segunda-feira, 2 de maio de 2011

De Ptolomeu a Einstein: uma breve história da cosmologia

Durante séculos, desde Pitágoras a Galileu, acreditou-se no dogma do "círculo perfeito". Ora, um círculo é uma figura geométrica "perfeita", logo, os movimentos dos orbes celestes são circulares - argumentaram ao longo dos evos filósofos naturais de todos os tempos. Até mesmo Galileu perseverou na crença desse dogma infundado, mas que também gerou descobertas em outras áreas da ciência: graças ao dogma do Círculo Perfeito, o inglês William Harvey descobriu a circulação sangüínea.


Contudo, a tese de Copérnico em prol do Heliocentrismo demorou cerca de 100 anos para ser aceita. Por que? Não havia então, uma comprovação matemática a favor da teoria heliostática, ao passo que, o modelo singelo e bem estruturado do ponto de vista estético, por Ptolomeu, assegurava matematicamente que o Sol era que girava em torno da Terra. Dogmas... E isto perdurou, até que o astrônomo Johannes Kepler propôs que os planetas descreviam órbitas elípitcas e não circulares em torno do Sol, e com isso, Kepler comprova matematicamente a teoria heliocêntrica suplantando em definitivo o paradigma ptolomaico.

O vulgo, as pessoas em geral, têm uma visão errônea da ciência e de como ela "progride": pensam que os progressos na ciência se dão em termos cumulativos, à maneira de tijolinhos que são acrescentados na construção de uma casa, ou retalhos que são colocados para se tecer uma colcha; ou ainda, que a ciência seja um quebra-cabeças, e tudo que há de se fazer é juntar as partes desse quebra-cabeça.

Mas a Historiografia e a Sociologia da Ciência veio investigar tudo isso mais a fundo, e a verdade é que a ciência atual, não é o resultado de um processo cumulativo de conhecimento.

As idéias que se tiveram sobre o átomo, por exemplo, ao longo dos séculos foram as mesmas, a saber que ele é "a menor partícula de matéria e que compõe e estrutura toda essa matéria sólida e ponderável que os nossos sentidos percebem". A idéia de Éter (Fluido Cósmico Universal anima mundi em Platão, "Espírito da Natureza" em Henry More, Espaço Absoluto em Isaac Newton), tem pelo menos 2.500 anos de existência, e, ainda no século XIX, cientistas renomados tentaram explicar a existência do Éter matemáticamente, até Einstein dizer que a sua existência era desnecessária. Não que ele provou que era falsa a teoria do Éter, mas apenas disse que ela era descartável no âmbito da estruturação da Teoria da Relatividade.

Do mesmo modo, a Teoria do Big-bang, formulada incialmente a partir da "teoria do Ovo Cósmico", pelo padre e cosmólogo belga Georges Lemâitre, prevaleceu sobre a teoria defendida pelo meteorologista russo Alexander Friedman e o cosmógolo George Gamow entre outros, que postulava um Universo Estacionário, e não Inflacionário como postula as mais de 50 versões da teoria do Big-bang, que fazem parte do Paradigama Dominante. Não é que Friedman e outros defensores da Teoria do Universo Estacionário estivessem errados, mas que, como observou Tommas Kuhn, a teoria inflacionária se tornou o paradigma dominante, depois que Penzias e Wilson detectaram a Radiação Cósmica de Fundo e também, depois da descoberta da Fuga das Galáxias por Edwin P. Hubble, em 1929, e com isso, produziram uma "prova experimental" para a teoria do universo inflacionário.

A ciência pois, constrói apenas representações da realidade, a partir de modelos teóricos e paradigmas dominantes, que são representados por uma comunidade científica que está no poder, e portanto, pretendem que esse paradigma seja o correto em detrimento dos paradigmas marginais.

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