quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Talvez...




Um homem possuía um belo cavalo. Certo dia, o cavalo desapareceu e seus vizinhos sabendo da notícia, exclamaram:
- Que azar!

Mas o homem simplesmente respondeu:
- Talvez...

Passado algum tempo, o cavalo reapareceu, trazendo consigo três ou quatro cavalos selvagens tão ou ainda mais belos e formosos do que ele. Os vizinhos, tomando conhecimento do fato, disseram:
- Que sorte!

Mas o fazendeiro simplesmente respondeu:
- Talvez...

O filho mais moço do fazendeiro então resolveu domar um dos cavalos mas o cavalo era selvagem e em um movimento brusco arremessou o rapaz ao solo e este ao cair quebrou a perna. E os vizinhos imediatamente se dirigiram ao pai mencionando: - Que azar!

Mas o fazendeiro simplesmente respondeu:
- Talvez...

Estourou uma guerra naquela região e muitos pais sofreram pois quase todos os jovens, querendo ou não, foram injustamente enviados para a guerra, menos um, que foi dispensado por que estava com a perna quebrada: O filho do fazendeiro!

Os vizinhos então disseram: "Mas, que sorte", e o fazendeiro, com um sorriso no rosto, apenas respondeu: "Talvez"...

sábado, 13 de agosto de 2011

A Sabedoria da Ausência do Ego


No Budismo Tibetano, o Ego é a ausência do conhecimento verdadeiro de quem somos juntamente com o seu resultado: um malfadado apego, mantido não importa a que preço, a uma imagem remendada e improvisada de nós mesmos, um Eu charlatanesco e camaleônico que está sempre mudando para manter viva a ficção de sua existência.

Em tibetano, o Ego é chamado dak dzin, que quer dizer “agarrado a um Eu” O Ego é assim definido como um movimento incessante de agarrar-se em uma noção ilusória de “eu” e “meu” de si mesmo e do outro e em todos os conceitos, idéias, desejos e atividades que sustentam esta falsa construção. Este agarrar-se é fútil desde o inicio e condenado à frustração uma vez que não tem nenhuma base ou verdade e portanto impossível de se reter e sabendo disto nascem todas as nossas inseguranças e medos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pensamento e Percepção Não-Condicionada - Krishnamurti

Krishnamurti

Será que podemos investigar, a fundo e com seriedade, se é possível ficar com o problema sem fugir dele? Suponhamos que perca meu filho e, sofrendo com isso um grande choque, experimentando uma dor imensa, descubra que sou um ser humano extremamente solitário. Não consigo encarar nem suportar a situação e, por isso, fujo dela. Há inúmeras formas de fuga - religiosas, mundanas ou filosóficas. Mas será que posso permanecer com o que aconteceu, com essa coisa chamada sofrimento, sem procurar, de modo algum, fugir da dor, da angústia, da solidão, da aflição, do abalo? Será que podemos observar um problema, observá-lo apenas, sem procurar resolvê-lo, olhar para ele como se fosse uma jóia preciosa, de fino acabamento? Para uma coisa bonita olhamos sem parar, sem qualquer desejo de fugir dela; sua beleza nos atrai tanto e tanto prazer nos proporciona que ficamos olhando para ela o tempo todo. Se, da mesma forma, pudermos observar nosso sofrimento, sem um movimento sequer de julgamento ou fuga, ficar com a tristeza... nesse caso, a própria ação de ficar com o fato nos liberta completamente daquilo que produziu a dor. Voltaremos a isso depois.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Noite de São João



Noite de S. João além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

IN: Poemas Inconjuntos, Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)