mal viver, você não precisa produzir bem viver para retornar ao bem viver, basta você desbloquear o que está bloqueando seu bem viver e ele volta naturalmente para você.

Mas o que bloqueia seu bem viver? O que bloqueia seu bem viver é sua opção pelo outroísmo. Por isto, quando você desiste do outroísmo, seu bem viver retorna imediatamente e infalivelmente para você. Se você desistir do seu outroísmo agora, você experimentará seu bem viver retornando imediatamente e infalivelmente para você agora. E se você desistir do seu outroísmo agora, agora, agora... Você e você mesmo viverão felizes para sempre.

Fonte: http://1ficina.blogspot.com.br/2012/09/eureka-indice.html

sábado, 22 de junho de 2013

Caminhe, homem




 Caminhe, homem.

Assim como contam seus irmãos de pés cascudos. Assim como sonham seus irmãos de pés de seda. Caminhe ereto. Com a sombra amarrada aos calcanhares. Com olhos de girassol. Com o couro desgastando feito sabão seguindo a regra três: onde o menos vale mais.

Caminhe, homem.

Lábios calados em punho. Corpo cajado em prumo. Passo a passo, empurrando o mundo para trás.

Caminhe, homem.

Não porque acredita ser necessário chegar ao final da reta, mas porque é inevitável curvar-se ao próprio destino.

Caminhe, homem.

São mais de mil e oitocentas colinas. Novecentos dragões de lama. Sete demônios de resistência. E todos vencidos pela solidariedade de duas pernas que servem de ombro uma à outra.

Caminhe, homem.

Entregue-se à dança dos bambus e eles dobrarão o medo pra você. Ande calmo entre as vacas e elas ruminarão suas angústias. Solte seus cabelos brancos e o vento lhe responderá como responde às árvores. Beba suas magoas gole após gole, que num ato de alívio, ela se juntará à enxurrada, rumo ao rio, rumo ao mar.

Caminhe, homem. E quando cair, levante-se. E quando levantar-se, siga até cair de novo. E quando estiver no chão
não reclame da profundidade da sorte, nem da largura do azar, antes do próximo passo.

Caminhe, homem.

Ouça os lírios do campo. Plante um livro. Leia uma árvore. O apito do tem trem gosto de amora.

Não olhe pela nuca. O caminho está por todos os lados. E todos levam a Roma.

Caminhe, homem.

Carros andam mais rápido do que você. Cavalos andam mais rápidos do que você. Cachorros andam mais rápido do que você. Tartarugas com câimbra andam mais rápido do que você. Mas você não pode andar mais rápido do que você. E nem pode ser mais do que é.

Você é uma criança jurada de morte pelo tempo. Saboreie tanto a fome como a refeição. Mais vale manteiga no pão do que sebo nas canelas.

Muitas vezes, o caminho será uma pedra no sapato. Uma carga impossível de carregar. Uma montanha intransponível.

Caminhe, homem.

Que em algum momento do caminho seu coração será tocado pela mesma força que dá peso à carga, altura à montanha e dureza à pedra. Caminhe para compreender que sentar só faz sentido quando se está andando. E andar, só faz sentido, quando se está sentado.

Caminhe, homem.

E quando estiver com fome, coma. E quando estiver com sede, beba. E quando tiver forças, ande. E quando não tiver mais, pare. Não tenha medo de ser fraco, nem orgulho de ser forte. Apenas caminhe. Com pés de adulto, ânimo de criança e sabedoria de ancião.

Caminhe, homem.

Porque o caminho é seu melhor amigo. Porque o caminho só existe para lhe servir. Porque caminhar é seu caminho, seu destino de homem.


MARCELO FERRARI

Fonte: CAMINHE
http://1ficina.blogspot.com.br/2013/04/caminhe.html


 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A Noite Escura da Alma





 

PERGUNTA: Mestres, por favor, discorram sobre o propósito e o valor da experiência mística conhecida como “A Noite Escura da Alma”. Não como comumente confundida com a simples depressão ou tristeza. A devastação da auto-identidade, e o potencial que isto pode revelar. - Mark, Austrália.

 RESPOSTA: O processo natural chamado de “a noite escura da alma”, é uma batalha entre o Eu Superior, a essência da alma e o ego. Quando a alma encarna em um corpo, ela mergulha na sociedade do ego e é criada para aceitar que o julgamento é a única maneira de avançar na vida.

Quando as pessoas alcançam um ponto onde nada que controlou a sua existência faz mais sentido para elas, passam por um período de extrema dor e desorientação. Elas sentem que não pertencem, e que tudo e todos estão contra elas. Elas podem tentar se reconectar com a energia da Fonte para reunir a sabedoria de sua alma, que foi esquecida no nascimento, ou podem simplesmente lutar contra o mundo, expondo-se à negatividade.

O primeiro sintoma que aparece é a depressão – nada parece se encaixar. A depressão é uma perda de todas as impressões sobre a maneira com que a vida deveria ser, resultando em uma lousa em branco. Tudo está em conflito, porque a sua identidade específica foi perdida.

Para enfrentar a noite escura, deve-se lutar para criar uma nova compreensão da razão para a sua existência. Isto pode se transformar em um profundo esclarecimento e conexão com o eu superior, ou pode-se transformar em um indivíduo com emoções negativas e culpando o mundo pela condição.

As pessoas não podem evoluir sem aceitar a total responsabilidade pela sua vida. Com a aceitação vem o conhecimento do por que as lições escolhidas as tornaram quem são nesta vida. Passar pela noite escura transforma os sofrimentos e tribulações que a precedem na sabedoria das lições concluídas.

Almas que escolheram muitas lições para uma existência podem ser confrontadas com mais do que uma noite escura da alma. A maior parte suporta somente uma, durante uma encarnação. E muitas almas nunca têm a experiência porque elas não escolheram ensinamentos extremamente profundos.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Formas de consciência e o novo mundo de regeneração: é a consciência que cria a realidade - Eckhart Tolle

 
 
 
Do livro "O Poder do Agora"
 
 
  Para uma ordem diferente da realidade  

Participante: Não concordo que o corpo tenha de morrer. Estou convencido de que podemos alcançar a imortalidade física. Acreditamos na morte e é por isso que o corpo morre.


Eckart Tolle: O corpo não morre porque você acredita na morte. O corpo existe ou parece existir porque você acredita na morte. O corpo e a morte fazem parte da mesma ilusão, criada pelo modo egoico da consciência, a qual não possui consciência da Fonte da vida e se vê a si própria como separada e permanentemente ameaçada. Por isso, ela cria a ilusão de que

você é um corpo, um veículo físico e denso que está constantemente sob ameaça.

Ter a percepção de si próprio como um corpo vulnerável que nasceu e pouco depois morrerá – é a ilusão. Corpo e morte: uma ilusão. Um não existe sem o outro. Você quer manter um lado da ilusão e ver-se livre do outro, mas isso é impossível. Ou mantém tudo ou desiste de tudo.

E no entanto você não pode escapar ao corpo, nem é obrigado a fazê-lo. O corpo é uma percepção incrivelmente errada da sua verdadeira natureza. E a sua verdadeira natureza está escondida algures dentro dessa ilusão, não fora dela, é por isso que o corpo continua a ser o único ponto de acesso a ela.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O que é o Egoísmo?



O Primeiro Ministro da Dinastia Tang era um herói nacional pelo seu sucesso tanto como homem de estado quanto como líder militar. Mas a despeito de sua fama, poder e riqueza, ele se considerava um humilde e devoto buddhista. Freqüentemente ele visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e eles pareciam se dar muito bem. O fato de que ele era primeiro ministro aparentemente não tinha efeito em sua relação, que parecia ser simplesmente a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante.

Um dia, durante sua visita usual, o Primeiro Ministro perguntou ao mestre, “Mestre, o que é o egoísmo de acordo com o Buddhismo?”

O rosto do mestre ficou vermelho, e num tom de voz extremamente desdenhoso e insultuoso ele gritou em resposta:

“Que tipo de pergunta estúpida é esta?!?”

Tal resposta tão inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornou-se imediatamente arrogante e com raiva:
“Como ousa me tratar assim?”

Neste momento o mestre Zen sorriu e disse:
“ISTO, Sua Excelência, é egoísmo…”
 
 

domingo, 7 de abril de 2013

O porquê dos seres humanos estarem surtando - Pai Joaquim de Aruanda

 

Neste breve áudio, Pai Joaquim de Aruanda fala sobre a questão da Equanimidade, do questionamento dos Espíritos de Luz acerca do comportamento humano em que, cada um se coloca na posição de vítima, achando que é sempre o outro que está lhe atacando.

Fala ainda, sobre a problemática da dor, das situações de desalento e desânimo, de mal-estar, que nos sobressalta a todos sem aviso prévio.

Joaquim nos aconselha a todos a não se desesperar. "Faz parte do processo" - diz ele. A nossa estadia no planeta não pode ser tida à conta de uma colônia de férias ou um parque de diversões.

O Espírito está aqui para realizar provas. Não está aqui para aprender ou se aperfeiçoar. O aprendizado se dá no mundo espiritual - palco de estudos, ensaios, aprendizados. Nesse sentido a Terra deve ser tida à maneira de uma escola, em que os espíritos "descem", adentram a sala de aula para realizar a prova, para testar, comprovar se aprenderam tudo aquilo que estudaram.





sexta-feira, 5 de abril de 2013

"Dos Virtuosos"



Dos Virtuosos

 “É com grande reforço de trovões e de celestes pirotécnicas que é preciso falar aos sentidos sonolentos e adormecidos.

Mas a beleza fala em voz baixa; ela só penetra nas almas mais despertas.


Meu arco tremeu mansamente, e me sorriu: era o riso sarado, o estremecimento sagrado da beleza. 

E de vós, homens virtuosos, que ria hoje a minha beleza. E ouço sua voz dizer-me: ‘Eles querem ser bem pagos!’


Quereis ser bem pagos, homens virtuosos! Quereis uma recompensa para a vossa virtude, e o céu em troca da terra, a eternidade em troca do dia presente!  

E contudo me exprobais por ensinar que não há um celeste distribuidor de recompensas e retribuições? E, na verdade, ensino que nem a virtude é para si mesma a própria recompensa.

sábado, 30 de março de 2013

A Perda do Livre-arbítrio e a Unicidade com Deus



Mais uma entrevista que os espíritos elevados concederam a Jefferson Viscardi, o trabalhador que foi designado pela própria espiritualidade para esse mister: o de divulgar a mensagem divina e sobretudo, o de ‘por os pingos nos is’ – só agradecer, agradecer e agradecer, por todas as bênçãos de Deus. E mais nada!  

Desta vez – inédito – surge Pai João da Cachoeira, designado pelo grandioso espírito “cacique Pai Seta Branca” (Ao qual Pai João se refere com muito respeito, gratidão e humildade) para trazer a mensagem do alto para nós outros aqui reencarnados.

De todas as 27 entrevistas até agora com entidades da Umbanda  essa é que mais sensibilizou não somente o querido confrade, amigo e trabalhador Jefferson Viscardi, mas a nós outros também.

Logo de início, Pai João da Cachoeira agradece profunda e sinceramente ao Jefferson, pela oportunidade que lhe foi concedida – por “Pai Seta Branca”, o grande “cacique” iluminado – de poder conceder a entrevista, ou melhor, estar numa “prosa” com Jefferson Viscardi a falar de assuntos espirituais que nos interessam a todos.

A humildade desse espírito, portanto, é algo que nos sensibiliza, e, como vocês todos poderão constatar no áudio, o próprio Jefferson pergunta o que ele teria feito para merecer tão honrosa presença, qual a de Pai João da Cachoeira?

E, paradoxalmente, trata-se aqui dos espíritos “dos” xamãs, Preto Velhos, aqueles que na Terra foram considerados inúteis e sem importância, vindo do “além” esclarecer a humanidade.

O “mundo da voltas” – dizem...  

Eles são espíritos que perderam a sua identidade, a sua individualidade enquanto pessoas importantes, ou simplesmente enquanto pessoas, e por isso mesmo, são espíritos que não mais precisam reencarnar neste mundo de misérias e sofrimentos, senão como missionários no afã de divulgar e fazer prevalecer a verdade divina, porque é a única verdade que há. Não pode haver duas verdades; não pode haver duas vontades; não pode haver dois senhores...  

É por isso que Pai João da Cachoeira surge agradecendo, e não exigindo gratidão; é por isso que Pai João surge abençoando e não pedindo bênçãos; é desse modo que o grandioso espírito aparece, não se colocando como instrutor, mas apenas como instrumento de DEUS-PAI-TODO-PODEROSO, segundo suas próprias palavras.

Pai João desconstrói, nessa sua prosa agradável e divertida, toda a ideia de que somos artífices do nosso próprio destino; de que somos protagonistas dos nossos atos e de nossas ações. “Tudo é Deus, meu ‘fio’”, diz ele. “Se você chuta uma pedrinha quando está andando pela rua, isso terá uma consequência” – diz o sábio instrumento de Deus – porque (continua ele), “A pedra também é vida, a pedra também é Deus manifestado”!

Para este áudio – diz Pai João – “já foram selecionadas as pessoas que vão ouvi-lo”.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Bernard Levin Entrevista Jiddu Krishnamurti


A Renúncia



Quando perguntado sobre como um chefe de família (grihastha) se encaixa no esquema da Libertação, Bhagavan disse: Por que você pensa que é um chefe de família? Se você se tornar um asceta (sannyasi), um pensamento similar de que você é um asceta vai assombrá-lo. Quer você continue como chefe de família ou renuncie a tal condição e vá para a floresta, sua mente vai junto com você. O ego é a fonte de todo o pensamento. Ele cria o corpo, o mundo e faz você pensar que é um homem do mundo. Se você renunciar ao mundo, o pensamento de que você é um asceta substituirá o de que você é um chefe de família, e o ambiente da floresta substituirá o da casa. Mas os obstáculos mentais ainda estarão lá. Eles inclusive aumentam em novos ambientes. Mudar de ambiente não ajuda em nada. O obstáculo é a mente. Ela deve ser superada, seja em casa ou na floresta. Se você pode fazê-lo na floresta, por que não em casa? Então, para que mudar de ambiente? Seus esforços podem ser feitos agora mesmo, qualquer que seja o ambiente em que se encontre. O ambiente jamais muda conforme o seu desejo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Conquista da Felicidade - Pai Joaquim de Aruanda



A Conquista da Felicidade

Nesta entrevista de Pai Joaquim de Aruanda, concedida a Jefferson Viscardi, o mestre e amigo espiritual não vem de modo algum revogar os ensinamentos já proclamados pelas grandes escolas espiritualistas e pelos mestres espirituais de todos os tempos. Muito pelo contrário, vem projetar luz sobre questões ainda mal compreendidas ou não examinadas criteriosamente.

Todos esses mestres e escolas sempre falaram por parábolas, valendo-se de figuras, comparações, no afã de retratar a Verdade nua e crua de modo velado, a fim de que ela não venha chocar, de maneira contundente, as consciências ainda não despertas.

E ela, a Verdade, choca, porque vai de encontro às verdades humanas; Ela mostra o equívoco de seus enunciados e das prerrogativas humanas acerca do que é Deus e do amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Transitoriedade e Aparência

 

Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:

“Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil…”

Mas outra onda do oceano lhe disse: “Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!”

“Mas,” replicou a pequena onda, “se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?”

“Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!”

“Água? E o que é água?”

“Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contempla a transitoriedade à tua volta, tem coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação…”

O que é a Atenção ou Vigilância

 

 
"Vigiai e orai para não cairdes em tentações"



O despertar...                                                                                                

Mumon:  Para compreender essa coisa maravilhosa chamada iluminação você precisa olhar para a fonte dos seus pensamentos, aniquilando-os por essa maneira.

A segunda maior forma de meditação Zen que hoje se pratica é a da “iluminação silenciosa (mo chão)”, conhecida no Japão como shikan-taza, sentado em meditação “só para sentar”. O famoso Mestre do Ch”an, Hung Chih, descreve-a desta feição:

Silenciosa e serenamente esquecemos todas as palavras;
Clara e vividamente Aquilo aparece...
Quando o compreendemos, é vasto e sem limites;
Em sua Essência é percepção pura. 
Refletindo-se singularmente nessa brilhante percepção,
Cheio de assombro neste reflexo puro...
Um assombro infinito impregna esta serenidade, 
Nesta Iluminação todos os esforços intencionais se esvaem.
Silêncio é a palavra final.
O reflexo é a resposta a toda (manifestação). 
Despojada de qualquer esforço,
Essa resposta é natural e espontânea... 
A Verdade da iluminação silenciosa 
É perfeita e completa.


A iluminação silenciosa, despojada de todo esforço ou conceituação, é facilmente reconhecida como a percepção passiva. Mas, então, somos impelidos a perguntar: como a gente chega a essa fase? Não surpreendentemente, a resposta é a que começa o shikan-taza trazendo a mente a um estado de cristal, de alerta vigilante, de atenção intensa mas relaxada. Yasutani Roshi explica: 

Ora, no shikan-taza a mente precisa estar desapressada mas, ao mesmo tempo, firmemente plantada ou maciçamente composta, como, digamos, o Monte Fuji. Mas também precisa estar alerta, estendida, como a corda esticada de um arco. Dessa maneira, o shikan-taza é um estado intensificado de percepção concentrada em que não estamos nem tensos nem apressados e, por certo, nunca nos mostramos frouxos. É a mente de alguém diante da morte. Imaginemos que você esteja empenhado num duelo de esgrima, do tipo que costumava realizar-se no antigo Japão. Enquanto enfrenta o oponente, está incessantemente alerta, resoluto, preparado. Se relaxasse a vigilância, nem que fosse por um momento, teria sido atingido incontinenti. Junta-se uma multidão para assistir à luta. Como você não é cego, vê a multidão com o canto dos olhos e, como não é surdo, ouve o que ela diz. Mas nem por um instante sua mente se deixa capturar por essas impressões dos sentidos.


 







sábado, 2 de fevereiro de 2013

Realizando o Atman através da Jnane Yoga





Introdução ao estudo e à prática da Jnane Yoga - Por Máscaras de Deus


Olá a todos.

Nesse texto - "Realizando o Atman através da Jnane Yoga" - Swami Vivekananda coloca as bases tanto téoricas quanto práticas da "jnane yoga", ou a realização do Atman através do conhecimento.
 
Apesar do mestre Vivekananda dizer que esta é a mais difícil das yogas, porque ela consiste em negar tudo (neti, neti), talvez, por outro lado, ela seja uma yoga importante, pelo fato de poder ser acessada pelo conhecimento.

 
"Acessar a realidade pelo conhecimento" não quer dizer que bastará unicamente a chave do PENSAMENTO ou de uma mente arguta para a o obtenção desse desiderato.
 
Infelizmente a mentalidade ocidental, apoiada no etnocentrismo, rejeita outras lógicas de concepção do mundo e da realidade, tomando a sua, como a única plausível e "lógica".
 
Assim, vemos os dualistas dizer que "o panteísmo não têm lógica". Para uma cultura cujos fundamentos racionais está assentado num mito dualista como o de Adão e Eva, dizer que "O Deus Único se matou para se dividir em vários" (Mito das civilizações orientais) é tão absurdo quanto dizer para um indiano, um hinduísta ,que no começo de tudo havia um único Deus, incriado, que criou algo a partir do nada e fora de si mesmo - como diz Santo Agostinho, " 'criar' significa 'tirar do nada".
 
Quem está certo, pois? O Logocentrismo é o termo que designa "razão no centro do universo". O Logocentrismo nos ensina, desde crianças, que os pressupostos da nossa cultura, a nossa maneira de pensar estão certos e a de outros povos "não tem lógica".
 
Swami Vivekananda tráz uma outra lógica que desafia e desaponta a razão ocidental porque extermina de uma vez por todas a idéia do "eu", desse pequeno "eu" apegado às vicissitudes desta vida momentânea.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Mais Importante Ensinamento




 

Um renomado mestre Zen dizia que seu maior ensinamento era este: Buddha é a sua mente. De tão impressionado com a profundidade implicada neste axioma, um monge decidiu deixar o Monastério e retirar-se em um local afastado para meditar nesta peça de sabedoria. Ele viveu 20 anos como um eremita refletindo no grande ensinamento.

Um dia ele encontrou outro monge que viajava na estrada através da floresta próxima à sua ermida. Logo o monge eremita soube que o viajante também tinha estudado  sob o mesmo mestre Zen.

"Por favor, diga-me se você conhece o grande ensinamento do mestre", perguntou ansioso ao outro.

Os olhos do monge viajante brilharam, "Ah! O mestre foi muito claro sobre isto. Ele disse que seu maior ensinamento era: Buddha NÃO é a sua mente."

IN: Koans e Contos Zen


 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Como sair da Roda do Samsara...




Excerto do Cap. III do livro Advaita Bodha Deepika, recém publicado



Embora sendo Pura Sabedoria Imutável por natureza, o Supremo Ser, quando associado à mente que muda conforme as qualidades operantes no momento, identifica-se com ela.
 
D: Como isso pode ocorrer?
 
M: Você vê como a água, em si, é fria e insípida. No entanto, por associação, pode ser quente, doce, amarga, azeda, etc. Da mesma forma, o Eu Real, que por natureza é Ser-Consciência-Beatitude, aparece como ego quando associado ao modo-“eu”. Assim como a água fria associada ao calor fica quente, também o Bem-aventurado Ser, unido ao modo-“eu”, torna-se o ego carregado de sofrimentos. Assim como a água, originalmente insípida, fica doce, amarga ou azeda conforme as suas associações, também o Ser de Pura Sabedoria parece imparcial, pacífico e bondoso [sattva] ou impetuoso, raivoso e ambicioso [rajas], ou ainda torpe e indolente [tamas], segundo a qualidade do modo-“isto” no momento.
A escritura diz que o Ser, associado ao prana, etc., aparece respectivamente como prana, mente, intelecto, terra e outros elementos, desejo, raiva, desapaixonamento, etc. Consequentemente, associado à mente, o Ser parece ter-se transformado na alma individual, afundado no sofrimento do infindável samsara, e sendo enganado por inúmeras ilusões, como eu, tu, isto, meu, teu, etc.
D: Agora que o samsara chegou ao Ser, como se pode afastá-lo?