terça-feira, 12 de junho de 2012

O que é a Consciência Pura ou Ser - Eckhart Tolle



Consciência Pura = Ser = Atman = Brhaman = Self, ou se preferirem, Deus...





COMPREENDER A CONSCIÊNCIA PURA





Pergunta: A presença é a mesma coisa que o Ser?




Eckhart Tolle: Quando você se torna consciente do Ser, aquilo que acontece realmente é que o Ser se torna consciente de si próprio. E quando o Ser se torna consciente de si próprio, isso é presença. Já que o Ser, consciência e vida são sinónimos, poderemos dizer que a presença significa a consciência a tornar-se consciente de si própria, ou a vida a alcançar a autoconsciência. Mas não se apegue às palavras e não faça nenhum esforço para compreender isto. Não há nada que precise de compreender antes de se tornar presente.




Pergunta: Compreendo o que acaba de dizer, mas parece-me que isso significa que o Ser, a realidade transcendental última, ainda não está completo, está sujeito a um processo de desenvolvimento. Deus precisará de tempo para o crescimento pessoal?
Eckhart Tolle: Sim, mas apenas a partir da perspectiva limitada do Universo manifestado.


Na Bíblia, Deus declara: "Eu sou o Alfa e o Ómega e Eu sou Aquele que vive". No reino intemporal onde Deus vive, que é também o lugar a que você pertence, o princípio e o fim, o Alfa e o Ómega, são um só, e a essência de tudo o que é, sempre foi e sempre será está eternamente presente num estado não manifesto de unidade e perfeição – completamente para além daquilo que a mente humana pode sequer imaginar ou compreender. No nosso mundo de formas aparentemente separadas, a perfeição intemporal é um conceito inconcebível. Aqui até mesmo a consciência, que é a luz que emana da Fonte eterna, parece estar sujeita a um processo de desenvolvimento, mas isso deve-se à nossa percepção limitada. Em termos absolutos, não é assim. No entanto, deixe-me dizer mais algumas coisas acerca da evolução da consciência neste mundo.




Tudo o que existe possui o Ser, possui a essência divina, possui um determinado grau de consciência. Até mesmo uma pedra possui uma consciência rudimentar, pois, se assim não fosse, ela não existiria e os seus átomos e moléculas dispersar-se-iam. Tudo está vivo. O Sol, a Terra, as plantas, os animais, os seres humanos – todos são uma expressão da consciência em vários graus, a consciência manifestando-se como forma.

O mundo nasce quando a consciência se reveste de imagens e de formas, formas de pensamento e formas materiais. Considere os milhões de formas de vida que existem só neste planeta. No mar, na terra, no ar – e depois cada forma que se reproduz milhões de vezes. Com que fim? Estará alguém ou alguma coisa a fazer um jogo, um jogo com formas? Esta foi uma pergunta que os antigos videntes da Índia fizeram. Eles viam o mundo como um


lila, uma espécie de jogo divino de Deus. As formas da vida individual não são, obviamente, muito importantes nesse jogo. No mar, a maioria das formas de vida não sobrevive mais do que alguns minutos depois de nascer. Os seres humanos também têm um tempo de vida muito limitado, e quando morrem é como se nunca tivessem existido. Isto é trágico ou cruel? Apenas se você criar uma identidade separada para cada forma, se esquecer que a sua consciência é a essência divina expressando-se como forma. Mas você não o saberá verdadeiramente antes de compreender que a sua própria essência divina é a consciência pura.




Se nascer um peixe no seu aquário e você lhe chamar John, emitir uma certidão de

nascimento, lhe falar do historial da sua família e, dois minutos mais tarde, ele for comido por outro peixe – isso é trágico. Mas só é trágico porque você projectou um eu separado onde não existia nenhum eu. Você apoderou-se de uma fracção de um processo dinâmico, de uma dança molecular, e fez dela uma entidade separada.

A consciência esconde-se nas formas até elas atingirem tal complexidade que ela se perde completamente nelas. Nos seres humanos dos dias de hoje, a consciência identifica-se completamente com a forma. Só se reconhece a si própria como forma e portanto vive no medo da aniquilação da sua forma física ou psíquica. É esta a mente egoica, e é aqui que se instala uma formidável disfunção. Dá a impressão agora de que alguma coisa deve ter corrido muito mal algures ao longo do processo de evolução. Mas até isso faz parte de


lila, do jogo divino. Finalmente, a pressão do sofrimento criado por essa aparente disfunção força a consciência a deixar de se identificar com a forma e a despertar do seu sonho: volta a alcançar a autoconsciência, mas a um nível muito mais profundo do que quando a perdeu.




Este processo é explicado por Jesus na parábola do filho pródigo, que deixa a casa do pai, dissipa a fortuna, torna-se indigente e depois se vê forçado, pela via do sofrimento, a voltar para casa. Quando o faz, o pai


ama-o mais do que antes. A condição do filho é a mesma e ao mesmo tempo não é a mesma que antes. Há uma dimensão acrescentada de profundidade. A parábola descreve uma jornada de uma perfeição inconsciente, através de uma imperfeição aparente e do "mal", para uma perfeição consciente.




Consegue ver agora o significado mais profundo e mais vasto de se tomar presente como observador da sua mente? Sempre que observa a mente, você retira a consciência das formas da mente, a qual se torna então aquilo a que chamamos o observador ou a testemunha. Como consequência, o observador – pura consciência para além da forma – torna-se mais forte, e as formações mentais tornam-se mais fracas. Quando falamos de observar a mente, estamos a personalizar um evento com um significado verdadeiramente cósmico: através de si, a consciência desperta do seu sonho de identificação com a forma e retira-se da forma. O que prefigura, mas já faz parte de, um evento que provavelmente ainda está num futuro distante no que respeita ao tempo cronológico. O evento chama-se o fim do mundo. 



Quando a consciência se liberta da sua identificação com formas físicas e mentais, toma-se aquilo a que poderíamos chamar consciência pura ou iluminada, ou presença. Isso já aconteceu a alguns indivíduos e parece destinado a acontecer brevemente a uma escalamuito maior, embora não haja garantia absoluta de que


acontecerá. A grande maioria dos seres humanos continua presa nas garras do modo egoico da consciência: identificada com a mente e dominada pela mente. Se os seres humanos não se libertarem da mente a tempo, serão destruídos por ela. Passarão por experiências cada vez mais intensas de confusão, conflito, violência, doença, desespero e loucura. A mente egoica é como que um navio a afundar-se. Se não o abandonar, afunda-se com ele. A mente egoica colectiva é a entidade
mais perigosamente louca e destrutiva que algum dia habitou este planeta. O que pensa que acontecerá ao planeta se a consciência humana continuar igual ao que é hoje?

Já para a maioria dos seres humanos, a única "folga" que eles têm das suas próprias mentes é quando por vezes revertem para um nível de consciência inferior ao do pensamento. É o que toda a gente faz, todas as noites, durante o sono. Mas isso também pode acontecer, em certa medida, através do sexo, do álcool e de outras drogas que suprimem a actividade excessiva da mente. Se não fosse o álcool, os tranquilizantes, os antidepressivos, assim como todas as drogas ilegais, todas elas consumidas em grandes quantidades, a insensatez da mente humana tornar-se-ia ainda mais flagrantemente óbvia do que já é. Creio que, privada das drogas, uma grande parte da população tornar-se-ia um perigo, tanto para si própria como para os outros. É evidente que as drogas só servem para manter o ser humano atolado na disfunção. O seu uso tão difundido não faz mais do que atrasar a queda das velhas estruturas da mente e o aparecimento de uma consciência mais elevada. Apesar de os utilizadores individuais poderem obter algum alívio da tortura diária que lhes é imposta pelas respectivas mentes, a verdade é que esse consumo os impede de gerar a presença consciente necessária para se elevarem acima do pensamento e assim encontrarem a verdadeira libertação.

Reverter a um nível de consciência inferior ao da mente, que é o nível de pré-pensamento dos nossos antepassados e dos animais e plantas, não é uma opção para nós. O retrocesso não existe. Se a raça humana quiser sobreviver, terá de avançar para a fase seguinte.


A consciência está a evoluir por todo o Universo em biliões de formas. Por isso, mesmo que não o conseguíssemos, isso não teria importância do ponto de vista cósmico. Uma evolução a nível da consciência dá sempre frutos, pelo que, essa consciência se exprimiria através de alguma outra forma. Mas só o facto de eu estar aqui a falar e de você estar a ouvir ou a ler o que digo é um sinal claro de que a nova consciência se


está a instalar no planeta.




Não há nada de pessoal nisto: eu não lhe estou a ensinar nada. Você é consciência e você está a ouvir-se a si próprio. Há um ditado oriental que exprime bem esta ideia: "Aquele que ensina e aquele que aprende criam juntos a sabedoria." De qualquer maneira, as palavras em si não são importantes. As palavras não são a Verdade; apenas apontam para a verdade. Eu falo de presença e, enquanto falo, talvez você se possa juntar a mim nesse estado. Embora cada uma das palavras que uso tenha evidentemente uma história e venha do passado, como todas as línguas, as palavras que eu lhe dirijo agora transportam a elevada frequência da energia da presença, o que é bastante diferente do significado que elas transmitem enquanto palavras.

O silêncio é um veículo ainda mais eficaz para a presença. Por isso, quando ler isto ou me ouvir falar, repare no silêncio que existe entre as palavras e por trás delas. Repare nos intervalos. Escutar o silêncio, onde quer que você esteja, é uma maneira fácil e directa de se tornar presente. Mesmo que haja barulho, há sempre algum silêncio por trás dos sons e entre eles. Escutar o silêncio cria imediatamente quietude dentro de si. Apenas a quietude dentro de si se pode aperceber do silêncio exterior. E que mais é a quietude senão presença, consciência liberta das formas do pensamento? Eis aqui a compreensão viva daquilo de que temos estado a falar.



In: O Poder do Agora , Eckhart Tolle

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