quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O que é o ego? Como ele é construído socialmente?




 O ego é esse eu criado socialmente, esse eu alienado (Alienado = "fora de si", "inconsciente"), que é produzido pela cultura. Como tal, ele é um eu simbólico. Ele é simbólico porque é criado à imagem e semelhança dos valores ideológicos dominantes, e assim, o ego - na sua totalidade corpo/mente de um ponto de vista não dual - é como se fosse um hardware em que é instalado softwares ou programas, que não são senão as programações que dizem o que ele é, o que ele deve tornar-se, como ele deve comportar-se, do que ele deve gostar, o que ele deve almejar na vida, o que ele deve desprezar e repudiar, o que ele deve amar e odiar, como ele deve agir, porque ele deve consumir e também, o porquê dele dever sempre buscar a riqueza e evitar a pobreza; buscar a fama e fugir da infâmia; buscar ser feliz e evitar a todo custo ser infeliz; buscar ser amado e evitar ser detestado e assim por diante.

E, assim, a ideologia dominante coloca o ego no banco dos réus: o ego será culpado pela sociedade toda vez que, não somente não seguir, mas não atingir aqueles objetivos colocados como os primários e legítimos pela sociedade como tornar-se rico, culto, inteligente, querido, triunfante, bem quisto socialmente e etc.





Quando o ego não atinge essas demandas consideradas pela sociedade como as essenciais para a realização ou processo de "maturidade" do próprio ego, ele é posto à margem, ridicularizado, e o próprio ego que acredita na programação que lhe é imposta, sente-se culpado pelas situações de fracasso, por não ter conseguido ser feliz ou realizado, apesar de ter envidado ingentes esforços para isso.

Nesse momento aparece outras instituições da própria sociedade, com o objetivo de "resgatar", "salvar" o ego do pecado, pecado esse que consistiu no seu fracasso no tangente a ter um bom emprego, família, filhos, ser reconhecido socialmente, e existem as instituições para "tratar", "cuidar", "curar" esse ego doente, cuja terapêutica consiste em reintroduzir o ego na sociedade - para que ele continue a reproduzir a ideologia dominante e, em conseqüência, a própria sociedade.

Para isso o ego é levado à procura de psicólogos - A Psicologia é uma ciência louvável, mas a a "psicologia acadêmica" tem como função apenas reintroduzir o ego na lógica simbólica da sociedade -, pastores, padres, gurus, psiquiatras, ou então, o ego é levado à buscar respostas para o seu fracasso em literaturas como a Ciência, a Filosofia, Doutrinas Religiosas, Livros de Auto-ajuda, e recorrer às próprias instituições sociais.

Todas essas instituições, literaturas e principalmente as religiões - que, enquanto "co-autoras" e "co-participantes" da Ideologia dominante - têm como objetivo disciplinar os egos rebeldes para que eles não se tornem um problema para a sociedade.

Ora, trabalhar é "duro", e há egos que preferem roubar - uma maneira mais simples de ganhar o pão de cada dia. Mas o que é o ato de roubar senão um ataque ao mais precioso tabu da sociedade que é a propriedade privada?

Assim também, a parte que toca ás religiões ao que cabe moralizar e fazer progredir o indivíduo para deus, ou para um mundo melhor, trata-se apenas de disciplinar os egos socialmente: dizem apenas o que ele deve fazer e como se comportar para que logre alcançar aqueles objetivos, como ter fama, riqueza, ser bem sucedido no casamento e na família, enfim, ter sucesso na vida.

Então os egos são como robôs programados para viver socialmente de acordo com as normas já programadas pelo "projetista", o Bill Gates, que não é senão a Ideologia dominante. Como todos os egos são programações, os egos não disciplinados - seja do ponto de vista criminal ou simplesmente do ponto de vista do fracasso social - há também, como na rede de computadores mundial, o anti-vírus cujo papel é excluir os egos que não estão de acordo com a programação, que não realizam a programação.

Bom, até aqui temos dito que o ego é uma programação social, que ele é um robô. Como um robô que ele é, ele não pensa por si próprio, ele apenas cria a idéia de que está pensando. Mas o que gera os pensamentos é a programação que está contida no software que foi introduzido no hardware. Assim, o ego não pensa, não sente, e não cria ações, ele apenas cria a idéia de que está sentindo, pensando e agindo, senão vejamos: quando há uma roda de pessoas em torno de um estuprador, linxando-o, e você passa por perto, não surge logo aquele sentimento "instintivo" (instintivo? :unsure: ) de ódio e indignação e - se vc não é tão cruel - você diz para consigo mesmo: "Que desgraçado! Bem feito! Teve o que merecia"? Pergunto a vocês: essa idéia é sua ou é uma idéia que está contida na programação do software?

Então você não está sentindo, você está apenas realizando um comando da sua programação.

Do mesmo modo, você não está pensando e dizendo: "acredito que a história da humanidade até hoje têm sido a história da luta de classes", mas você está apenas realizando uma programação de um software, que embora não seja o software dominante (Windows do Bill Gates), é também uma ideologia que exerce forte influência sobre os egos, embora não seja dominante (Linux, e etc).

Então você não é você. O que caracteriza o ego são as crenças que ele tem a respeito de si mesmo e do mundo à sua volta. É a crença na estória pessoal. O ego acredita que ele é um ente separado de outros entes; que tem amigos, inimigos, família, afetos, desafetos, que tem uma profissão, objetivos na vida, ideais; o ego acredita que ele é bom ou que é mau (normalmente a tendência dos egos é acreditarem-se perfeitos, 'o problema é o outro'), e, afinal, isso tudo - bom/mau; bonito/feio; fracasso/sucesso, etc - não é apenas a programação, o programa que foi instalado no hardware, no ego?

Em conseqüência, o ego não tem livre-arbítrio, pois, se ele é uma programação, ele apenas cria a idéia de que está agindo, pensando ou sentindo com livre-escolha, mas isso é ilusão.

Contudo, há um único livre arbítrio possível de se exercer, que é acreditar ou não, que você é a programação.

Então você não é o ego - como vemos aí na citação do Panta - você é a Consciência. O que é ela? Ela é uma entidade real? Ou ela é só mais um conceito metafísico? Há uma maneira de descobri-la, de prová-la?

Creio que a resposta é sim. Contudo, enquanto não houver o cessar da identificação com a programação, ou seja, enquanto não se parar de acreditar que você é a programação, não é possível saber o que é a Consciência, e, em conseqüência, saber quem você É.

Mooji: "Há uma maneira de saber quem você É: descubra aquilo que você não é".

Nisargadatta Maharaj: "Eu não sou isto e nem aquilo, EU SOU".

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