terça-feira, 26 de junho de 2012

Xamanismo e Espiritualismo: os comandos da Águia






Cinco Proposições Explicativas - Dom Juan/C. Castañeda

1 — O que percebemos como mundo são os comandos da Águia.

Dom Juan explicou que o mundo que percebemos não tem existência transcendental. Nossa familiaridade com ele nos leva a acreditar que o que percebemos é um mundo de objetos existentes como os percebemos, quando na verdade não há um mundo de objetos, mas sim um universo dos comandos da Águia.

Esses comandos representam a única realidade imutável. É uma realidade que engloba tudo o que existe, o perceptível e o não-perceptível, o conhecível e o não conhecível.

Os observadores que vêem as emanações da Águia chamam-nas de comandos por causa da sua força compulsória. Todas as criaturas vivas são compelidas a usar as emanações, e usam-nas sem nunca saberem o que elas significam. O homem padrão interpreta-as como realidade. E os observadores que vêem as emanações interpretam-nas como o regulamento.
Apesar dos observadores verem as emanações, não há um meio deles saberem o que estão vendo. Ao invés de entrarem em conjeturas supérfluas, entram numa especulação funcional de como os comandos da Águia podem ser interpretados. Dom Juan insistia em dizer que ao intuirmos uma realidade que transcende o mundo percebemos remanescentes a nível de conjeturas, não é suficiente resumir que os comandos da Águia são percebidos de uma vez só por todas as criaturas vivas da terra e que não há uma criatura que perceba igual à outra. Os guerreiros devem ter como objetivo presenciar o fluxo das emanações e ver como o homem e os outros seres vivos usam-nas para construir seu mundo perceptível.

Quando eu propus o uso da palavra “descrição” em vez de comandos da Águia, Dom Juan esclareceu que não estava construindo uma metáfora. Disse que a palavra “descrição” tem uma conotação de concordância do homem, e que o que percebemos deriva de um comando no qual a concordância do homem é deixada de fora.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pós-Modernismo e Filosofia Oriental: o declínio da razão, dos valores e instituições ocidentais




 O QUE É PÓS-MODERNO


(trechos do livro: O que é pós-moderno, Jair Ferreira dos Santos, Ed. Brasiliense, 1987)


(sublinhado, subtítulos e seleção dos trechos: Laerte Moreira dos Santos)





Ora, o barato de alguns (não todos) filósofos pós-modernos é que eles não querem restaurar os valores antigos, mas desejam revelar sua falsidade e sua responsabilidade nos problemas atuais. Para isso, eles lutam em duas frentes:


1)Desconstrução dos princípios e concepções do pensamento ocidental __ Razão, Sujeito, Ordem, Estado, Sociedade etc. - promovendo a crítica da tecnociência e seu casamento com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, que resultou no tão amaldiçoado Sistema.

2)Desenvolvimento e valorização de temas antes considerados menores ou marginais em filosofia: desejo, loucura, sexualidade, linguagem, poesia, sociedades primitivas, jogo, cotidiano - elementos que abrem novas perspectivas para a liberação individual e aceleram a decadência dos valores ocidentais.


Para essa guerra, filósofos pós-modernos, tais como Jacques Derrida, Gilles Deleuze, François Lyotard, Jean Baudrillard, foram buscar armas em vários arsenais. Num pensador maldito - Nietzsche - o primeiro a desconstruir os valores ocidentais; na Semiologia, pois atacam as sociedades pós-industriais baseadas na informação, isto é, no signo; e no ecletismo Marx com Freud, fundindo aspectos pouco conhecidos de suas obras. Esse pim-pam-pum de idéias no fliperama digital do nada é interessante. (pág. 73-74)


Pós-modernismo e Pós-Estruturalismo

terça-feira, 19 de junho de 2012

A Prática do Zen - Praticando nas relações sociais, conjugais e familiares





A mente do passado é inapreensível;

A mente do futuro é inapreensível;

A mente do presente é inapreensível.

(Sutra Diamante)



O que é tempo? Existe tempo? O que podemos dizer a respeito de nossa vida

cotidiana em relação ao tempo, ao não-tempo, ao não-ser? O que podemos aprender

a respeito dos relacionamentos sobre esse não-tempo, não-ser?



Costumamos pensar que uma dharma palestra, um concerto, ou qualquer

acontecimento da vida tem um começo, um meio e um fim. Mas se, a qualquer

instante desta palestra, por exemplo, eu parar, onde estarão as palavras que acabei

de pronunciar? Elas simplesmente não existem. Se eu parar em algum momento

posterior, onde estarão as palavras que terão sido ditas até aquele minuto? Não

existem. E quando a palestra estiver encerrada, onde estará a palestra? Não há

palestra. Só restam traços de memória em nossos cérebros. E essa memória, seja lá o


Eu Sou Brahman





Brahman é supremo. É a realidade - o um sem um segundo. É pura consciência, livre de qualquer mácula. É a própria serenidade. Não tem começo nem fim. Não conhece mudanças. É alegria eterna.

Brahman transcende a aparência do múltiplo, criado por Maya. É eterno, perpetuamente fora do alcance da dor; é indiviso, imensurável, sem forma, sem nome, indiferenciado, imutável. Ele brilha com a Sua própria luz. Está em todas as coisas que podem ser conhecidas neste universo.

Os videntes iluminados O percebem como a realidade suprema, infinita, absoluta, sem partes - a pura consciência. E n'Ele descobrem que o conhecedor, o conhecimento e a coisa conhecida se tornam unos.

Eles O conhecem como a realidade que não pode ser rejeitada (já que Ele está sempre presente na alma humana) nem aprendida (já que ele está além da mente e da palavra). Sabem que Ele é imensurável, sem princípio, sem fim, supremo em Sua Glória. Eles compreendem a verdade: "Eu sou Brahman".


IN: A Jóia Suprema do Discernimento, Shankara.

sábado, 16 de junho de 2012

O Karma




O Karma é apenas um armazém de energias não utilizadas, de desejos não realizados, e medos não compreendidos. O armazém está sendo continuamente alimentado com novos desejos e medos. Não precisa ser assim para sempre. Compreenda a causa raiz dos seus medos - o estranhamento de si mesmo; e dos desejos - a ânsia pelo Self, e seu Karma se dissolverá como um sonho.

Não há etapas para a realização. Não há nada gradual sobre ela. Ela acontece repentinamente e é irrevogável. Você entra em uma nova dimensão, vistas a partir da qual as anteriores são meras abstrações. Assim como no nascer do sol você vê as coisas como elas são, da mesma maneira, na auto-realização você vê tudo como é. O mundo da ilusão é deixado para trás.

O mundo que você pode perceber é um mundo muito pequeno de fato. E é totalmente privativo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Ilusão das Cidades Espirituais (E outras ilusões) Parte III




Um grupo de pesquisadores realizou um estudo no qual mostravam às pessoas um baralho. Contudo em cada uma das cartas havia um erro, algo diferente do normal. O quatro de paus era vermelho, o cinco de ouros tinha seis de ouros. O procedimento consistia em mostrar as cartas às pessoas e perguntar-lhes o que estavam vendo.

Vocês acham que as pessoas ficaram surpresas ao ver essas cartas cheias de erros óbvios ? Não, porque não notaram. Quando se pedia para descreverem as cartas que viam as pessoas respondiam que estavam olhando para um cinco de ouros ou para um quatro de paus. Elas não faziam qualquer menção ao fato de haver erros nas cartas.

Por que isso acontecia ? Porque aquilo que vemos não depende apenas do que se encontra realmente à nossa frente, mas também daquilo que estamos procurando - nossas expectativas, nossos pressupostos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que é a Consciência Pura ou Ser - Eckhart Tolle



Consciência Pura = Ser = Atman = Brhaman = Self, ou se preferirem, Deus...





COMPREENDER A CONSCIÊNCIA PURA





Pergunta: A presença é a mesma coisa que o Ser?




Eckhart Tolle: Quando você se torna consciente do Ser, aquilo que acontece realmente é que o Ser se torna consciente de si próprio. E quando o Ser se torna consciente de si próprio, isso é presença. Já que o Ser, consciência e vida são sinónimos, poderemos dizer que a presença significa a consciência a tornar-se consciente de si própria, ou a vida a alcançar a autoconsciência. Mas não se apegue às palavras e não faça nenhum esforço para compreender isto. Não há nada que precise de compreender antes de se tornar presente.




Pergunta: Compreendo o que acaba de dizer, mas parece-me que isso significa que o Ser, a realidade transcendental última, ainda não está completo, está sujeito a um processo de desenvolvimento. Deus precisará de tempo para o crescimento pessoal?
Eckhart Tolle: Sim, mas apenas a partir da perspectiva limitada do Universo manifestado.


Na Bíblia, Deus declara: "Eu sou o Alfa e o Ómega e Eu sou Aquele que vive". No reino intemporal onde Deus vive, que é também o lugar a que você pertence, o princípio e o fim, o Alfa e o Ómega, são um só, e a essência de tudo o que é, sempre foi e sempre será está eternamente presente num estado não manifesto de unidade e perfeição – completamente para além daquilo que a mente humana pode sequer imaginar ou compreender. No nosso mundo de formas aparentemente separadas, a perfeição intemporal é um conceito inconcebível. Aqui até mesmo a consciência, que é a luz que emana da Fonte eterna, parece estar sujeita a um processo de desenvolvimento, mas isso deve-se à nossa percepção limitada. Em termos absolutos, não é assim. No entanto, deixe-me dizer mais algumas coisas acerca da evolução da consciência neste mundo.




Tudo o que existe possui o Ser, possui a essência divina, possui um determinado grau de consciência. Até mesmo uma pedra possui uma consciência rudimentar, pois, se assim não fosse, ela não existiria e os seus átomos e moléculas dispersar-se-iam. Tudo está vivo. O Sol, a Terra, as plantas, os animais, os seres humanos – todos são uma expressão da consciência em vários graus, a consciência manifestando-se como forma.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fundamentos Epistemológicos da Filosofia Vedanta - Shankara





A meta suprema

pode-se objetar que a filosofia Vedanta, a exemplo de qualquer outro sistema de pensamento religioso, assenta numa hipótese central.


Certamente, a meta suprema da vida é conhecer Brahman - se é que Brahman existe. Mas podemos ter certeza disso? Não é possível que não exista nenhuma realidade subjacente no universo? Não é possível que esta vida não passe de um fluxo desprovido de significação, que morre e se transforma, em perpétua mudança?


O que mais nos atrai no Vedanta é sua abordagem não-dogmática, seu enfoque experimental da verdade. Shankara não nos diz que devemos aceitar a existência de Brahman como um dogma antes de podermos ingressar na vida espiritual. Não - ele nos convida a descobrirmos por nós mesmos.

Nada - nenhum mestre, nenhuma escritura - pode fazer esse trabalho por nós. Mestres e escrituras são apenas estímulos para o esforço pessoal. Mas, como tais, eles podem ser admiráveis. Imagine que esta é uma ação judicial e que você é o juiz. Procure ouvir imparcialmente as testemunhas de ambos os lados.

Considere as testemunhas a favor de Brahman - os videntes e os santos que afirmam ter conhecido a Realidade eterna. Examine suas personalidades, suas palavras, as circunstâncias de suas vidas. Pergunte a si mesmo: esses homens são mentirosos, hipócritas ou insanos, ou estão falando a verdade? Compare as grandes escrituras do mundo e pergunte: elas se contradizem umas às outras ou estão de acordo?

domingo, 3 de junho de 2012

Carta ao Buscador de Deus




Por Coronel
http://obuscadordedeus.blogspot.com.br/

ESCLARECIMENTOS iniciais:
 
Este texto e outros que virão parecerão insossos, sem objetividade e que não explicam a razão da perda de tempo em lê-los. Mas, com o continuar da leitura, você poderá perceber os motivos porque estão aqui.


Sugiro que, antes de lê-los, abandone todos os preconceitos sobre a vida, as crenças, as coisas novas etc. Se não fizer isso, é provável que nem aceite o que eles contêm. Todos nós nos dedicamos àquilo que julgamos ser o certo ou ‘o melhor’ e não desejamos perder tempo com outras coisas. Mas, o que consideramos ser o melhor será, com toda certeza, ‘o melhor’?


Outra coisa: se você está satisfeito com o que a vida é para você e os seus; se compreende porque sofremos; não tem problemas fisiológicos, psicológicos ou existenciais; não se interessa em acabar com as dúvidas ou acha que não têm mais dúvidas a resolver, nem leia o que aqui vai escrito, que isso poderá até perturbá-lo. Mas não se esqueça do conselho de Paulo: “Estudai de tudo e guardai o que for bom”.


Os textos não se referem exatamente a religiões, mas guardam relações com elas; e como entre nós a mais disseminada é o cristianismo, as citações apresentadas, em geral, se ligam a ele.
Leia com calma; use a atenção, questionando sempre e com vontade de compreender.

Se você não compreende esta vida tão cheia de problemas e incertezas, mas tem uma mente questionadora e está interessado em buscar respostas para tantas dúvidas que temos sobre a vida, a morte, por que estamos aqui, a razão do sofrimento etc. respostas que, pelo que parece, nem a ciência, nem qualquer crença, religião, psicologia ou filosofia ocidentais nos dão de modo que nos deixem definitivamente sem quaisquer dúvidas, talvez porque nem elas as conheçam integralmente, leia os textos que aí vão. Neles não estão as respostas, mas está indicado o caminho para encontrá-las e para, eventualmente, levar você a um objetivo maior: ‘àquilo’ a que damos o nome de Deus.



Da Ilusão das Cidades Espirituais - parte II



Por Anton Kiudero

O mundo dos espíritos humanizados sem carne é um mundo bom para seres humanos. É porque ele contém tudo aquilo de que você gosta hoje. Tudo o que você gosta tem lá. Agora quem vai para lá, volta à encarnar em mundo de prova e expiação. Acontece que a próxima encarnação para prova e expiações não será mais neste planeta.

Quem sair da carne nesse momento não vai poder continuar a encarnação no planeta Terra, pois este planeta vai elevar-se. Quando se encerrar o processo de transição planetária, a Terra vai receber espíritos em regeneração e não mais em prova e expiação. Quem estiver em prova e expiação vai para outro planeta. Quem vai para as “cidades espirituais” é quem for humano. Isso porque as cidades espirituais são o mundo dos humanos sem carne.

No entanto, se você teve uma vida liberta da materialidade, se não depende mais da materialidade para ser feliz, vai para outro lugar. Agora, se ainda precisa da materialidade para ser feliz, vai para onde está a matéria. Por isso nas cidades espirituais tem tudo o que temos aqui e de que gostamos, porque são criadas a imagem e semelhança da Terra. Essas cidades não foram criadas por alguma entidade superior, foram plasmadas por nós. Foram plasmadas pelos espíritos que precisam dessa forma.




sábado, 2 de junho de 2012

Explicação da Parábola da Ovelha Perdida





Por Monstrinho  


No Evangelho de Tomé, encontramos essa parábola da seguinte forma: uma ovelha sai do rebanho, e o pastor, larga as outras 99 sozinhas e vai atrás da que se perdeu. "Ora - dirão - mas que parábola mais estúpida". Não seria uma burrice um pastor deixar ao relento 99 ovelhas - que poderiam ser presas de animais selvagens, ladrões, etc - para socorrer apenas uma única?

Mas toda parábola tem um sentido oculto: Jesus escolhe a ovelha e não outro animal para contar essa parábola, por que? Por que as ovelhas têm um instinto de rebanho, ou seja, se uma pula a cerca, a outra também pula; se uma sai correndo, todas saem correndo atrás. Não é como o ser humano que, se vê um estuprador sendo apedrejado vai lá e também apedreja? Não é como o ser humano - plenamente socializado - que, quando passa um transexual na rua ou um gay, fazendo trejeitos de mulher, ri, mas seu riso não é espontâneo, mas ri, de acordo com o costume já estabelecido de rir, fazer chacota desse tipo de pessoas? Não é como aquelas pessoas pobres, que criticam os avarentos, mas por 10 reais ou por coisa nenhuma, sempre estão no Poupa tempo, no advogado para processar fulano e sicrano? Pq fazem isso senão porque a sociedade lhes ensinou que é feio perder e bonito ganhar??

A sociedade é pois o rebanho e seus membros, as ovelhas, por isso que Jesus não está nem aí para as "ovelhas que têm instinto de rebanho"; ou como diz Allan Kardec, os Espíritos Superiores só assistem os que realmente estão voltados para o lado espiritual, e não para os hipócritas que, em empunhando a bandeira do Cristo, estão preocupados não só com o que vão comer e vestir amanhã, mas sobretudo COMO vão comer e se vestir.