terça-feira, 10 de maio de 2011

O que é o Ego?


Imagine uma pessoa que subitamente acorda num hospital depois de sofrer um acidente
de carro na estrada, e percebe que está com amnésia total. Por fora, tudo está intacto: ela tem o
mesmo rosto, a mesma forma, os sentidos e a mente estão lá, mas não tem a menor idéia ou o
menor vestígio de memória de quem é. Exatamente do mesmo modo, não conseguimos nos lembrar
da nossa verdadeira identidade, nossa natureza original. Freneticamente e na realidade apavorados,

procuramos e improvisamos outra identidade, uma em que possamos nos agarrar com todo o
desespero de alguém que vai cair num abismo. Essa identidade falsa e assumida em ignorância é o
ego .


Desse modo, o ego é a ausência do conhecimento verdadeiro de quem somos, juntamente com
o seu resultado: um malfadado apego, mantido a não importa que preço, a uma imagem remendada
e improvisada de nós mesmos, um eu inevitavelmente charlatanesco e camaleônico que está
sempre mudando e que precisa mudar para manter viva a ficção da sua existência. Em tibetano, o
ego é chamado dak dzín, que quer dizer agarrado a um eu . O ego é assim definido como um
movimento incessante de agarrar-se em uma noção ilusória de eu e meu , desse mesmo e do
outro, e em todos os conceitos, idéias, desejos e atividades que sustentam essa falsa construção.

Esse agarrar-se é fútil desde o início e condenado à frustração. Uma vez que não tem
nenhuma base ou verdade, e aquilo a que nos agarramos é, por sua própria natureza, impossível de
reter. O fato de que precisamos nos agarrar a continuar agarrados a alguma coisa mostra que nas
profundezas de nosso ser sabemos que o eu não existe inerentemente. Desse conhecimento secreto
e assustador nascem todas as nossas inseguranças fundamentais e o nosso medo. [...]

E ainda que possamos ver além das mentiras do ego, estamos assustados demais para
abandoná-lo; porque sem um verdadeiro conhecimento da natureza da nossa mente, ou real
identidade, simplesmente não temos outra alternativa .


LIVRO TIBETANO DO VIVER E DO MORRER. Sogyal Rinpoche

Um comentário:

  1. ""E ainda que possamos ver além das mentiras do ego, estamos assustados demais para
    abandoná-lo; porque sem um verdadeiro conhecimento da natureza da nossa mente, ou real
    identidade, simplesmente não temos outra alternativa .""

    ...isso é um consolo pra mim, pois ainda não vislumbrei outra alternativa.
    tomara tenha conseguido postar...
    pati
    em deus

    ResponderExcluir

Comente esse texto