quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pós-Modernismo e Filosofia Oriental: o declínio da razão, dos valores e instituições ocidentais




 O QUE É PÓS-MODERNO


(trechos do livro: O que é pós-moderno, Jair Ferreira dos Santos, Ed. Brasiliense, 1987)


(sublinhado, subtítulos e seleção dos trechos: Laerte Moreira dos Santos)





Ora, o barato de alguns (não todos) filósofos pós-modernos é que eles não querem restaurar os valores antigos, mas desejam revelar sua falsidade e sua responsabilidade nos problemas atuais. Para isso, eles lutam em duas frentes:


1)Desconstrução dos princípios e concepções do pensamento ocidental __ Razão, Sujeito, Ordem, Estado, Sociedade etc. - promovendo a crítica da tecnociência e seu casamento com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, que resultou no tão amaldiçoado Sistema.

2)Desenvolvimento e valorização de temas antes considerados menores ou marginais em filosofia: desejo, loucura, sexualidade, linguagem, poesia, sociedades primitivas, jogo, cotidiano - elementos que abrem novas perspectivas para a liberação individual e aceleram a decadência dos valores ocidentais.


Para essa guerra, filósofos pós-modernos, tais como Jacques Derrida, Gilles Deleuze, François Lyotard, Jean Baudrillard, foram buscar armas em vários arsenais. Num pensador maldito - Nietzsche - o primeiro a desconstruir os valores ocidentais; na Semiologia, pois atacam as sociedades pós-industriais baseadas na informação, isto é, no signo; e no ecletismo Marx com Freud, fundindo aspectos pouco conhecidos de suas obras. Esse pim-pam-pum de idéias no fliperama digital do nada é interessante. (pág. 73-74)


Pós-modernismo e Pós-Estruturalismo

"Na trilha aberta por Nietzsche, o filósofo Jacques Derrida, que inventou a palavra desconstrução, atacou a besta chamada Logocentrismo ocidental. O Ocidente, segundo ele, só sabe pensar pelo Logos, que em grego significa palavra, razão, espírito.

Paremos aqui e voltemos a fita um pouco. Derrida é pós-moderno porque pós-estruturalista. O estruturalismo nas ciências humanas é a corrente que, nos últimos 30 anos, recebeu grande impulso na Lingüística e na Semiologia. Ele analisa os fenômenos sociais e humanos como se fossem textos, discursos. A moda, o casamento, o sonho podem ser "lidos" como se fossem "frases" de uma língua, signos com um significante e um significado (no sonho as imagens são significantes cujo significado o analista descobre). Pois bem, na Antropologia, na Psicanálise, na Sociologia, o estruturalismo explicou cientificamente muita coisa no homem que antes era privilégio da Filosofia comentar. Assim, a Filosofia ficou meio desempregada, meio boca inútil. Após o estruturalismo, só lhe restou voltar-se sobre si mesma, pensar a sua própria história, investigar o seu própria discurso.


É aí que entra Derrida com a desonstrução do Logocentrismo. No centro da cultura e da filosofia ocidentais está o Logos, isto é, o espírito racional que fala, discursa. E como? O Logos é a razão e a palavra falada, no sujeito humano, transformando as coisas em conceitos universais. O conceito cadeira, por exemplo, expresso pela palavra "cadeira", produz um modelo universal para esse objeto, apagando as diferenças entre as cadeiras reais (de pau, de ferro, de palha). O conceito torna idênticas todas as cadeiras porque elimina as diferenças entre elas. O Logocentrismo acaba com as diferenças entre as coisas reais ao reduzi-las à identidade no conceito.


Mas isso não ficou apenas nas modestas cadeiras. É um jeito ocidental de pensar e agir. Os jesuítas convertiam as diferentes tribos brasileiras a uma idêntica religião: o cristianismo. Os brancos europeus submeteram vários povos, de diferentes raças, a uma idêntica economia: o capitalismo. A linha de montagem impôs a diferentes personalidades gestos idênticos. O ocidente sempre se deu mal com as diferenças: a do índio, do negro, do louco, do homossexual, da criança, da poesia (expulsa da República por Platão).


Ora, embutida no Logos, Derrida descobre uma cadeia desses grandes conceitos universais que atravessa toda a cultura ocidental. Logos é Espírito, que dá em Razão, que faz Ciência, que promove a Consciência, que impõe a Lei, que estabelece a Ordem, que organiza a Produção. No entanto, a cadeia das maiúsculas só se promoveu reprimido e silenciando como inferiores os termos de uma outra cadeia: corpo/ emoção/ poesia/ inconsciente/ desejo/ acaso/ invenção. Além de matar as diferenças em identidades, o Logos comete uma segunda violência: hierarquiza esses elementos, valoriza, torna uns superiores aos outros. Os primeiros - maiúsculos, superiores - reduzem o mundo a identidades, são sólidos, centrais, racionais, duradouros, programáveis. Os outros - minúsculos, inferiores - pulverizam o mundo em diferenças, são fugidios, sem centro, irracionais, breves, imprevisíveis.


Em guerra com a tradição ocidental, ao desconstruir seu discurso para trazer à tona o reprimido, Derrida e outros filósofos pós-modernos querem injetar vida nova nas diferenças contra a identidade, na desordem contra a hierarquia, na poesia contra a lógica. Eles pensam contra as manias mentais ocidentais, um pensar sem centro e sem fim, mais para a literatura que para a filosofia. Vinculado a pequenas causas, é um meditar minoritário tendo como objeto o corpo, a prostituição, a loucura, o cotidiano, contra o Espírito, a Família, a Normalidade e a Grande Revolução Final. (pág. 79-84)"
(Aconselho ler o artigo inteiro) http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/oqueposmodernojair.html

2 comentários:

  1. Interessantíssimo. Curioso é que recentemente estive a estudar as filosofias lá do oriente... Engraçado que seus conceitos, "dogmas", conselhos, são universais e deixá-los é rumar para o caos.

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  2. Olá Vitor! Muito obrigado pela comentário! Eu diria que a diferença básica entre Filosofia Ociental e Oriental, é que a primeira, é como se lê aí no texto, de acordo com Derrida, é construída a partir de discursos, do Logos, enquanto que a segunda - tbm tem o seu Logos - mas é em grande parte constituída por outras "vias" do conhecimento, que não a razão: os "experimentos" dos mestres orientais consistiram em perceber a realidade, e só posteriormente utilizar as palavras - contos, parabólas, estórias, analogias - para comunicar essa percepção aos demais. Ao contrário, a Filosofia Lógica de Aristóteles a René Descartes, Kant e Hegel, é uma metafísica, uma construção a priori, através do signo, da realidade. O Desconstrutivismo, pois, de Jacques Derrida faz sentido. O que resta saber é se, a Filosofia Oriental e seu entendimento a partir da divulgação, de modo que alcance as coletividades - incluindo as acadêmicas - pode ou não acelerar esse processo de DECADÊNCIA da cultura ocidental. A Filosofia hoje, está reduzida à filosofia da linguagem, dizem alguns. Essa Filosofia da Linguagem é a própria Filosofia Pós-moderna de Foucualt, Derrida e Deleuze entre outros. E olhe que o Jair Ferreira escreveu essas coisas na década de 80, já tendo-as como realidade e não como uma profecia. E assim, hoje se acelera esse processo de decadência da cultura ocidental, com a DESCONSTRUÇÃO do discurso filosófico ocidental, que já está sob suspeita desde há um século quase!

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