quarta-feira, 11 de maio de 2011

Como Vencer o Ego


  
A maioria das pessoas é condicionada pelas sociedades às quais pertencem a aplicar rótulos conceituais à
cadeia em constante mutação dos fenômenos mentais e materiais. Por exemplo, quando olhamos atentamente
para uma mesa, ainda a rotulamos, de modo instintivo, como uma mesa apesar dela não ser uma coisa
única, mas algo composto de várias partes diferentes: uma parte superior, as pernas, as laterais, uma parte de
trás e uma parte da frente. Na verdade, nenhuma dessas partes poderia ser identificada como a própria
mesa . Na verdade, mesa foi só um nome que aplicamos a um fenômeno que surge e se dissolve
rapidamente e que meramente produz a ilusão de algo definitivo ou absolutamente real.

Da mesma forma, a maioria das pessoas foi treinada para relacionar a palavra eu a uma cadeia de
experiências que confirmam nosso senso pessoal de nós mesmos ou o que se convencionou chamar de ego .

Sentimos que somos essa entidade singular e única que continua imutável ao longo do tempo. Em geral,
tendemos a sentir que somos hoje a mesma pessoa que éramos ontem. Lembramo-nos de ser adolescentes e
de ir à escola e tendemos a sentir que o eu que somos agora é o mesmo eu que ia à escola, cresceu, saiu
de casa, conseguiu um emprego e assim por diante.

Mas, se nos olharmos em um espelho, podemos ver que este eu mudou ao longo do tempo. Talvez
possamos ver rugas agora que não existiam um ano atrás. Talvez agora estejamos usando óculos. Talvez
tenhamos cabelos de cor diferente ou, quem sabe, não nos tenha restado nenhum fio de cabelo. Em um nível
molecular básico, as células em nossos corpos estão sempre mudando, à medida que as células velhas morrem
e novas células são geradas. Também podemos analisar esse senso de individualidade da mesma forma como
olhamos para a mesa e ver que essa coisa que chamamos de eu na verdade é composta de várias partes
diferentes. Ela tem pernas, braços, uma cabeça, mãos, pés e órgãos internos. Será que podemos identificar
qualquer uma dessas partes separadas como definitivamente o eu ?

Podemos dizer: Bem, minha mão não sou eu, mas é minha mão . Mas a mão é composta de cinco dedos,
a palma e as costas da mão. Cada uma dessas partes pode ser desmembrada em partes ainda menores, como
unhas, pele, ossos e assim por diante. Cada um desses componentes pode ser definido como nossa mão ?
Podemos seguir essa linha de investigação até os níveis atômicos e subatômicos e ainda nos deparar com o
mesmo problema de sermos incapazes de encontrar alguma coisa que possamos definitivamente identificar
como eu .

Assim, independentemente de estarmos analisando objetos materiais, o tempo, nosso eu ou nossa
mente, mais cedo ou mais tarde, atingiremos um ponto no qual perceberemos que a nossa análise não mais se
sustenta. Nesse ponto, nossa busca por algo irredutível finalmente entra em colapso. Nesse momento, quando
desistimos de procurar algo absoluto, experimentamos pela primeira vez a vacuidade, o infinito, a essência
indefinível da realidade como ela é.

À medida que contemplamos a enorme variedade de fatores que devem se unir para produzir um senso
específico de individualidade, nosso apego a esse eu que achamos que somos começa a se desfazer. Ficamos
mais dispostos a abrir mão do desejo de controlar ou bloquear nossos pensamentos, emoções, sensações e
assim por diante, e começamos a vivenciá-los sem dor ou culpa, absorvendo sua passagem como
manifestações de um universo de possibilidades infinitas.

Ao fazer isso, retomamos a perspectiva inocente que
a maioria de nós conhecia quando criança. Nossos corações se abrem para os outros, como flores de
primavera. Tornamo-nos ouvintes melhores, ficamos mais conscientes de tudo o que se passa ao nosso redor e
somos capazes de reagir com mais espontaneidade e adequação a situações que costumavam nos preocupar ou
nos confundir. Aos poucos, talvez em um nível tão sutil que podemos nem reparar que está acontecendo,
vemo-nos despertando para um estado mental mais livre, límpido e afetuoso, com o qual jamais sonharíamos.
Mas é necessário ter muita paciência para aprender a ver essas possibilidades.
Na verdade, é necessário ter muita paciência para ver.

Patrul Rinpoche The Words of My Perfect Teacher , t raduzido p/ o inglês pelo Padmakara Translation Group.



2 comentários:

  1. inda bem que eu consegui entrar...senão coitadinhos dos peixinhos iam morrer de fome..
    por isso nem reclamei..sabia que conseguiria...glubglubglubglub
    lindo fim de semana
    beijuuuu

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  2. hahahaa. Que legal!! Você ficou com saudades deles não é mesmo??

    Pensei que não fosse vê-los mais... snif...

    Um bom fim de semana pra vc tbm.

    Bjuxxxx

    Monstrinho

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