segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fundamentos da Filosofia Advaita-Vedanta




Que declaram os advaitistas? O seguinte: Se há um Deus, esse Deus deve ser ao mesmo tempo a causa material e eficiente do universo. Não só é o Criador, mas é também o criado. Ele próprio é este universo.

Como pode ser isso? Deus, o puro, o espírito, tornou-se universo? Sim, aparentemente é assim. Aquilo que todas as pessoas ignorantes vêem como universo, não existe, realmente. Que somos, vós e eu, e todas as coisas que vemos? Simples auto--hipnotismo. Não há senão uma Existência, a infinita, a sempre abençoada. Nessa Existência sonhamos todos esses vários sonhos. É o Atman[1] para além de tudo, o infinito, para além do conhecido, para além do conhecível, e através disso vemos o universo. Essa é a única realidade. Ela é esta mesa, é a parede, é tudo, menos o nome e a forma. Retirai a forma da mesa, retirai--lhe o nome, e o que permanecer será a mesa. O vedantista não diz "ele" ou "ela", pois essas são ilusões, ficções do cérebro humano. Não há sexo na alma. As pessoas que estão sob a ilusão, que se tornaram como que animais, vêem a mulher ou o homem. Deuses vivos não vêem homens nem mulheres. Como podem vê-los, eles que estão para além de tudo que tenha idéia de sexo? Tudo e todos são Atman, o Eu - assexuado, puro, sempre abençoado. O nome, a forma, o corpo, é que são materiais, e fazem toda essa diferença. Se retirardes essas duas diferenças de nome e forma, todo o universo é um. Não há dois, ma un,4 por toda a parte. Vós e eu somos um. Não há natureza, nem Deus, nem universo - apenas uma Existência infinita, da qual, através de nome e de forma, todas essas coisas são manufaturadas.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Ciência da Raja-Yoga - auto-realização através do domínio da Mente




Auto-Realização através do domínio da Mente
(Raja-Yoga)


Raja-Yoga é uma ciência como qualquer outra. É a análise da mente, um reunir de fatos do mundo supersensório, para assim se construir o mundo espiritual. Todos os grandes mestres espirituais que o mundo conheceu, disseram: "Vejo e sei". Jesus, Paulo, e Pedro, declararam todos sua percepção espiritual das verdades que ensinaram.

A percepção é obtida pela Yoga


Nem memória nem consciência podem ser a limitação da existência. Há um estado superconsciente. Tanto este como o estado inconsciente são privados de sensação, porém com uma enorme diferença entre si - a mesma diferença que existe entre o conhecimento e a ignorância. A concentração da mente é a fonte de todo o conhecimento.






quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ações da Consciência Universal - a vida humana é uma ilusão



A primeira conclusão a que chega Salomão quando fala de sua sabedoria é de que não existe novidade na vida de ninguém: tudo o que está ocorrendo já ocorreu algum dia. Para se referir dessa forma aos fatos da vida, certamente o Sábio tem que ter penetrado na essência dos acontecimentos.

 
Se um determinado empregado hoje foi demitido de uma empresa, para ele isso é novidade, mas se penetrarmos na essência da vida, o fato de não mais se precisar do trabalho de um empregado ocorre diariamente sobre o planeta. Uma mãe que gerou seu primeiro filho para ela é um fato novo, mas ela mesma já foi gerada um dia.

 
A essência dos acontecimentos está na natureza deles. Quando tal essência é aplicada na existência de um ser humano é particularizada com situações, personagens e histórias, mas não deixa de ser a mesma essência.

 
A conclusão de Salomão sobre os acontecimentos da vida (essências particularizadas) é importante para se compreender o Universo e sua ação: não existe novidade, mas sim particularizações de essências.

 
Além disso, ao abordar os acontecimentos do planeta, o Sábio faz questão de mostrar que eles não geram conclusões, mas tudo existe dentro de um ciclo infindável. O sol nasce e se põe apenas para nascer novamente; o vento rodopia pelos quatro cantos, mas acaba no mesmo lugar e todos os rios correm para o mar, mas esse nunca fica cheio, pois as águas voltam sempre para onde nasce o rio.

 
Juntando-se as duas informações podemos chegar à mesma conclusão que o Sábio sobre os acontecimentos da vida carnal: é tudo ilusão.

 
A situação da sua vida que você está passando agora não existe como a vê. Não existem os personagens envolvidos nela, não existe a trama que você está imaginando, mas apenas uma essência universal acontecendo. Da mesma forma, a sua reação não levará a nenhum lugar novo, pois não importa o que você faça, a ação universal já determinou o fim da situação.

 
Exemplifiquemos para melhor entendimento. O empregado que foi demitido é uma situação que não existe. Ele, quem decidiu pela sua demissão e os acontecimentos que aparentemente geraram o fato são ilusões. Na verdade ninguém perde trabalho, pois viver já é o trabalho do ser humanizado. As reações que o empregado pode ter (desespero, angústia, preocupação, satisfação) são também ilusões, pois não importa como ele reaja a essa ação universal, os próximos acontecimentos já estão programados pela própria ação universal.

 
Foi a essa conclusão que o Sábio chegou sobre a existência do ser humanizado: todos os acontecimentos são ilusões e qualquer reação a eles de nada adianta, pois existe uma ação universal que comanda todas as coisas.

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Louvado seja Deus que não sou bom...




Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.


E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.

(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu - não sofrerão.
Todo mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal. :o
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)

Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até as lágrimas),
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos duma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.

(
Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores

E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo
É essa a única missão no mundo,
Essa - existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.)

E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas o que tem com o poente quem odeia e ama? ::)

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) IN: O Guardador de Rebanhos

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Física Quântica e Misticismo: a existência humana como ilusão




FÍSICA QUÂNTICA: uma pálida idéia

- Um elétron pode estar em ‘mais’ de um lugar ao mesmo tempo; os experimentos da física moderna são inequívocos a esse respeito.


- A ciência clássica, cartesiana (anterior), desenvolveu-se de acordo com a suposição fundamental de que existe, fora do observador, uma realidade real, objetiva, que seria algo sólido, constituído de coisas que possuem atributos, como massa, peso, carga elétrica, momentum, posição no espaço, spin, inércia, energia, cor, existência contínua através do tempo, etc. No entanto, tais coisas e todo o universo, de acordo com a nova física, não existem sem que algo lhes perceba a existência; e esse algo é a mente de seres sencientes.


- É errado, por exemplo, supor que um elétron seja um pontinho imponderável de matéria; isso porque, em certas ocasiões, ele é uma nuvem composta de um número infinito de possíveis elétrons, ondulando como uma onda e capaz de mover-se em velocidades superiores à da luz, diferente do postulado de Einstein sobre a velocidade. Tais possíveis elétrons parecem uma única partícula somente quando os observamos.


- Resultados de observações sobre dois elétrons correlacionados, mesmo que separados por distâncias imensas, demonstram que forçosamente deve haver entre eles alguma conexão que permite que a comunicação entre eles se mova mais rápida que a luz. Como, conforme Einstein, nenhuma velocidade pode ser maior que a da luz (300 mil km por segundo) dentro do espaço-tempo, pode-se afirmar que essa comunicação ocorre além do espaço-tempo, logo no domínio do atemporal, no domínio transcendental (domínio de Deus).

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Naturalidade e Vacuidade: aprendendo a ser livre



Naturalidade - Vacuidade

"Momento após momento, cada um emerge do nada. Esta é a verdadeira alegria da vida."

Naturalidade

Há um grande mal-entendido sobre o que seja naturalidade. A maioria das pessoas que vem a nós, acredita em certa liberdade ou naturalidade, mas a concepção que elas têm nós denominamos de jinem ken gedo ou "naturalidade herética". Jinem ken gedo significa que não há necessidade de ser formal - uma espécie de "deixar o policiamento de lado" ou "ficar à vontade". Naturalidade é isso para a maior parte das pessoas.

Mas essa não é a naturalidade à qual nos referimos. É um pouco difícil de explicar, mas penso que naturalidade é um certo sentimento de ser independente de tudo, ou alguma atividade que não se baseia em coisa alguma. Naturalidade é algo que emerge do nada, como uma semente ou planta brotando do solo. A semente não tem a menor idéia de ser uma determinada planta, mas tem forma própria e está em perfeita harmonia com o solo, com o ambiente. Com o decorrer do tempo, à medida que cresce, expressa sua natureza. Nada existe sem forma e cor; tudo tem alguma forma e cor. E ambas estão em perfeita harmonia com os outros seres, sem problema. Eis o que queremos dizer por naturalidade.

Para uma planta ou uma pedra, ser natural não é problema. Mas, para nós, há algum problema; de fato, um grande problema. Ser natural é algo pelo qual temos que trabalhar. Quando o que você faz emerge do nada, você experimenta um sentimento inteiramente novo. Por exemplo: naturalidade é comer quando se está com fome. Você se sente natural ao fazê-lo. Mas, quando se tem expectativas demais, comer algo não é natural. Você não tem um sentimento novo. Você não o aprecia.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O essencial é saber ver





O que nós vemos das coisas são as coisas.
Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?


O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.


Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender

E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O que é o ego? Como ele é construído socialmente?




 O ego é esse eu criado socialmente, esse eu alienado (Alienado = "fora de si", "inconsciente"), que é produzido pela cultura. Como tal, ele é um eu simbólico. Ele é simbólico porque é criado à imagem e semelhança dos valores ideológicos dominantes, e assim, o ego - na sua totalidade corpo/mente de um ponto de vista não dual - é como se fosse um hardware em que é instalado softwares ou programas, que não são senão as programações que dizem o que ele é, o que ele deve tornar-se, como ele deve comportar-se, do que ele deve gostar, o que ele deve almejar na vida, o que ele deve desprezar e repudiar, o que ele deve amar e odiar, como ele deve agir, porque ele deve consumir e também, o porquê dele dever sempre buscar a riqueza e evitar a pobreza; buscar a fama e fugir da infâmia; buscar ser feliz e evitar a todo custo ser infeliz; buscar ser amado e evitar ser detestado e assim por diante.

E, assim, a ideologia dominante coloca o ego no banco dos réus: o ego será culpado pela sociedade toda vez que, não somente não seguir, mas não atingir aqueles objetivos colocados como os primários e legítimos pela sociedade como tornar-se rico, culto, inteligente, querido, triunfante, bem quisto socialmente e etc.



terça-feira, 31 de julho de 2012

Bhagavad Gita - Libertando-se das atividades fruitivas




47.Tens direito de executar teu dever prescrito, mas não podes exigir os
frutos da ação. Jamais te consideres a causa dos resultados de tuas
atividades
, e jamais te apegue ao não-cumprimento do teu dever.

48.Desempenhe teu dever com equilíbrio, ó Arjuna, abandonando todo o
apego a sucesso ou fracasso
. Essa equanimidade chama-se yoga.

49.Ó Dhanañjaya, através do serviço devocional, mantém todas as atividades
abomináveis bem distantes, e com esta consciência, rende-te ao Senhor.
Aqueles que querem gozar o fruto de seu trabalho são mesquinhos.

50.Um homem ocupado em serviço devocional livra-se tanto das boas quanto
das más ações
, mesmo nesta vida. Portanto, empenha-te na yoga, que é a
arte de todo o trabalho.

51.Ocupando-se nesse serviço devocional ao Senhor, grandes sábios ou
devotos livram-se dos resultados do trabalho no mundo material. Desse
modo, eles transcendem ao ciclo de nascimentos e morte e passam a viver
além de todas as misérias.

52.Quando tua inteligência tiver cruzado a densa floresta da ilusão, tornar-teás
indiferente a tudo o que se ouviu e a tudo o que se há de ouvir.

53.Quando tua mente deixar de perturbar-se pela linguagem florida dos
Vedas, e quando se fixar no transe da auto-realização, então terás
atingido a consciência divina.

sábado, 14 de julho de 2012

Gato Ritual - complicando o que é simples



Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os distraía. Então o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna. Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação. E quando o gato eventualmente morreu, outro gato foi trazido para o Monastério e amarrado. Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação...

sábado, 7 de julho de 2012

Paulo de Tarso e sua concepção monista de Deus




A "igreja" e o corpo de Cristo (1 Coríntios 12, 12-27)


Pois, assim como o corpo é um só, embora tendo muitos membros; e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo; assim também Cristo (ou Deus).

 


De facto, fomos todos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo — judeus ou gregos, escravos ou livres  — e a todos foi dado a beber um único Espírito.

O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. Se o pé dissesse: «Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo»; nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. E se o ouvido dissesse: «Uma vez que não sou o olho, não faço parte do corpo»; nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde ficaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde ficaria o olfacto? Deus, porém, dispôs os membros no corpo, cada um conforme lhe aprouve.



Se todos fossem um único membro, onde estaria o corpo? Com efeito, existem muitos membros, mas um só corpo.



Não pode, pois, o olho dizer à mão: «Não tenho necessidade de ti»; nem tão pouco a cabeça dizer aos pés: «Não tenho necessidade de vós».



Pelo contrário, quanto mais fracos parecem ser os membros do corpo, tanto mais são necessários; e aqueles que parecem ser os menos dignos do corpo, a esses rodeamos de maior dignidade; e aqueles que são menos decentes, nós os tratamos com mais decoro, pois os que são decentes, não têm necessidade disso.



Mas Deus dispôs o corpo, de modo a dar maior dignidade ao que dela carecia, a fim de não haver divisão no corpo e os membros terem a mesma solicitude uns para com os outros.



Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria.
     
Ora vós sois o corpo de Cristo e seus membros, cada um pela sua parte.
 
 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Você não é os seus sentimentos e pensamentos




Sem Problema


Um praticante Zen foi à Bankei e fez-lhe esta pergunta, aflito:

"Mestre, Eu tenho um temperamento irascível. Sou às vezes muito agitado e agressivo e acabo criando discussões e ofendendo outras pessoas. Como posso curar isso?"

"Tu possuis algo muito estranho," replicou Bankei. "Deixe ver como é esse comportamento."

"Bem... eu não posso mostrá-lo exatamente agora, mestre," disse o outro, um pouco confuso.

"E quando tu a mostrarás para mim?" perguntou Bankei.

"Não sei... é que isso sempre surge de forma inesperada," replicou o estudante.
"Então," concluiu Bankei, "essa coisa não faz parte de tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasse. Quando tu nasceste não a tinhas, e teus pais não a passaram para ti. Portanto, saibas que ele não existe."

IN: Koans e Contos Zen

terça-feira, 3 de julho de 2012

O que é a reencarnação?



Deus criou os espíritos, que precisavam de um meio para evoluir. Desta forma, o Criador gerou uma espécie de jogo virtual, que poderíamos chamar de "As Aventuras no Mundo Material". Este jogo está instalado em um Mainframe (computador central), ao qual estão conectados vários terminais individuais, cada um dentro de uma cabine.

Entrar em uma cabine e jogar este jogo é "encarnar". Antes de cada encarnação, Deus permite ao espírito escolher uma "personalidade" e um "tipo de aventura", com os quais ele participará do jogo, interagindo com outros jogadores. Feita a escolha, Deus determina o período de jogo (que é o tempo que o espírito permanecerá naquela encarnação) e insere a programação escolhida. O espírito entra na cabine (nasce no mundo carnal) e começa a jogar. Dentro do jogo, o espírito assumirá a personalidade que escolheu e se deparará com os tipos de aventura solicitados.

Então, a vida carnal nada mais é que viver uma ilusão, assim como acontece quando assumimos, por exemplo, a personalidade de um "guerreiro medieval" e enfrentamos dragões em um jogo qualquer do PlayStation. Nas "Aventuras no Mundo Material", o objetivo é fazer o espírito vivenciar fatos fictícios e ilusórios, juntamente com outros encarnados, para que possa desenvolver suas emoções e sentimentos.

Assim, a vida material, como dito, é uma ilusão. No jogo, não há livre-arbítrio, mas apenas a obrigação de jogá-lo conforme as regras, para que o espírito evolua seu íntimo. Na verdade, a única escolha real que o espírito pode fazer enquanto joga é aceitar (ou não) que sua verdadeira existência e seu verdadeiro "eu" só são vivenciados do lado de fora da cabine, no plano espiritual, local em que ele possuirá novamente o livre-arbítrio para escolher de que forma jogará o próximo jogo.

Com a visão certa durante o jogo, o espírito não se comportará como se aquela aventura virtual fosse a verdade, passando a agir com tranqüilidade, com a mente no plano espiritual e procurando ajudar os outros jogadores a vencer seus obstáculos. Este tipo de atitude demonstra que o jogador entendeu que o jogo é apenas uma ferramenta de evolução, não um lugar onde se conquistas coisas, já que as coisas deste lugar nem existem de verdade.

Os jogadores que ficarem muito viciados, deixando que suas mentes se tornem materialistas, correm o risco de voltar para o plano espiritual e não o reconhecer, estendendo a ilusão do jogo para o além-túmulo.


http://www.forum.clickgratis.com.br/portalespirito/t-79_s-90.html?postdays=0&postorder=asc


terça-feira, 26 de junho de 2012

Xamanismo e Espiritualismo: os comandos da Águia






Cinco Proposições Explicativas - Dom Juan/C. Castañeda

1 — O que percebemos como mundo são os comandos da Águia.

Dom Juan explicou que o mundo que percebemos não tem existência transcendental. Nossa familiaridade com ele nos leva a acreditar que o que percebemos é um mundo de objetos existentes como os percebemos, quando na verdade não há um mundo de objetos, mas sim um universo dos comandos da Águia.

Esses comandos representam a única realidade imutável. É uma realidade que engloba tudo o que existe, o perceptível e o não-perceptível, o conhecível e o não conhecível.

Os observadores que vêem as emanações da Águia chamam-nas de comandos por causa da sua força compulsória. Todas as criaturas vivas são compelidas a usar as emanações, e usam-nas sem nunca saberem o que elas significam. O homem padrão interpreta-as como realidade. E os observadores que vêem as emanações interpretam-nas como o regulamento.
Apesar dos observadores verem as emanações, não há um meio deles saberem o que estão vendo. Ao invés de entrarem em conjeturas supérfluas, entram numa especulação funcional de como os comandos da Águia podem ser interpretados. Dom Juan insistia em dizer que ao intuirmos uma realidade que transcende o mundo percebemos remanescentes a nível de conjeturas, não é suficiente resumir que os comandos da Águia são percebidos de uma vez só por todas as criaturas vivas da terra e que não há uma criatura que perceba igual à outra. Os guerreiros devem ter como objetivo presenciar o fluxo das emanações e ver como o homem e os outros seres vivos usam-nas para construir seu mundo perceptível.

Quando eu propus o uso da palavra “descrição” em vez de comandos da Águia, Dom Juan esclareceu que não estava construindo uma metáfora. Disse que a palavra “descrição” tem uma conotação de concordância do homem, e que o que percebemos deriva de um comando no qual a concordância do homem é deixada de fora.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pós-Modernismo e Filosofia Oriental: o declínio da razão, dos valores e instituições ocidentais




 O QUE É PÓS-MODERNO


(trechos do livro: O que é pós-moderno, Jair Ferreira dos Santos, Ed. Brasiliense, 1987)


(sublinhado, subtítulos e seleção dos trechos: Laerte Moreira dos Santos)





Ora, o barato de alguns (não todos) filósofos pós-modernos é que eles não querem restaurar os valores antigos, mas desejam revelar sua falsidade e sua responsabilidade nos problemas atuais. Para isso, eles lutam em duas frentes:


1)Desconstrução dos princípios e concepções do pensamento ocidental __ Razão, Sujeito, Ordem, Estado, Sociedade etc. - promovendo a crítica da tecnociência e seu casamento com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, que resultou no tão amaldiçoado Sistema.

2)Desenvolvimento e valorização de temas antes considerados menores ou marginais em filosofia: desejo, loucura, sexualidade, linguagem, poesia, sociedades primitivas, jogo, cotidiano - elementos que abrem novas perspectivas para a liberação individual e aceleram a decadência dos valores ocidentais.


Para essa guerra, filósofos pós-modernos, tais como Jacques Derrida, Gilles Deleuze, François Lyotard, Jean Baudrillard, foram buscar armas em vários arsenais. Num pensador maldito - Nietzsche - o primeiro a desconstruir os valores ocidentais; na Semiologia, pois atacam as sociedades pós-industriais baseadas na informação, isto é, no signo; e no ecletismo Marx com Freud, fundindo aspectos pouco conhecidos de suas obras. Esse pim-pam-pum de idéias no fliperama digital do nada é interessante. (pág. 73-74)


Pós-modernismo e Pós-Estruturalismo

terça-feira, 19 de junho de 2012

A Prática do Zen - Praticando nas relações sociais, conjugais e familiares





A mente do passado é inapreensível;

A mente do futuro é inapreensível;

A mente do presente é inapreensível.

(Sutra Diamante)



O que é tempo? Existe tempo? O que podemos dizer a respeito de nossa vida

cotidiana em relação ao tempo, ao não-tempo, ao não-ser? O que podemos aprender

a respeito dos relacionamentos sobre esse não-tempo, não-ser?



Costumamos pensar que uma dharma palestra, um concerto, ou qualquer

acontecimento da vida tem um começo, um meio e um fim. Mas se, a qualquer

instante desta palestra, por exemplo, eu parar, onde estarão as palavras que acabei

de pronunciar? Elas simplesmente não existem. Se eu parar em algum momento

posterior, onde estarão as palavras que terão sido ditas até aquele minuto? Não

existem. E quando a palestra estiver encerrada, onde estará a palestra? Não há

palestra. Só restam traços de memória em nossos cérebros. E essa memória, seja lá o


Eu Sou Brahman





Brahman é supremo. É a realidade - o um sem um segundo. É pura consciência, livre de qualquer mácula. É a própria serenidade. Não tem começo nem fim. Não conhece mudanças. É alegria eterna.

Brahman transcende a aparência do múltiplo, criado por Maya. É eterno, perpetuamente fora do alcance da dor; é indiviso, imensurável, sem forma, sem nome, indiferenciado, imutável. Ele brilha com a Sua própria luz. Está em todas as coisas que podem ser conhecidas neste universo.

Os videntes iluminados O percebem como a realidade suprema, infinita, absoluta, sem partes - a pura consciência. E n'Ele descobrem que o conhecedor, o conhecimento e a coisa conhecida se tornam unos.

Eles O conhecem como a realidade que não pode ser rejeitada (já que Ele está sempre presente na alma humana) nem aprendida (já que ele está além da mente e da palavra). Sabem que Ele é imensurável, sem princípio, sem fim, supremo em Sua Glória. Eles compreendem a verdade: "Eu sou Brahman".


IN: A Jóia Suprema do Discernimento, Shankara.

sábado, 16 de junho de 2012

O Karma




O Karma é apenas um armazém de energias não utilizadas, de desejos não realizados, e medos não compreendidos. O armazém está sendo continuamente alimentado com novos desejos e medos. Não precisa ser assim para sempre. Compreenda a causa raiz dos seus medos - o estranhamento de si mesmo; e dos desejos - a ânsia pelo Self, e seu Karma se dissolverá como um sonho.

Não há etapas para a realização. Não há nada gradual sobre ela. Ela acontece repentinamente e é irrevogável. Você entra em uma nova dimensão, vistas a partir da qual as anteriores são meras abstrações. Assim como no nascer do sol você vê as coisas como elas são, da mesma maneira, na auto-realização você vê tudo como é. O mundo da ilusão é deixado para trás.

O mundo que você pode perceber é um mundo muito pequeno de fato. E é totalmente privativo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Ilusão das Cidades Espirituais (E outras ilusões) Parte III




Um grupo de pesquisadores realizou um estudo no qual mostravam às pessoas um baralho. Contudo em cada uma das cartas havia um erro, algo diferente do normal. O quatro de paus era vermelho, o cinco de ouros tinha seis de ouros. O procedimento consistia em mostrar as cartas às pessoas e perguntar-lhes o que estavam vendo.

Vocês acham que as pessoas ficaram surpresas ao ver essas cartas cheias de erros óbvios ? Não, porque não notaram. Quando se pedia para descreverem as cartas que viam as pessoas respondiam que estavam olhando para um cinco de ouros ou para um quatro de paus. Elas não faziam qualquer menção ao fato de haver erros nas cartas.

Por que isso acontecia ? Porque aquilo que vemos não depende apenas do que se encontra realmente à nossa frente, mas também daquilo que estamos procurando - nossas expectativas, nossos pressupostos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que é a Consciência Pura ou Ser - Eckhart Tolle



Consciência Pura = Ser = Atman = Brhaman = Self, ou se preferirem, Deus...





COMPREENDER A CONSCIÊNCIA PURA





Pergunta: A presença é a mesma coisa que o Ser?




Eckhart Tolle: Quando você se torna consciente do Ser, aquilo que acontece realmente é que o Ser se torna consciente de si próprio. E quando o Ser se torna consciente de si próprio, isso é presença. Já que o Ser, consciência e vida são sinónimos, poderemos dizer que a presença significa a consciência a tornar-se consciente de si própria, ou a vida a alcançar a autoconsciência. Mas não se apegue às palavras e não faça nenhum esforço para compreender isto. Não há nada que precise de compreender antes de se tornar presente.




Pergunta: Compreendo o que acaba de dizer, mas parece-me que isso significa que o Ser, a realidade transcendental última, ainda não está completo, está sujeito a um processo de desenvolvimento. Deus precisará de tempo para o crescimento pessoal?
Eckhart Tolle: Sim, mas apenas a partir da perspectiva limitada do Universo manifestado.


Na Bíblia, Deus declara: "Eu sou o Alfa e o Ómega e Eu sou Aquele que vive". No reino intemporal onde Deus vive, que é também o lugar a que você pertence, o princípio e o fim, o Alfa e o Ómega, são um só, e a essência de tudo o que é, sempre foi e sempre será está eternamente presente num estado não manifesto de unidade e perfeição – completamente para além daquilo que a mente humana pode sequer imaginar ou compreender. No nosso mundo de formas aparentemente separadas, a perfeição intemporal é um conceito inconcebível. Aqui até mesmo a consciência, que é a luz que emana da Fonte eterna, parece estar sujeita a um processo de desenvolvimento, mas isso deve-se à nossa percepção limitada. Em termos absolutos, não é assim. No entanto, deixe-me dizer mais algumas coisas acerca da evolução da consciência neste mundo.




Tudo o que existe possui o Ser, possui a essência divina, possui um determinado grau de consciência. Até mesmo uma pedra possui uma consciência rudimentar, pois, se assim não fosse, ela não existiria e os seus átomos e moléculas dispersar-se-iam. Tudo está vivo. O Sol, a Terra, as plantas, os animais, os seres humanos – todos são uma expressão da consciência em vários graus, a consciência manifestando-se como forma.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fundamentos Epistemológicos da Filosofia Vedanta - Shankara





A meta suprema

pode-se objetar que a filosofia Vedanta, a exemplo de qualquer outro sistema de pensamento religioso, assenta numa hipótese central.


Certamente, a meta suprema da vida é conhecer Brahman - se é que Brahman existe. Mas podemos ter certeza disso? Não é possível que não exista nenhuma realidade subjacente no universo? Não é possível que esta vida não passe de um fluxo desprovido de significação, que morre e se transforma, em perpétua mudança?


O que mais nos atrai no Vedanta é sua abordagem não-dogmática, seu enfoque experimental da verdade. Shankara não nos diz que devemos aceitar a existência de Brahman como um dogma antes de podermos ingressar na vida espiritual. Não - ele nos convida a descobrirmos por nós mesmos.

Nada - nenhum mestre, nenhuma escritura - pode fazer esse trabalho por nós. Mestres e escrituras são apenas estímulos para o esforço pessoal. Mas, como tais, eles podem ser admiráveis. Imagine que esta é uma ação judicial e que você é o juiz. Procure ouvir imparcialmente as testemunhas de ambos os lados.

Considere as testemunhas a favor de Brahman - os videntes e os santos que afirmam ter conhecido a Realidade eterna. Examine suas personalidades, suas palavras, as circunstâncias de suas vidas. Pergunte a si mesmo: esses homens são mentirosos, hipócritas ou insanos, ou estão falando a verdade? Compare as grandes escrituras do mundo e pergunte: elas se contradizem umas às outras ou estão de acordo?

domingo, 3 de junho de 2012

Carta ao Buscador de Deus




Por Coronel
http://obuscadordedeus.blogspot.com.br/

ESCLARECIMENTOS iniciais:
 
Este texto e outros que virão parecerão insossos, sem objetividade e que não explicam a razão da perda de tempo em lê-los. Mas, com o continuar da leitura, você poderá perceber os motivos porque estão aqui.


Sugiro que, antes de lê-los, abandone todos os preconceitos sobre a vida, as crenças, as coisas novas etc. Se não fizer isso, é provável que nem aceite o que eles contêm. Todos nós nos dedicamos àquilo que julgamos ser o certo ou ‘o melhor’ e não desejamos perder tempo com outras coisas. Mas, o que consideramos ser o melhor será, com toda certeza, ‘o melhor’?


Outra coisa: se você está satisfeito com o que a vida é para você e os seus; se compreende porque sofremos; não tem problemas fisiológicos, psicológicos ou existenciais; não se interessa em acabar com as dúvidas ou acha que não têm mais dúvidas a resolver, nem leia o que aqui vai escrito, que isso poderá até perturbá-lo. Mas não se esqueça do conselho de Paulo: “Estudai de tudo e guardai o que for bom”.


Os textos não se referem exatamente a religiões, mas guardam relações com elas; e como entre nós a mais disseminada é o cristianismo, as citações apresentadas, em geral, se ligam a ele.
Leia com calma; use a atenção, questionando sempre e com vontade de compreender.

Se você não compreende esta vida tão cheia de problemas e incertezas, mas tem uma mente questionadora e está interessado em buscar respostas para tantas dúvidas que temos sobre a vida, a morte, por que estamos aqui, a razão do sofrimento etc. respostas que, pelo que parece, nem a ciência, nem qualquer crença, religião, psicologia ou filosofia ocidentais nos dão de modo que nos deixem definitivamente sem quaisquer dúvidas, talvez porque nem elas as conheçam integralmente, leia os textos que aí vão. Neles não estão as respostas, mas está indicado o caminho para encontrá-las e para, eventualmente, levar você a um objetivo maior: ‘àquilo’ a que damos o nome de Deus.



Da Ilusão das Cidades Espirituais - parte II



Por Anton Kiudero

O mundo dos espíritos humanizados sem carne é um mundo bom para seres humanos. É porque ele contém tudo aquilo de que você gosta hoje. Tudo o que você gosta tem lá. Agora quem vai para lá, volta à encarnar em mundo de prova e expiação. Acontece que a próxima encarnação para prova e expiações não será mais neste planeta.

Quem sair da carne nesse momento não vai poder continuar a encarnação no planeta Terra, pois este planeta vai elevar-se. Quando se encerrar o processo de transição planetária, a Terra vai receber espíritos em regeneração e não mais em prova e expiação. Quem estiver em prova e expiação vai para outro planeta. Quem vai para as “cidades espirituais” é quem for humano. Isso porque as cidades espirituais são o mundo dos humanos sem carne.

No entanto, se você teve uma vida liberta da materialidade, se não depende mais da materialidade para ser feliz, vai para outro lugar. Agora, se ainda precisa da materialidade para ser feliz, vai para onde está a matéria. Por isso nas cidades espirituais tem tudo o que temos aqui e de que gostamos, porque são criadas a imagem e semelhança da Terra. Essas cidades não foram criadas por alguma entidade superior, foram plasmadas por nós. Foram plasmadas pelos espíritos que precisam dessa forma.




sábado, 2 de junho de 2012

Explicação da Parábola da Ovelha Perdida





Por Monstrinho  


No Evangelho de Tomé, encontramos essa parábola da seguinte forma: uma ovelha sai do rebanho, e o pastor, larga as outras 99 sozinhas e vai atrás da que se perdeu. "Ora - dirão - mas que parábola mais estúpida". Não seria uma burrice um pastor deixar ao relento 99 ovelhas - que poderiam ser presas de animais selvagens, ladrões, etc - para socorrer apenas uma única?

Mas toda parábola tem um sentido oculto: Jesus escolhe a ovelha e não outro animal para contar essa parábola, por que? Por que as ovelhas têm um instinto de rebanho, ou seja, se uma pula a cerca, a outra também pula; se uma sai correndo, todas saem correndo atrás. Não é como o ser humano que, se vê um estuprador sendo apedrejado vai lá e também apedreja? Não é como o ser humano - plenamente socializado - que, quando passa um transexual na rua ou um gay, fazendo trejeitos de mulher, ri, mas seu riso não é espontâneo, mas ri, de acordo com o costume já estabelecido de rir, fazer chacota desse tipo de pessoas? Não é como aquelas pessoas pobres, que criticam os avarentos, mas por 10 reais ou por coisa nenhuma, sempre estão no Poupa tempo, no advogado para processar fulano e sicrano? Pq fazem isso senão porque a sociedade lhes ensinou que é feio perder e bonito ganhar??

A sociedade é pois o rebanho e seus membros, as ovelhas, por isso que Jesus não está nem aí para as "ovelhas que têm instinto de rebanho"; ou como diz Allan Kardec, os Espíritos Superiores só assistem os que realmente estão voltados para o lado espiritual, e não para os hipócritas que, em empunhando a bandeira do Cristo, estão preocupados não só com o que vão comer e vestir amanhã, mas sobretudo COMO vão comer e se vestir.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dos Objetivos da Reencarnação



Por Anton Kiudero


Você é o espírito e não quem pensa ser. “Quem pensa ser” é apenas um personagem criado pela mente durante o sonho. Você é o espírito, mas não consegue ter consciência disso porque está sonhando que é o personagem humano que está vivenciando.

Assim sendo todo o seu trabalho em todas as suas encarnações jamais é feito em prol de outra pessoa mas apenas em prol de si mesmo. E o trabalho não é pela elevação do espirito mas pelo despertamento do sonho em que você se encontra desde o seu nascimento.

Todo espírito nasce puro e ignorante, como diz o Espírito da Verdade. Este ignorante é no sentido de ignorar, de não conhecer. Ignorar o que? O que um bebê ou uma criança ignora?


Qual é o mundo de uma criança? A sua família: pai, mãe, irmãos e agregados. Aquele núcleo é o Universo para a criança. Para ela não existem países ou cidades. O seu mundo resume-se naqueles com quem ela convive diariamente.

Assim como a criança que ignora todo o mundo que a cerca, o espírito ignora o Universo. Ele ignora a sua posição e como este Universo se relaciona. Ele precisa aprender isso.


terça-feira, 22 de maio de 2012

História da Filosofia Oriental - A História de Buddha e os Fundamentos do Budismo






O fundamento histórico



A história de Buddha, pode-se dizer, não é um mito. Na verdade é possível

desemaranhar da lenda de Buddha, assim como da história de Cristo, um núcleo de fato

histórico. Fazer isso e demonstrar claramente seu preceito tem sido uma grande

realização do ensino oriental durante o último meio século. Aqui, entretanto, iremos nos

preocupar com toda a história mítica de Buddha, tal como esta é relatada em vários

trabalhos que não são, estritamente falando, históricos mas têm um inquestionável valor

literário e espiritual. Antes, porém, de começarmos a expor o mito de Buddha

sintetizaremos seu núcleo histórico, até onde é possível determiná-lo, e explicaremos

uma parte de suas doutrinas.


domingo, 20 de maio de 2012

"Pensar é não ver"





O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...


O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...


Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...


Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quem Sou Eu?


O pensamento-eu é a fonte de todos os pensamentos.

A mente só vai se dissolver através da autoinvestigação "Quem sou eu?". O pensamento "Quem sou eu?" destruirá todos os outros pensamentos e depois destruirá a si mesmo também. Se outros pensamentos surgirem, devemos perguntar a quem esses pensamentos ocorrem, sem tentar completá-los. Que importa quantos pensamentos surgem? Na medida em que cada pensamento surgir, devemos estar vigilantes e perguntar para quem ele ocorre. A resposta será "para mim".

Se você perguntar "quem sou eu?", a mente então voltará à sua Fonte. O pensamento que surgiu também desaparecerá. À medida que você praticar dessa forma mais e mais, o poder da mente de permanecer em sua Fonte aumentará.

Embora os apegos sensoriais, antigos e imemoriais, possam surgir sob forma de incontáveis tendências mentais, assim como as ondas surgem no mar, todos eles serão destruídos na medida em que a meditação avançar. Devemos nos agarrar sem cessar à meditação do Ser, sem duvidar da possibilidade de erradicar todas essas tendências e de só o Ser permanecer. Por mais pecadora que uma pessoa possa ser, se ela parar de se lamentar "Ai de mim que sou um pecador! Como posso eu alcançar a libertação?" e, abandonando até mesmo o pensamento de que é pecadora, se dedicar zelosamente à autoinquirição, ela com certeza realizará o Ser (Atman).

Xamanismo: o poder do guerreiro



A autoconfiança do guerreiro não é a autoconfiança do homem comum. O homem comum procura certeza nos olhos do observador e chama a isso autoconfiança. O guerreiro procura impecabilidade aos próprios olhos e chama a isso humildade. O homem comum está preso aos seus semelhantes, enquanto o guerreiro só está preso ao infinito.

Há muitas coisas que um guerreiro pode fazer, em determinado momento, que não poderia ter feito anos antes. Essas coisas não mudaram; o que mudou foi a idéia do guerreiro sobre si mesmo.

O diálogo interno é o que prende as pessoas no mundo cotidiano. O mundo é assim e assado, desta ou daquela maneira, só porque dizemos a nós mesmos que ele é assim e assado, desta ou daquela maneira. A passagem para o mundo dos xamãs se abre depois que o guerreiro aprendeu a silenciar seu diálogo interno.

Mudar nossa idéia sobre o que é o mundo é o ponto crucial do xamanismo. E parar o diálogo interno é o único meio de conseguir isso.

Quando o guerreiro aprende a parar o diálogo interno, tudo se toma possível; as coisas mais difíceis podem ser alcançadas.

Um guerreiro aceita seu destino, seja ele qual for, e o aceita na mais total humildade. Aceita com humildade aquilo que ele é, não como fonte de remorsos, mas como um desafio vivo.

A humildade de um guerreiro não é a humildade de um mendigo. O guerreiro não curva a cabeça para ninguém, mas, ao mesmo tempo, não permite que ninguém curve a cabeça para ele. O mendigo, por sua vez, cai de joelhos por qualquer coisa e lambe o chão para qualquer um que considere seu superior; mas, ao mesmo tempo, exige que alguém supostamente inferior lamba o chão para ele.


domingo, 13 de maio de 2012

Como sair da Roda do Samsara II




Por Máscaras de Deus

A busca não logra êxito para a maioria dos buscadores, por um erro crasso de concepção: Deus deveria existir para que trousesse justiça e felicidade na Terra, e contudo, o que vemos é precisamente o oposto.

Como, pois, conciliar a idéia de um Deus justo, bom, sábio e onipotente com a existência do mal no mundo? Não é essa a questão - a única que realmente interessa -que inutilmente todas as religiões e religiosos tentam responder? Se Deus é perfeito, e tudo é criação sua, como Ele pôde criar algo imperfeito como o ser humano? Não é contraditório? :roll: Algo não se coaduna com o bom senso: vamos supor apenas que Deus seja onisciente. Ora, se ele cria o homem, então sabe de antemão que o homem vai errar, que vai fazer o mal, e no entanto, por que permite? Não seria como o fabricante de brinquedos que, mesmo sabendo que o brinquedo apresentará problemas e poderá machucar e ferir as crianças, mesmo assim vai lá e fabrica? Quando o brinquedo quebra e machuca a criança, a culpa é de quem? Do brinquedo ou do fabricante?

As religiões dualistas - todas - dizem que a culpa é do brinquedo. Ora, supondo que esse fabricante de brinquedos seja perfeito, incapaz de produzir um brinquedo com problemas, como se poderá supor que de suas mãos saia um brinquedo defeituoso? A resposta das religiões dualistas é que o brinquedo sai perfeito das mãos do fabricante, mas com o tempo ele vai ficando imperfeito.

Como surge essa imperfeição? Segundo a Doutrina Espírita, surge a partir do exercício do livre-arbítrio. O homem - o brinquedo - tinha saído perfeito das mãos do criador ("simples e ignorante"), mas, com o tempo, devido ao uso do livre-arbítrio, ele escolheu entre o bem e o mal, e preferiu o mal.