segunda-feira, 9 de maio de 2011

Fundamentos da Filosofia Vedanta - Swami Vivekananda (Excertos)




Excertos de "A Meditação Segundo a Vedanta", IN: Meditação e Métodos, Swami Vivekananda

POR QUE DEUS?

            Já me perguntaram muitas vezes:  "Por que você usa aquela velha palavra, Deus?"  Porque é
a melhor palavra para o nosso objetivo;  você não pode encontrar melhor palavra que esta, porque todas as esperanças, aspirações e felicidade da humanidade têm sido centralizadas naquela palavra.  É agora impossível mudar tal palavra.  Palavras como esta foram primeiramente cunhadas por grandes santos que verificaram sua importância e compreenderam seu significado.  Mas, quando se tornam comuns na sociedade, os ignorantes se apossam dessas palavras e o resultado é que elas perdem seu espírito e sua glória.  A palavra Deus tem sido usada desde tempos imemoriais e a idéia desta inteligência cósmica e de tudo que é grandioso e sagrado, se associa a ela.  Você acha que, porque alguns tolos dizem que não está certo, deveríamos desprezá-la?  Algum outro homem pode chegar dizendo "Use esta palavra" e ainda outro "Utilize tal palavra".  Assim não haverá fim para palavras tolas.  Use a velha palavra, use-a somente no verdadeiro sentido, limpe-a de toda superstição e tenha plena consciência do que significa esta grande e antiga palavra.  (II. 210).



A CONCEPÇÃO VEDÂNTICA DE DEUS

            O que é o Deus da Vedanta?  Ele é um princípio, não uma pessoa.  Você e eu somos todos Deuses Pessoais.  O Deus absoluto do Universo, o criador, preservador e destruidor do Universo, é um princípio impessoal.  Você e eu, o gato, o rato, o diabo e o fantasma, todos somos Seus personagens - todos somos Deuses Pessoais.  Você quer cultuar Deuses Pessoais.  É o culto do seu próprio eu.  Se você aceitar meu conselho, nunca entrará em nenhuma igreja.  Saia e vá lavar-se.  Lave-se, repetidamente, até ficar limpo de todas as superstições que grudaram em você, através dos tempos.
            Perguntaram-me muitas vezes:  "Por que você ri tanto e diz tantas piadas?"  Eu fico sério, às vezes - quando tenho dor de estômago!  O Senhor é felicidade plena.  Ele é a realidade atrás de tudo que existe, Ele é o bem, a verdade em tudo.  Vocês  são  Suas encarnações.
            Isto é que é glorioso.  Quanto mais perto você estiver Dele, menos oportunidade terá de chorar ou soluçar.  Quanto mais se afastar Dele, mais desventuras surgirão.  Quanto mais O conhecermos, tanto mais as angústias desaparecerão.
            Deus é o ser impessoal, infinito - o sempre existente, imutável, imortal, destemido;  e vocês todos são Suas encarnações.  Este é o Deus da Vedanta e Seu céu está em todo lugar.  (VIII. 133-34)


A META E OS MÉTODOS DE REALIZAÇÃO

            Assim como toda ciência tem seus métodos, o mesmo acontece com cada religião.  Os métodos para alcançar o objetivo da religião são chamados por nós de Ioga e as diferentes formas de Ioga que ensinamos, são adaptadas às diferentes outra coisa.   (IV. 227)


O TAJ-MAHAL DOS TEMPLOS

O  Deus-Vivo  está  dentro  de  vocês   e, contudo,  vocês constróem igrejas e  templos  e acreditam  em muitas coisas absurdas.  O  único Deus  que  deve ser adorado está  na  alma  que reside no corpo humano.  Naturalmente, todos os animais  são, também, templos, mas o homem é  o mais elevado, o Taj-Mahal dos templos.  Se  não consigo  fazer  adoração dentro  deste  templo, nenhum outro templo será de utilidade.   Quando eu  tiver  alcançado Deus dentro do  templo  de cada ser humano, quando eu ficar em  reverência diante de cada ser humano e nele enxergar  Deus -  nesse momento estarei livre  da  escravidão, tudo  que  me prende se desatará e  eu  estarei livre.  (II. 321)

UMA ALEGORIA

Imagine  o Eu como sendo o  passageiro,  e este corpo físico como a carruagem, o intelecto o cocheiro, a mente as rédeas e os sentidos  os cavalos.  Aquele cujos cavalos são bem  domados e cujas rédeas são fortes e bem manejadas pelas mãos do cocheiro (o intelecto), alcança a  meta que  é  o estado Dele, o  Onipresente.   Mas  o homem  cujos  cavalos  (os  sentidos)  não  são controlados,  nem  as  rédeas  (a  mente)   bem manejadas,  caminha  para a  destruição.   (II. 169)


AQUI E AGORA

            Não espere até conseguir uma harpa para descansar, passo a passo;  por que não pegar uma harpa e começar aqui?  Por que esperar pelo céu?  Faça-o aqui.
            Como podemos entender que Moisés viu Deus, a menos que O vejamos?  Se Deus alguma vez veio para alguém, Ele virá até mim.  Eu irei diretamente até Deus;  que Ele fale comigo.  Não posso me basear na crença;  isto é ateísmo e blasfêmia.  Se Deus falou com um homem nos desertos da Arábia, há dois mil anos, Ele também pode falar comigo hoje, se não fizer isto como saberei que Ele não morreu?  Vá até Deus de toda maneira que puder;  apenas vá.  Mas, quando for, não prejudique a ninguém.  (VII. 93,97)


UMA CANÇÃO DE NINAR INDIANA

            Era uma vez uma rainha hindu, que desejava tão ardentemente que todos os seus filhos conseguissem a libertação nesta vida, que ela mesma cuidava deles todos;  quando os embalava para dormir, ela sempre cantava a mesma canção - "Tat tvam asi, Tat tvam asi"  ("Isto sois Vós, isto sois Vós").
            Três deles tornaram-se Sannyasins (monges), mas o quarto foi levado para ser educado para tornar-se um rei, noutro lugar.  Ao partir, sua mãe deu-lhe uma folha de papel que ele deveria ler somente quando atingisse a maioridade.  Naquela folha estava escrito:  "Somente Deus é verdadeiro.  Tudo o mais é falso.  A alma nunca mata ou é morta.  Viva sozinho ou na companhia de pessoas puras."  Quando o jovem príncipe leu isso, ele também renunciou ao mundo imediatamente e tornou-se um Sannyasin.  (VII 89-90)


A FÁBULA DOS DOIS PÁSSAROS

            Toda a filosofia da Vedanta está contida nesta história:
            Dois pássaros de plumagem dourada pousaram na  mesma árvore.  O que estava no alto era sereno, majestoso, imerso em sua própria glória;  o que estava mais abaixo era inquieto e comia os frutos da árvore,  ora  doces, ora amargos.  Certa vez ele comeu um fruto excepcionalmente amargo e olhou para o majestoso pássaro do alto;  mas logo esqueceu-se do outro pássaro e prosseguiu comendo os frutos da árvore, como antes.  Comeu, de novo, um fruto amargo, e, desta vez, alçou-se para um pouco mais perto do pássaro do topo.  Isto aconteceu muitas vezes até que, finalmente, o pássaro que estava embaixo veio até o lugar do pássaro de cima e perdeu sua identidade.  Ele compreendeu, subitamente, que nunca houvera dois pássaros, e que ele fora, durante todo o tempo, aquele pássaro de cima, sereno, majestoso e imerso em sua própria glória.  (VII. 80)


O QUE EXISTE ALÉM?
                                                            
Os processos da evolução, combinações cada vez mais elevadas, não existem na alma;  ela já é  o que é.  Eles estão na  natureza.   Suponha que aqui existe um biombo e que atrás  dele  há um belo cenário.  Há um pequeno furo no  biombo através do qual podemos somente captar  pequena parte do cenário que fica por detrás.  `A medida em  que  o furo aumentar de tamanho,  cada  vez mais  descortinaremos  a  cena  escondida;    e quando  o  biombo todo desaparecer  não  haverá nada mais entre você e o cenário;  você o  verá em  sua totalidade.  Este biombo é a  mente  do homem.   Atrás dela se esconde a  majestade,  a pureza, o infinito poder da alma, e quanto mais a  mente se tornar clara e pura, tanto mais  se manifestará  a majestade da alma.  Não é que  a alma  se modifique, mas a mudança é no  biombo.  A alma é a Unidade Imutável, a imortal, a pura, a sempre-abençoada Unidade.  (VI. 24)


SEJA A TESTEMUNHA

Diga,  quando a mão do tirano agarrar  seu pescoço:   "Eu  sou  a Testemunha!   Eu  sou  a Testemunha!"  Diga:  "Eu sou o Espírito!   Nada do   exterior  pode  tocar-me."   Quando   maus pensamentos surgirem, repita isto, dê-lhes  uma pancada na cabeça:  "Eu sou o Espírito!  Eu sou a Testemunha, o Abençoado para sempre!  Não  há razão  para  que eu faça coisa alguma,  não  há razão  para que eu sofra, estou farto de  tudo, eu sou a Testemunha.  Estou na minha galeria de quadros - este universo é o meu museu,  somente olho  essa  sucessão de  pinturas.   Todas  são belas,   sejam  boas  ou  más.   Eu  admiro   a maravilhosa  habilidade, mas é tudo  uma  coisa só.   As  infinitas chamas do  Grande  Pintor!"  (V. 254)


A MORALIDADE E A RELIGIÃO

A religião chega quando aquela  verdadeira realização em nossa própria alma começa.   Isto será  a  aurora da religião;  e  somente  então seremos  seres morais.  Presentemente, nós  não somos  mais morais do que os animais.   Somente somos contidos pelos chicotes da sociedade.  Se a  sociedade nos dissesse, hoje:  "Não  punirei você,   se   furtar",   nós   avançaríamos   na propriedade  dos outros.  É o policial que  nos torna seres morais.  É a opinião social que nos faz   morais  e,  realmente,  somos  um   pouco melhores  que  os  animais.   Compreendemos   o quanto  disso  é verdade no  íntimo  de  nossos corações.  Assim, não sejamos hipócritas.
Esta  é  a palavra de ordem da  Vedanta  - realize  a  religião, não adianta  nada  falar.  Mas isto só se faz com grande dificuldade.  Ele escondeu-se  dentro do átomo, este  Antigo  Ser que mora no mais íntimo recesso de cada coração humano.   Os  sábios realizaram-No  através  do poder de introspecção.  (II. 164-65)


A ALMA E SUA ESCRAVIDÃO

Nós  somos  o Ser Infinito do  universo  e ficamos materializados nesses seres pequeninos, homens e mulheres, que dependem da palavra doce de um homem, ou da palavra irada de um outro  e assim  por diante.  Que  dependência  terrível, que  horrível escravidão!  Se você belisca  meu corpo,  sinto dor.  Se alguém diz  uma  palavra carinhosa, fico alegre.  Veja minha condição  - escravo do corpo, escravo da mente, escravo  do mundo,  escravo de uma boa palavra, escravo  de uma  palavra má, escravo da paixão, escravo  da felicidade, escravo da morte, escravo de  tudo!  Esta  escravidão  tem de  ser  rompida.   Como?  Pense sempre:  "Eu sou Brahman."
Assim,   qual  é  a  meditação  do   Jnana (seguidor  do  caminho do  conhecimento)?   Ele quer erguer-se acima de qualquer idéia do corpo ou  da  mente,  varrer a idéia que  é  o  corpo físico.   Para  que embelezar  o  corpo?   Para gozar mais uma vez a ilusão?  Para continuar  a escravidão?  Deixe passar, eu não sou o  corpo.  Esta  é a atitude do Jnana.  O Bhakta diz:   "O Senhor  deu-me  este corpo para  que  eu  possa atravessar,  com segurança, o oceano da vida  e devo  cuidar dele até que a jornada acabe."   O Iogue  diz:   "Devo ser cuidadoso com  o  corpo afim  de que possa prosseguir com firmeza  para alcançar, finalmente, a libertação."  (III. 25, 27-28)


O MUNDO:  NEM BOM, NEM MAU

Se  a  milionésima  parte  dos  homens   e mulheres  que  vivem neste  mundo  simplesmente sentassem  e  dissessem  por  alguns   minutos:  "Vocês todos são Deuses, Oh! homens, animais  e seres  vivos, todos vocês são manifestações  da Única  Divindade  Viva!", o  mundo  todo  seria modificado  em  meia hora.  Em  vez  de  lançar horrendas bombas de ódio em cada canto, em  vez de   projetar   correntes  de  ciúme   e   maus pensamentos,  em  cada  país  as  pessoas  irão pensar que Ele está em tudo.  Tudo que você  vê ou sente é Ele.  Como pode você enxergar o  mal sem haver o mal dentro de você?  Como pode você ver  o  ladrão,  a menos  que  ele  esteja  lá, sentado no interior de seu coração?  Como ver o assassino,  a  menos que você  seja  o  próprio assassino?   Seja  bom e o mal  esvanecerá.   E assim o universo inteiro será modificado.
Eis  outra coisa para ser aprendida.   Não podemos,  possivelmente,  vencer tudo  que  nos rodeia objetivamente.  Não podemos.  O peixinho quer fugir de seus inimigos dentro d’água.  Como pode fazê-lo?  Desenvolvendo asas e tornando-se um  passarinho.   O peixe não modificou  nem  a água,  nem  o  ar;  a  modificação  foi  em  si próprio.    A  mudança  é   sempre   subjetiva.  Através de toda a Evolução você verifica que  a conquista  da  natureza  vem  pela  mudança  do indivíduo.  Aplique este raciocínio à  religião e  à moral e verificará que a vitória  sobre  o mal   somente  acontece  pela  modificação   do subjetivo.  É deste modo que o sistema  Advaita obtém  toda  sua força, no  lado  subjetivo  do homem.  Falar do mal e do sofrimento é  tolice, porque eles não existem do lado de fora.
Posso  parecer  ousado ao  afirmar  que  a única religião que concorda e vai um pouco além das  pesquisas  modernas, em  ambas  as  linhas físicas e morais, é a Advaita, e é por isso  que atrai tanto os cientistas modernos.  (II.  287, 137-38)


A ARMADILHA DE MAYA

Certa vez, Narada (um grande sábio)  disse a  Krishna:   "Senhor, mostre-me  Maya  (Ilusão Cósmica)".   Alguns dias se passaram e  Krishna convidou Narada para um passeio pelo deserto e, depois  de  andarem  algumas  milhas,   Krishna disse:   "Narada,  estou com sede;   você  pode trazer-me   um   pouco   d'água?"     "Partirei imediatamente,  senhor, para buscar sua  água."  Assim, Narada partiu.
Não muito longe havia uma aldeia;   entrou nela à procura de água e bateu numa porta,  que foi  aberta por uma linda mocinha.   Ao  vê-la, ele se esqueceu, imediatamente, que seu  Mestre esperava  pela água, talvez morrendo  de  sede.  Esqueceu tudo e começou a conversar com a moça.  Decorrido  o  dia todo, ele não voltou  ao  seu Mestre.  No dia seguinte, lá estava ele de novo a   conversar  com  a  mocinha.    A   conversa transformou-se em amor;  ele pediu a garota  em casamento  e eles se casaram e tiveram  filhos.  Passaram-se assim doze anos.  Seu sogro faleceu e  ele  herdou sua  propriedade.   Vivia,  como pensava, uma vida muito feliz com sua esposa  e filhos,  com seus campos e o gado e  assim  por diante. Então, houve uma enchente.  Certa noite, o rio encheu-se até transbordar e inundar toda  a aldeia.   As  casas caíram,  homens  e  animais foram arrastados e afogados e tudo flutuava  na violência  da torrente.  Narada teve de  fugir.  Com  uma das mãos segurava sua mulher e  com  a outra dois de seus filhos;  outro filho  estava em seus ombros e ele tentava atravessar  aquela tremenda  inundação.  Após dar  alguns  passos, viu  que  a corrente estava forte  demais  e  a criança  que estava em seus ombros caiu  e  foi carregada pelas águas.  Narada soltou um  grito de  desespero.   Ao tentar  salvar  a  criança, largou  uma das outras, que também  se  perdeu.  Finalmente,  sua mulher, que ele  agarrara  com toda sua força, foi arrebatada pela torrente  e ele  foi  arremessado às  margens,  chorando  e soluçando com amargas lamentações.
Atrás dele surgiu uma voz delicada:   "Meu filho, onde está a água?  Você foi procurar  um bocado  d’água e estou esperando por  você.   Já faz meia-hora que você partiu."   "Meia-hora!", exclamou  Narada.  Doze anos tinham se  passado em sua mente e todas essas cenas aconteceram em meia hora!  É isto que é Maya.  (II. 120-21)

AUDÁCIA ESPIRITUAL

Na Rebelião de 1857  (o primeiro movimento de  libertação  da  Índia)   havia  um   Swami, verdadeiramente  uma  grande alma,  a  quem  um rebelde  maometano  apunhalou  gravemente.   Os rebeldes hindus capturaram-no e levaram o homem até o Swami, dizendo que o poderiam matar.  Mas o  Swami  olhou para ele  calmamente  e  disse:  "Meu irmão, tu és Ele, tu és Ele" e expirou.
Ergam-se,  homens  e  mulheres,  com  este mesmo  espírito,  atrevam-se  a  acreditar   na Verdade,  atrevam-se a praticar a  Verdade.   O mundo necessita de algumas centenas de homens e mulheres audazes.  Pratiquem aquela audácia que se atreve a conhecer a Verdade, que se atreve a mostrar a Verdade na vida, que não treme diante da morte e em vez disso a saúda, aquela audácia que  faz o homem saber que ele é o  Espírito  e que,  em  todo o universo, nada  pode  matá-lo.  então vocês estarão libertos.  então conhecerão Sua  Alma Real.  "Este Atman deve ser  primeiro ouvido,  depois cogitado em nossos  pensamentos e, afinal, submetido à meditações."  (II. 85)


O HOMEM, FAZEDOR DE SEU DESTINO

Os  homens  fracos, quando perdem  tudo  e sentem-se enfraquecidos, tentam toda espécie de disparatados   métodos  de  fazer  dinheiro   e inclinam-se  para a astrologia e todo  tipo  de coisas.  "São o tolo e o covarde que dizem:  "É o destino".  Mas é o homem forte que se ergue e diz:  "Farei o meu destino".
  uma velha estória sobre  um  astrólogo que  veio  até um rei e disse:  "O  senhor  irá morrer em seis meses".  O rei ficou fora de si, completamente  aterrorizado  e estava  quase  a morrer de medo.  Mas seu ministro era um  homem inteligente  e disse ao rei que  os  astrólogos eram  tolos.   Mas o rei não  acreditava  nele.  Assim, o ministro viu que o único jeito do  rei ver que eles eram tolos era convidar de novo  o astrólogo.   Lá,  ele  perguntou-lhe  se   seus cálculos  estavam corretos.  O astrólogo  disse que não havia erro nenhum, mas, para satisfazê-lo, refez todos os cálculos e disse que estavam perfeitamente  certos.   A face  do  rei  ficou lívida.    O   ministro  então   perguntou   ao astrólogo:   "E  quando  você  pensa  que   irá morrer?"    "Dentro  de  doze  anos",   foi   a resposta.   O  ministro rapidamente  puxou  sua espada,  separou a cabeça do astrólogo  de  seu corpo  e  disse  ao rei:   "O  senhor    este mentiroso?    Ele   acaba  de   morrer,   neste momento."  (VIII, 184-85)

SABOREIE AS MANGAS

O  mundo  todo    Bíblias,  Vedas  e   o Alcorão;   mas  todos  são  somente   palavras, sintaxe, etimologia, filologia, os ossos  secos da  religião.  O instrutor que cuida  muito  de palavras  e  que  permite que  sua  mente  seja arrastada  pela  força  das  palavras  perde  o espírito.  É só o conhecimento do espírito  das escrituras  que  forma o  verdadeiro  instrutor espiritual.  A rede de palavras das  escrituras é  como  uma imensa floresta na  qual  a  mente humana muitas vezes se perde, não sabendo  como sair.
Ramakrishna costumava contar a estória  de alguns  homens que entraram numa  plantação  de mangas e se preocuparam em contar as folhas, os ramos  e  os  galhos,  examinando  suas  cores, comparando  seus tamanhos e anotando  tudo  com muito cuidado e depois iniciaram uma  discussão refinada  sobre  cada um  desses  tópicos,  que eram,  sem  dúvida,  muito  interessantes  para todos eles.  Mas um deles, mais sensível que os demais,  não  se  incomodou com  nada  disso  e começou  a  comer  uma manga.  E  ele  não  foi sábio?  Assim, deixem esta contagem de  folhas, de  raminhos e anotações para os outros.   Este tipo  de serviço tem seu lugar apropriado,  mas não  aqui, no domínio espiritual.  Vocês  nunca encontram  um homem forte  espiritualmente,  no meio  desses "catadores de folhas".  (III.  49-50)

MAYA E LIBERDADE

Que  não  sejamos  apanhados  desta   vez.  Tantas  vezes Maya nos capturou,  tantas  vezes trocamos nossa liberdade por bonecas de  açúcar que derreteram quando a água nelas tocou!
Não  se  decepcione.  Maya  é  uma  grande trapaça.     embora.   Não deixe  que  ela  o prenda  desta vez.  Não venda sua  herança  sem preço para tais ilusões.  Levante-se, desperte, não se detenha até que a meta seja alcançada.
Guarde  seu  dinheiro meramente  como  uma custódia para aquilo que pertence a Deus.   Não tenha  apego  a ele.  Que o nome, a  fama  e  o dinheiro passem;  são uma terrível  escravidão.  Sinta  a  maravilhosa atmosfera  da  liberdade.  Você é livre, livre, livre!  Oh, abençoado  sou eu!   Eu sou a liberdade!  Eu sou  o  Infinito!  Em minha alma não encontro nem começo nem  fim.  Tudo é o meu Eu.  Diga isto, incessantemente.
(Lembranças de Swami Vivekananda, pág. 185,180)

 


NÃO DURMA MAIS

Em verdade, meu ideal pode ser resumido em poucas palavras, que são:  pregar junto à  raça humana  sua  divindade e como  manifestá-la  em cada movimento da vida.
Uma  idéia que vejo claramente como a  luz do  dia  é  que o  sofrimento  é  causado  pela ignorância  e  nada  mais.  Quem  dará  luz  ao mundo?   O  sacrifício foi a Lei no  passado  e também o será, ai de mim, pelos tempos que  hão de  vir.   Os melhores e os mais  corajosos  da terra  terão  de  se  sacrificar  pelo  bem  de muitos,  pelo bem estar de todos.   Budas,  aos centos,  serão  necessários com eterno  amor  e piedade.
As   religiões   do   mundo    tornaram-se arremedos  sem  vida.   O que o  mundo  quer  é caráter.   O  mundo está  necessitado  daqueles cuja vida é um amor ardente, sem egoísmo.  Este amor  fará com que cada palavra ressoe como  um raio.
Palavras audaciosas e ações audaciosas é o que queremos.  Despertem, despertem, grandes do mundo!   O  mundo arde  em  sofrimento.   Vocês podem dormir?  (VII. 498)

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