quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Sapo e a Cobra



O Sapo e a Cobra  

Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido deitado no caminho.
- Alô! Que é que você está fazendo estirada na estrada?
- Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha, e você?
- Um sapo. Vamos brincar?
E eles pularam a tarde toda pela estrada.
- Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando pelo tronco.
E eles subiram. Ficaram com fome e foram embora, cada um para sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.
- Obrigada por me ensinar a pular.
- Obrigado por me ensinar a subir em árvore.
Em casa o sapinho mostrou à mãe que sabia rastejar.
- Quem ensinou isto para você?
- A cobra, minha amiga.
- Você não sabe que a família cobra não é gente boa? Eles têm veneno. Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem.
Em casa, a cobrinha mostrou à mãe que sabia pular.
- Quem ensinou isso para você?
- O sapo, meu amigo.
- Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família Sapo?
Da próxima vez, agarre o sapo e... bom apetite! E pare de pular. Nós cobras não fazemos isso.
No dia seguinte, cada um ficou na sua.
- Acho que não posso rastejar com você hoje.
A cobra olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: "Se ele chegar perto, eu pulo e devoro ele". Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato. Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficavam sempre ao sol, pensando no único dia em que foram amigos.


"O Livro das Virtudes"- uma antologia de William J. Bennett
   

2 comentários:

  1. E profunda... Nosso próximo caído na sarjeta ou aquele nós nomeamos como nosso "inimigo" é tão próximo a nós quanto os que vivem na família, na parentela, na roda de amigos, ou na nossa intimidade.

    Mas a sociedade cria separações não é mesmo? "Esta é a minha amada"; "aqueles são meus pais queridos"; "outros, são meus amigos diletos", e, "aqueles além, são os inimigos, os que não nos querem bem".

    E a razão dualista vai criando separativismos: aqui e ali, cobras e répteis; acolá, sapos...

    Bjuxxx,

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