quinta-feira, 21 de julho de 2011

Antropologia do Conhecimento e Física Quântica



Allan Kardec pode ter antecipado algumas conclusões da Mecânica Quântica quando disse que "os sabores, os odores e as cores só existem para os sentidos destinados a percebê-los" - questão no. 32 de O Livro dos Espíritos.

As idéias da Mecânica Quântica têm sido utilizada pelos pesquisadores em Sociologia e Antropologia para criticar a visão dualista de mundo, advinda do que eles chamam de "cartesianismo" (separação entre corpo e mente) e "newtonianismo", a metáfora do mundo e do ser humano como um relógio, ou como uma máquina (deus ex machina) cujas partes, podem ser estudadas e conhecidas isoladamente.


Assim, a Mecânica Quântica trouxe o pano de fundo para esses pesquisadores das ciências sociais tecerem a crítica atualmente em voga, sobre a visão cartesiana do mundo, que é utilizada pela mentalidade capitalista-industrial e também política-tecnológica para organizar a sociedade tal como a conhecemos.

O alvo dessa crítica é a exploração do homem pelo homem, e da Natureza pelo homem, pois, na visão dualista o modo de gerenciamento burocrático-empresarial - que separa, quantifica, examina, secciona e atribui conceitos e funções para cada coisa é transportado para todas as demais áreas da vida social, como a vida em família, as relações de consumo e sobretudo a visão de mundo generalizada de que tudo que existe é compartimentado, e que, a cada um, cabe um papel social no conjunto de tarefas e misteres sociais.

A visão dualista é responsável pela criação de ilusões as mais variadas, como diferenciação das pessoas por classe social, cor da pele, nível intelectual, cultural, e com isso, a Antropologia do Conhecimento surge em nível acadêmico com a proposta de se pesquisar a "realidade" olhando-se o conjunto, o Todo, e portanto suprimindo a visão dualista-cartesiana de um mundo compartimentado.

Essa crítica é atual e válida, num mundo em que se exploram o homem e a Natureza, pois que são vistos apenas como meios e peças de uma grande engrenagem cujo perfeito funcionamento deve ser garantido pela execução das funções de cada qual.

Tudo isso está sendo questionado atualmente a partir de um movimento intelectual chamado "Pós-modernismo", que põe em dúvida todas as conquistas tecnológicas da civilização engendrada com a Revolução Industrial do século XIX (2a. Rev. Ind.), e também a partir da crítica do Positivismo e do Neo-positivismo, que preconiza ser a Ciência Moderna, de cunho cartesiana-newtoniana o modelo de conhecimento "correto" e hegemônico, e que pretende suplantar todos os demais conhecimentos (Filosofia e Misticismo Oriental e até mesmo as ciências humanas e sociais e mesmo a própria História) como conhecimentos "subjetivos" e até de "senso comum".

A idéia de neutralidade científica foi duramente combatida no século XX por esses setores das ciências humanas e sociais, de modo que se deu um passo, a partir da Mecânica Quântica, nesse processo de criticar a Ciência de cunho Positivista e seus processos de exploração humana e exploração da Natureza.

Contudo, não obstante todos esses esforços, a mentalidade dualista predomina, e o malfadado refrão proclamado em uníssono pelos nossos jovens - "pagando bem, que mal tem"? - põe em evidência uma sociedade em extrema decadência, em que os valores religiosos-morais são consubstanciados na lógica de acumulação do capital apátrida que enxerga o ser humano e instituições sociais como igrejas, escolas e a família entre outras, como geradoras de capital humano (Gaudêncio Frigotto; Pablo Gentili), com vistas a incrementar e reproduzir o capital.

E o pior de tudo é que, tais teorias críticas não chegam à sociedade, às pessoas, porque a estrutura curricular que viceja, está voltada a fins eleitoreiros e na produção e reprodução de capital humano.

Vivemos portanto numa "sociedade da competição": você é aquilo que você produz - seja em termos materiais, seja em termos de reproduzir a Ideologia Dominante.

Você só modifica uma sociedade a partir de uma Revolução Cultural, mas no Brasil mesmo, quem fez essa revolução foi a "esquerda", em nome dos princípios de igualdade e de solidariedade social, mas sempre mantendo em alto plano a idéia de proteção. Você precisa de proteção, e por isso paga impostos ao Estado, que te protege se você ficar desempregado e doente.

Haveria outras considerações que, por falta de espaço, não cabem aqui, mas, a partir de uma opinião particular minha, penso que só deve haver uma mudança de ordem pessoal, já que, tudo o que existe, existindo dentro da mente, somente negando e fugindo do unânime formigueiro é que se poderá escapar, se elidir a essas injunções desse mundo capitalista que vê as pessoas como máquinas e meios de reproduzir uma sociedade dividada entre fortes e fracos (Poder Político), sábios e ignorantes (Poder Ideológico) e pobres e ricos (Poder Econômico), o que é tudo ILUSÃO.

A forma de poder a ser combatida é o Poder Ideológico, de onde dimana as idéias dominantes, que criam a crença na dualidade pobres e ricos, fracos e fortes, sábios e ignorantes - além de seus subprodutos que consistem nas crenças dualistas entre feios e belos, bons e maus etc.


Fonte: http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t125-o-experimento-da-escolha-retardada

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