segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dos Objetivos da Reencarnação



Por Anton Kiudero


Você é o espírito e não quem pensa ser. “Quem pensa ser” é apenas um personagem criado pela mente durante o sonho. Você é o espírito, mas não consegue ter consciência disso porque está sonhando que é o personagem humano que está vivenciando.

Assim sendo todo o seu trabalho em todas as suas encarnações jamais é feito em prol de outra pessoa mas apenas em prol de si mesmo. E o trabalho não é pela elevação do espirito mas pelo despertamento do sonho em que você se encontra desde o seu nascimento.

Todo espírito nasce puro e ignorante, como diz o Espírito da Verdade. Este ignorante é no sentido de ignorar, de não conhecer. Ignorar o que? O que um bebê ou uma criança ignora?


Qual é o mundo de uma criança? A sua família: pai, mãe, irmãos e agregados. Aquele núcleo é o Universo para a criança. Para ela não existem países ou cidades. O seu mundo resume-se naqueles com quem ela convive diariamente.

Assim como a criança que ignora todo o mundo que a cerca, o espírito ignora o Universo. Ele ignora a sua posição e como este Universo se relaciona. Ele precisa aprender isso.


terça-feira, 22 de maio de 2012

História da Filosofia Oriental - A História de Buddha e os Fundamentos do Budismo






O fundamento histórico



A história de Buddha, pode-se dizer, não é um mito. Na verdade é possível

desemaranhar da lenda de Buddha, assim como da história de Cristo, um núcleo de fato

histórico. Fazer isso e demonstrar claramente seu preceito tem sido uma grande

realização do ensino oriental durante o último meio século. Aqui, entretanto, iremos nos

preocupar com toda a história mítica de Buddha, tal como esta é relatada em vários

trabalhos que não são, estritamente falando, históricos mas têm um inquestionável valor

literário e espiritual. Antes, porém, de começarmos a expor o mito de Buddha

sintetizaremos seu núcleo histórico, até onde é possível determiná-lo, e explicaremos

uma parte de suas doutrinas.


domingo, 20 de maio de 2012

"Pensar é não ver"





O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...


O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...


Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...


Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quem Sou Eu?


O pensamento-eu é a fonte de todos os pensamentos.

A mente só vai se dissolver através da autoinvestigação "Quem sou eu?". O pensamento "Quem sou eu?" destruirá todos os outros pensamentos e depois destruirá a si mesmo também. Se outros pensamentos surgirem, devemos perguntar a quem esses pensamentos ocorrem, sem tentar completá-los. Que importa quantos pensamentos surgem? Na medida em que cada pensamento surgir, devemos estar vigilantes e perguntar para quem ele ocorre. A resposta será "para mim".

Se você perguntar "quem sou eu?", a mente então voltará à sua Fonte. O pensamento que surgiu também desaparecerá. À medida que você praticar dessa forma mais e mais, o poder da mente de permanecer em sua Fonte aumentará.

Embora os apegos sensoriais, antigos e imemoriais, possam surgir sob forma de incontáveis tendências mentais, assim como as ondas surgem no mar, todos eles serão destruídos na medida em que a meditação avançar. Devemos nos agarrar sem cessar à meditação do Ser, sem duvidar da possibilidade de erradicar todas essas tendências e de só o Ser permanecer. Por mais pecadora que uma pessoa possa ser, se ela parar de se lamentar "Ai de mim que sou um pecador! Como posso eu alcançar a libertação?" e, abandonando até mesmo o pensamento de que é pecadora, se dedicar zelosamente à autoinquirição, ela com certeza realizará o Ser (Atman).

Xamanismo: o poder do guerreiro



A autoconfiança do guerreiro não é a autoconfiança do homem comum. O homem comum procura certeza nos olhos do observador e chama a isso autoconfiança. O guerreiro procura impecabilidade aos próprios olhos e chama a isso humildade. O homem comum está preso aos seus semelhantes, enquanto o guerreiro só está preso ao infinito.

Há muitas coisas que um guerreiro pode fazer, em determinado momento, que não poderia ter feito anos antes. Essas coisas não mudaram; o que mudou foi a idéia do guerreiro sobre si mesmo.

O diálogo interno é o que prende as pessoas no mundo cotidiano. O mundo é assim e assado, desta ou daquela maneira, só porque dizemos a nós mesmos que ele é assim e assado, desta ou daquela maneira. A passagem para o mundo dos xamãs se abre depois que o guerreiro aprendeu a silenciar seu diálogo interno.

Mudar nossa idéia sobre o que é o mundo é o ponto crucial do xamanismo. E parar o diálogo interno é o único meio de conseguir isso.

Quando o guerreiro aprende a parar o diálogo interno, tudo se toma possível; as coisas mais difíceis podem ser alcançadas.

Um guerreiro aceita seu destino, seja ele qual for, e o aceita na mais total humildade. Aceita com humildade aquilo que ele é, não como fonte de remorsos, mas como um desafio vivo.

A humildade de um guerreiro não é a humildade de um mendigo. O guerreiro não curva a cabeça para ninguém, mas, ao mesmo tempo, não permite que ninguém curve a cabeça para ele. O mendigo, por sua vez, cai de joelhos por qualquer coisa e lambe o chão para qualquer um que considere seu superior; mas, ao mesmo tempo, exige que alguém supostamente inferior lamba o chão para ele.


domingo, 13 de maio de 2012

Como sair da Roda do Samsara II




Por Máscaras de Deus

A busca não logra êxito para a maioria dos buscadores, por um erro crasso de concepção: Deus deveria existir para que trousesse justiça e felicidade na Terra, e contudo, o que vemos é precisamente o oposto.

Como, pois, conciliar a idéia de um Deus justo, bom, sábio e onipotente com a existência do mal no mundo? Não é essa a questão - a única que realmente interessa -que inutilmente todas as religiões e religiosos tentam responder? Se Deus é perfeito, e tudo é criação sua, como Ele pôde criar algo imperfeito como o ser humano? Não é contraditório? :roll: Algo não se coaduna com o bom senso: vamos supor apenas que Deus seja onisciente. Ora, se ele cria o homem, então sabe de antemão que o homem vai errar, que vai fazer o mal, e no entanto, por que permite? Não seria como o fabricante de brinquedos que, mesmo sabendo que o brinquedo apresentará problemas e poderá machucar e ferir as crianças, mesmo assim vai lá e fabrica? Quando o brinquedo quebra e machuca a criança, a culpa é de quem? Do brinquedo ou do fabricante?

As religiões dualistas - todas - dizem que a culpa é do brinquedo. Ora, supondo que esse fabricante de brinquedos seja perfeito, incapaz de produzir um brinquedo com problemas, como se poderá supor que de suas mãos saia um brinquedo defeituoso? A resposta das religiões dualistas é que o brinquedo sai perfeito das mãos do fabricante, mas com o tempo ele vai ficando imperfeito.

Como surge essa imperfeição? Segundo a Doutrina Espírita, surge a partir do exercício do livre-arbítrio. O homem - o brinquedo - tinha saído perfeito das mãos do criador ("simples e ignorante"), mas, com o tempo, devido ao uso do livre-arbítrio, ele escolheu entre o bem e o mal, e preferiu o mal.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Você e Deus - Você é Deus



Por Coronel

       Você, eu e Deus somos uma só mente. Deus e sua alma são uma coisa só. Esta é a visão da ciência moderna e, também, a visão de todo misticismo ocidental e oriental e de Jesus e Paulo.

FÍSICOS QUÂNTICOS:
“Embora seja mais fácil acreditar que, em nosso planeta, há 5 bilhões de mentes separadas e individuais, do que acreditar que só existe uma mente não-localizada manifestando-se através de todas as diferentes pessoas, ou de todos os seres sencientes, a ciência moderna leva-nos na direção de uma mente não-localizada, universal ou grupal; em suma, afirma que só há uma mente e que somos essa mente, o que a aproxima da concepção de Deus.




quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Ilusão das Cidades Espirituais



Por Monstrinho

Um mundo à imagem e semelhança da razão


Durante muitos séculos, desde os matemáticos gregos, houve um enaltecimento da matemática, e particularmente da Geometria como a “ciência dos deuses”, no sentido de que, o mundo celeste para os pitagóricos e seus sucedâneos, era composto de figuras geométricas perfeitas. De Platão a Galileu, acreditou-se no dogma do círculo perfeito, até Johannes Kepler demonstrar que os planetas descrevem órbitas elípticas e não circulares, em torno do Sol.


Assim, durante séculos acreditou-se que a “natureza é o livro de Deus”, e que ele está escrito em caracteres matemáticos. Hoje, contudo, sabemos que, mesmo a Terra não é uma esfera perfeita, ela é achatada nos polos, e no mundo celeste não foi encontrado até hoje um único objeto que tenha uma forma geométrica perfeita.


Então, fica fácil compreender o raciocínio elaborado sobre tal lógica: “Deus criou o universo matematicamente perfeito; ao filósofo natural – argumentavam – cabe ler o “livro de Deus”, que está escrito em caracteres matemáticos.