segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fundamentos da Filosofia Advaita-Vedanta




Que declaram os advaitistas? O seguinte: Se há um Deus, esse Deus deve ser ao mesmo tempo a causa material e eficiente do universo. Não só é o Criador, mas é também o criado. Ele próprio é este universo.

Como pode ser isso? Deus, o puro, o espírito, tornou-se universo? Sim, aparentemente é assim. Aquilo que todas as pessoas ignorantes vêem como universo, não existe, realmente. Que somos, vós e eu, e todas as coisas que vemos? Simples auto--hipnotismo. Não há senão uma Existência, a infinita, a sempre abençoada. Nessa Existência sonhamos todos esses vários sonhos. É o Atman[1] para além de tudo, o infinito, para além do conhecido, para além do conhecível, e através disso vemos o universo. Essa é a única realidade. Ela é esta mesa, é a parede, é tudo, menos o nome e a forma. Retirai a forma da mesa, retirai--lhe o nome, e o que permanecer será a mesa. O vedantista não diz "ele" ou "ela", pois essas são ilusões, ficções do cérebro humano. Não há sexo na alma. As pessoas que estão sob a ilusão, que se tornaram como que animais, vêem a mulher ou o homem. Deuses vivos não vêem homens nem mulheres. Como podem vê-los, eles que estão para além de tudo que tenha idéia de sexo? Tudo e todos são Atman, o Eu - assexuado, puro, sempre abençoado. O nome, a forma, o corpo, é que são materiais, e fazem toda essa diferença. Se retirardes essas duas diferenças de nome e forma, todo o universo é um. Não há dois, ma un,4 por toda a parte. Vós e eu somos um. Não há natureza, nem Deus, nem universo - apenas uma Existência infinita, da qual, através de nome e de forma, todas essas coisas são manufaturadas.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Ciência da Raja-Yoga - auto-realização através do domínio da Mente




Auto-Realização através do domínio da Mente
(Raja-Yoga)


Raja-Yoga é uma ciência como qualquer outra. É a análise da mente, um reunir de fatos do mundo supersensório, para assim se construir o mundo espiritual. Todos os grandes mestres espirituais que o mundo conheceu, disseram: "Vejo e sei". Jesus, Paulo, e Pedro, declararam todos sua percepção espiritual das verdades que ensinaram.

A percepção é obtida pela Yoga


Nem memória nem consciência podem ser a limitação da existência. Há um estado superconsciente. Tanto este como o estado inconsciente são privados de sensação, porém com uma enorme diferença entre si - a mesma diferença que existe entre o conhecimento e a ignorância. A concentração da mente é a fonte de todo o conhecimento.






quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ações da Consciência Universal - a vida humana é uma ilusão



A primeira conclusão a que chega Salomão quando fala de sua sabedoria é de que não existe novidade na vida de ninguém: tudo o que está ocorrendo já ocorreu algum dia. Para se referir dessa forma aos fatos da vida, certamente o Sábio tem que ter penetrado na essência dos acontecimentos.

 
Se um determinado empregado hoje foi demitido de uma empresa, para ele isso é novidade, mas se penetrarmos na essência da vida, o fato de não mais se precisar do trabalho de um empregado ocorre diariamente sobre o planeta. Uma mãe que gerou seu primeiro filho para ela é um fato novo, mas ela mesma já foi gerada um dia.

 
A essência dos acontecimentos está na natureza deles. Quando tal essência é aplicada na existência de um ser humano é particularizada com situações, personagens e histórias, mas não deixa de ser a mesma essência.

 
A conclusão de Salomão sobre os acontecimentos da vida (essências particularizadas) é importante para se compreender o Universo e sua ação: não existe novidade, mas sim particularizações de essências.

 
Além disso, ao abordar os acontecimentos do planeta, o Sábio faz questão de mostrar que eles não geram conclusões, mas tudo existe dentro de um ciclo infindável. O sol nasce e se põe apenas para nascer novamente; o vento rodopia pelos quatro cantos, mas acaba no mesmo lugar e todos os rios correm para o mar, mas esse nunca fica cheio, pois as águas voltam sempre para onde nasce o rio.

 
Juntando-se as duas informações podemos chegar à mesma conclusão que o Sábio sobre os acontecimentos da vida carnal: é tudo ilusão.

 
A situação da sua vida que você está passando agora não existe como a vê. Não existem os personagens envolvidos nela, não existe a trama que você está imaginando, mas apenas uma essência universal acontecendo. Da mesma forma, a sua reação não levará a nenhum lugar novo, pois não importa o que você faça, a ação universal já determinou o fim da situação.

 
Exemplifiquemos para melhor entendimento. O empregado que foi demitido é uma situação que não existe. Ele, quem decidiu pela sua demissão e os acontecimentos que aparentemente geraram o fato são ilusões. Na verdade ninguém perde trabalho, pois viver já é o trabalho do ser humanizado. As reações que o empregado pode ter (desespero, angústia, preocupação, satisfação) são também ilusões, pois não importa como ele reaja a essa ação universal, os próximos acontecimentos já estão programados pela própria ação universal.

 
Foi a essa conclusão que o Sábio chegou sobre a existência do ser humanizado: todos os acontecimentos são ilusões e qualquer reação a eles de nada adianta, pois existe uma ação universal que comanda todas as coisas.

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Louvado seja Deus que não sou bom...




Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.


E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.

(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu - não sofrerão.
Todo mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal. :o
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)

Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até as lágrimas),
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos duma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.

(
Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores

E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo
É essa a única missão no mundo,
Essa - existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.)

E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas o que tem com o poente quem odeia e ama? ::)

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) IN: O Guardador de Rebanhos

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Física Quântica e Misticismo: a existência humana como ilusão




FÍSICA QUÂNTICA: uma pálida idéia

- Um elétron pode estar em ‘mais’ de um lugar ao mesmo tempo; os experimentos da física moderna são inequívocos a esse respeito.


- A ciência clássica, cartesiana (anterior), desenvolveu-se de acordo com a suposição fundamental de que existe, fora do observador, uma realidade real, objetiva, que seria algo sólido, constituído de coisas que possuem atributos, como massa, peso, carga elétrica, momentum, posição no espaço, spin, inércia, energia, cor, existência contínua através do tempo, etc. No entanto, tais coisas e todo o universo, de acordo com a nova física, não existem sem que algo lhes perceba a existência; e esse algo é a mente de seres sencientes.


- É errado, por exemplo, supor que um elétron seja um pontinho imponderável de matéria; isso porque, em certas ocasiões, ele é uma nuvem composta de um número infinito de possíveis elétrons, ondulando como uma onda e capaz de mover-se em velocidades superiores à da luz, diferente do postulado de Einstein sobre a velocidade. Tais possíveis elétrons parecem uma única partícula somente quando os observamos.


- Resultados de observações sobre dois elétrons correlacionados, mesmo que separados por distâncias imensas, demonstram que forçosamente deve haver entre eles alguma conexão que permite que a comunicação entre eles se mova mais rápida que a luz. Como, conforme Einstein, nenhuma velocidade pode ser maior que a da luz (300 mil km por segundo) dentro do espaço-tempo, pode-se afirmar que essa comunicação ocorre além do espaço-tempo, logo no domínio do atemporal, no domínio transcendental (domínio de Deus).