quinta-feira, 28 de julho de 2011

O que é a Filosofia Oriental




Por Filosofia Oriental entendo uma Epistemologia dentro da Teoria do Conhecimento, como fica bem claro neste vídeo do Tarananda Sati, cujos conhecimentos reúnem a sabedoria oriental com o conhecimento filosófico e científico ocidental.

http://www.youtube.com/watch?v=evAcojNxCDI

A questão é que, a ciência moderna, foi desenvolvida a partir da filosofia ocidental, mas ela desdenhou as considerações de Sócrates (que é o fundador da Filosofia propriamente dita) e Platão, cujos ensinamentos são similares às instruções dos mestres (filósofos) orientais.

Até mesmo os professores de Filosofia se "embanam" todos quanto à explicação da Alegoria ou Mito da Caverna, porque não têm, em sua maioria, conhecimento da Filosofia ou Misticismo Oriental.




Vejamos o que é a Alegoria da Caverna. Há homens que vivem dentro de uma caverna, e outros que vivem fora da caverna. Dentro da caverna, são projetadas sombras de objetos reais que estão fora da caverna, por meio de tochas iluminadas que produzem as sombras desses objetos e que, os que se encontram dentro da caverna acreditam-nas reais. Esses homens dentro da caverna estão "acorrentados" de modo que não podem "olhar para trás" para enxergar os verdadeiros objetos que são a causa das sombras. Como esses homens nunca viram os objetos reais fora da caverna, acreditam reais as projeções dentro da caverna.

Sucede que, num determinado momento, um desses homens quebra os grilhões que o prende à caverna e suas pseudo-realidades, e, em defrontando-se com a luz do Sol, ao sair da caverna, primeiro fica "cego" (= entra em estado de perturbação), mas depois começa a entender a realidade, a saber que vivia num mundo de ilusões - a caverna - e que aquele é o mundo real. Quando ele volta para a caverna para avisar os outros sobre a ilusão em que vivem, ele é morto, porque é tido como mentiroso e charlatão.

A caverna é o mundo material e as coisas, idéias, organização social, preceitos sociais, normas, tabus, tradições e costumes, são sombras projetadas pela realidade, o que levou muitos espíritas a acreditarem que o mundo material é uma cópia imperfeita do mundo espiritual.

O que sai da caverna é o filósofo, o místico que tenta alertar sobre as ilusões e é morto ou ridicularizado (o próprio Sócrates, Jesus, Buda, Krihnnamurti e tantos outros).

De fato, a Alegoria da Caverna traz esse inconveniente, que é supor que há um Mundo das Idéias (Platão) que é responsável por 'projetar' sombras - mundo material - e iludir aqueles que vivem mergulhados na matéria.

Contudo, estou apenas citando o Mito da Caverna para dizer que nos primeiros tempos do "espírito filosófico" houve uma tentativa, aqui no ocidente, de se fazer uma filosofia baseada na razão, mas que investigasse os "fenômenos internos" do ser humano, mas com o tempo - principalmente com a filosofia de Aristóteles que investigou não só questões transcendentais mas também questões ligadas à Física, Astronomia e Biologia entre outras coisas - foi se voltando para a investigação dos fenômenos externos, até culminar, na Revolução Científica do Século XVII na Ciência Moderna, que é fundante da ciência que conhecemos hoje, e cujo papel se restringe a estudar o mundo externo.

Então, devido à essa mentalidade histórica e tradicionalmente aceita, surgiu a idéia aqui no ocidente de que as "coisas do espírito", o "interior", a "experiência mística" eram coisas não passíveis de observação e experimentação e logo foram atiradas no canto e relegadas ao domínio do fantasioso e do charlatanismo. E não é verdade, pois a meditação é hoje comprovadamente uma prática que pode ser feita por todos indistintamente com obtenção de resultados igualmente acessível a todos, dependendo da pertinácia com que cada qual a ela se dedique.

Contudo, se no ocidente houve uma ruptura com o Mito, surgindo daí a Filosofia, no oriente a Filosofia permaneceu ligada aos mitos e também às práticas religiosas, numa fusão em que, se privilegiou o conhecimento do "mundo interno", em detrimento da investigação do "mundo externo", e isto é olhado com menosprezo pela filosofia e pela ciência do ocidente, uma vez que, vangloriando-se das suas conquistas científicas e tecnológicas, julga-se grandiosa no tangente à trazer comodidades e facilidades para a vida material em todas as suas expressões, e, por outro lado, fingindo que o rei não está nu, ou seja, fazendo de conta que está tudo bem: a humanidade vive tormentos morais indizíveis, mas que importa? "Temos os psiquiatras para receitar remédios e a cura para as diversas doenças que afetam o corpo".

Então, com relação à questão interior, a filosofia e a ciência ociental não sabe nada! E há muitos capítulos na História da Filosofia voltados à questão do auto-conhecimento, cujos expoentes máximos são sem dúvida alguma, Schopenhauer, Pascal, Agostinho, Nietzsche, e o próprio Sócrates além de tantos outros, mas que são poucos explorados e investigados pelos pesquisadores e pelos professores de Filosofia. Todavia, há uma rejeição quanto ao entendimento do próprio Nietzsche, que denuncia todas as mentiras da Filosofia Idealista, que projeta e idealiza através da razão, um mundo e um homem ilusórios, muito aquém do que realmente é o mundo e o homem!

Cabe à Filosofia Oriental ou Misticismo Oriental trazer essa lição esquecida para o ocidente.

A Doutrina Espírita surgiu com uma proposta de se enfatizar o Espírito em detrimento da matéria, num século (século XIX) em que houve uma explosão de descobertas e invenções que vieram a inaugurar uma nova era de comodidades e facilidades para a humanidade, mas também trazendo outros problemas, com o advento da Revolução Industrial.

Mas a Doutrina Espírita ficam bem aquém dos ensinamentos dos instrutores do oriente, sustentando ainda o dualismo como verdade inquestionável e retomando conceitos católicos obsoletos como punição, resgate de faltas, lei do "plantou, colheu", e prevendo penas futuras para os que praticam o "mal".

Então o chamado Misticismo Oriental não é um tipo de filosofia que possa ser convertido numa ciência que, utilizando dos mesmos métodos da ciência moderna, venha trazer à humanidade uma maneira de se praticar coletivamente os ensinos dos instrutores.

Na verdade, o que a civilização do ocidente espera é isso mesmo: que a ciência possa operar o milagre da supressão dos males morais, tudo provado cientificamente!

O que ela - a civilização ocidental - está esperando, na verdade, é mais uma forma de proteção, mais uma maneira de alguma autoridade científica ou filosófica estabelecer as bases, os fundamentos de uma teoria que seja aplicável no âmbito moral, e isto evidentemente não é possível, uma vez que a experiência mística tem que ser feita individualmente, salvo os casos em que coletivamente se busca essa experiência com o uso de drogas como o Santo Daime, a papoula, o LSD e outros. Mas aí não vale, porque, se se tira a droga, volta-se aos mesmos problemas?

Coube a Friedrich Nietzsche apontar a hipocrisia do ocidente, mostrando que, embora a ciência tenha se oposto de forma imponente à religião (supostamente inimigas), e em tom de revanche contra ela, a ciência continuou se caracterizando por ser uma instituição cristã, ou seja, da mesma maneira que as pessoas delegavam a sua liberdade e responsabilidade pelos próprios atos à religião ("Pago o dízimo, mas deixe-me ter quantas amantes eu quiser sem que eu vá para o inferno após a morte"), à ciência cumpre esse papel hoje: "deixe-nos fumar, beber, fazer sexo, trabalhar além das forças, mas produzam-nos os remédios e calmantes para que continuemos vivos".

Então o que as pessoas estão buscando são novas formas de proteção, buscando formas de fugirem de si mesmas e outorgarem às instituições o comando e o destino de suas vidas. Até mesmo os espíritas fazem isso: "estou orando, indo à casa da sopa alimentar as crianças; pronto! Me está garantido um lugar melhor no mundo espiritual". Mas a questão do auto-conhecimento, da libertação do [b]unânime (e doente) formigueiro fica sempre relegada à segundo plano.

A ciência e a filosofia ocidentais estão esgotadas: os professores de Filosofia nas escolas e universidades não fazem senão reproduzir os discursos filosóficos dos pensadores do passado, com altas formas de eloqüência e retóricas acadêmicas viciadas e ultrapassadas, e tudo isso em nome do "pensamento crítico".

O único pensamento crítico possível é romper com as filosofias do passado, começar do "nada", como Nietzsche o fez. Somente desta maneira é que se constrói algo novo, como vemos nos textos do Krishnamurti.

Mas como dizia o próprio Krishnamurti, "isto cabe a você fazer" e não esperar que outros o façam para você. "Você é o mestre; você é o guru; você é o preceptor; você é Deus, você é tudo!", dizia ele em suas palestras na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Para isso, precisamos libertamo-nos dos nossos pré-conceitos filosóficos e científicos, e estudar a Filosofia Oriental. Quem foi Krishna? Quem foi Buda? Quem foi Shankara? O que esses místicos/filósofos escreveram? O que eles praticaram?

Graças à internet, temos hoje acesso a esses textos, porque se fosse depender da nossa Filosofia - em cujos currículos escolares não se ensina Filosofia Oriental - ainda estaríamos sem sequer saber da existência desses tantos filósofos como Vivekananda, Ramakrishna, Nisargadatta Maharaj, e também a Filosofia do Zen, que não possui nenhum corpo teórico de conhecimentos, mas cuja prática pacifica pessoas em todo o mundo.



Fonte: http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t130-misticismo-o-que-e-ser-mistico#311

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