sábado, 2 de junho de 2012

Explicação da Parábola da Ovelha Perdida





Por Monstrinho  


No Evangelho de Tomé, encontramos essa parábola da seguinte forma: uma ovelha sai do rebanho, e o pastor, larga as outras 99 sozinhas e vai atrás da que se perdeu. "Ora - dirão - mas que parábola mais estúpida". Não seria uma burrice um pastor deixar ao relento 99 ovelhas - que poderiam ser presas de animais selvagens, ladrões, etc - para socorrer apenas uma única?

Mas toda parábola tem um sentido oculto: Jesus escolhe a ovelha e não outro animal para contar essa parábola, por que? Por que as ovelhas têm um instinto de rebanho, ou seja, se uma pula a cerca, a outra também pula; se uma sai correndo, todas saem correndo atrás. Não é como o ser humano que, se vê um estuprador sendo apedrejado vai lá e também apedreja? Não é como o ser humano - plenamente socializado - que, quando passa um transexual na rua ou um gay, fazendo trejeitos de mulher, ri, mas seu riso não é espontâneo, mas ri, de acordo com o costume já estabelecido de rir, fazer chacota desse tipo de pessoas? Não é como aquelas pessoas pobres, que criticam os avarentos, mas por 10 reais ou por coisa nenhuma, sempre estão no Poupa tempo, no advogado para processar fulano e sicrano? Pq fazem isso senão porque a sociedade lhes ensinou que é feio perder e bonito ganhar??

A sociedade é pois o rebanho e seus membros, as ovelhas, por isso que Jesus não está nem aí para as "ovelhas que têm instinto de rebanho"; ou como diz Allan Kardec, os Espíritos Superiores só assistem os que realmente estão voltados para o lado espiritual, e não para os hipócritas que, em empunhando a bandeira do Cristo, estão preocupados não só com o que vão comer e vestir amanhã, mas sobretudo COMO vão comer e se vestir.


A ovelha perdida é o indivíduo que está cansado de ser uma gota d'água nessa sociedade panteísta, em que, segundo dizem as religiões dualistas e psicologia moderna, para sobreviver temos que buscar força uns nos outros. Não foi isso o que Jesus disse, e sobretudo não foi isso o que ele viveu: "Eu não sou do mundo, por isso o mundo me odeia; se perseguiram a mim, perserguirão a vós, pq é da lei que o discípulo não pode ser maior que o mestre".

É um grande engodo supor que as ovelhas perdidas são os párias sociais, os ateus, os criminosos e que, por outro lado, os espíritas e os religiosos de um modo geral são como "enviados" do Pai, que recambiarão as "ovelha perdidas" para o seio do Pai. Muito pelo contrário, as "ovelhas perdidas" são os "Jesus-cristos" e os "Budas" da vida, que, em renunciando ao instinto de rebanho, em renunciando às dispustas mundanas, são alvo de críticas pelos que estão auto-protegidos uns pelos outros na sociedade; são alvo de críticas por terem "fracassado", por não terem "lutado" nesse mundo de extrema competição. As ovelhas perdidas são apedrejadas, são escarnecidas, pois que são consideradas como covardes que não lutaram por um lugar ao Sol no mundo, enquanto que Jesus disse "não resistai ao mal que vos queiram fazer".

Assim como a criança só adquire identidade e segurança no caminhar a partir de seus pais, todos os indivíduos estão em busca de AUTORIDADES EXTERIORES para lhes dizer quem é e como devem viver. Como assevera Jiddu Krishnamurti: "O homem que diz 'quero mudar' dizei-me como, já está buscando uma autoridade exterior para estabelecer a ordem dentro de si".

"Eu venci o mundo", disse Jesus. Vencer o mundo é não disputar com o mundo (Emmanuel); vencer o mundo não é tornar-se rico, poderoso e "feliz" aos olhos do mundo. Pelo contrário, é aceitar tudo o que nos acontece com equanimidade, pois tudo vem de Deus, uma vez que "é o senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer" (Paulo). Vencer o mundo é renunciar ao mundo!

Nossa força deve ser encontrada dentro de nós mesmos, pois o Pai, o Reino dos Céus está dentro de nós. Está faltando aí, por parte dos religiosos, psicólogos, pastores, tutores e precptores de um modo geral auscultar e aquilatar o verdadeiro significado da parábola do grão de mostarda!

"Eu não sou do mundo"; "eu venci o mundo". São frases a nos dizer que Jesus não buscou forças em ninguém, mas somente em Deus. Pois onde ele buscaria forças? Na sua família que não acreditava nele, que o taxava de louco? Nos amigos e discípulos que o abandonaram e o negaram, como Pedro? Onde?

Acho que muitas religiões, psicólogos, preceptores e tutores estão equivocados nesse ponto, quando dizem que temos que buscar a força espiritual uns nos outros. Penso que é precisamente o oposto que se dá: enquanto estivermos buscando força uns nos outros, caminharemos para o mesmo precipício, como cegos conduzindo cegos. Nossa força está dentro de nós, porque "Eu e o Pai somos Um", e não fora de nós, porque "O ser humano é inimigo de Deus", segundo Paulo de Tarso.

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