sexta-feira, 8 de abril de 2011

Meditação: teoria, técnicas e prática



Transcrevo aqui um texto de um amigo nosso, com o pseudônimo de "Coronel", sobre a Meditação e sua prática.


É “dentro” de nós que está Deus. Mas, havendo operações, ruídos, “estática”, no aparelho receptor/cérebro, não o sintonizamos. Quando os ruídos do ego se “afastam”, “abrem espaço” que pode ser preenchido pela divindade absoluta.
É isso a meditação: aquietar a mente, cessar todas suas operações e, havendo perseverança nessa condição, podemos perceber aquilo que os místicos perceberam: que somos a própria divindade que em nós habita.




Aquiete o ego, cesse suas ações de pensar, imaginar, esperar, recordar, se emocionar e poderá, se for perseverante, ‘ouvir’ a voz de Deus, ‘sentir’ Deus, ‘tocar’ Deus.
Como disse o iluminado: ‘Aquele que perseverar até o fim será salvo!’.
É isso que a meditação pode fazer: levar para além de nosso nível comum de consciência, além das limitações da mente, para níveis mais elevados de compreensão.



Mas, meditar não é orar em silêncio, pensar ou refletir sobre um tema elevado, no amor ao próximo, nos exemplos de um Mestre, na paz mundial, imaginar ou visualizar isto ou aquilo.
É aquietar o ego. Isso leva tempo, sobretudo para nós, ocidentais. Estamos condicionados a tagarelar o tempo todo. Estamos sempre falando, ouvindo, raciocinando; imaginando o amanhã, lembrando o ontem; julgamos, classificamos, comparamos, dando nomes a tudo que vemos, sem cessar nem quando dormindo. Não gostamos do silêncio. Assista, na TV, a um filme com legenda e tire o som; veja como os outros vão reclamar, mesmo que não precisem do som! E os pequenos rádios que muitos levam enquanto caminham!

Imaginem fazer silêncio mental! A dificuldade é enorme.
Mas, para a percepção do sagrado é necessário esse silêncio. Krishnamurti: “temos de fazer cessar o pensamento e o raciocínio”. Mas, depois de tentativas e tentativas, podemos ter certos instantes de silêncio.




Técnica Zen: sentado (“o mais importante é sentar-se”), sem nada que oprima ou perturbe, atenção ao fluir dos próprios pensamentos. É como se lhes dissesse: “Podem falar, que estou escutando!”. Depois, fique totalmente atento para o pensamento que vai “falar”, que vai nascer naquele instante. Se estiver totalmente atento, verá que nenhum pensamento nasce! Quando estamos totalmente atentos não há pensamentos; e quando não há pensamentos, não há o ‘eu’, o ego deixa de existir; as operações do ego cessam e pode surgir um vazio, um nada; não há nenhuma percepção... E se “perseverar” nesse vazio, de repente, não se sabe quando, nem onde, a coisa pode explodir; a luz chega e, num relâmpago, mostra a Verdade... E, então, você chegou “lá”!...



Outra técnica: atenção total à respiração normal, nenhum esforço. Não fique imaginando o ar entrando e saindo; é, apenas, “sentir” a entrada e a saída do ar pelas narinas. A imaginação é ação do ‘ego’ e exercita o ‘ego’ tornando-o mais forte, quando o que temos de fazer é aquietá-lo.



Outra técnica: livrar a mente de qualquer esforço (esforço reforça o ego); nada de atenção ao pensamento que vai nascer, ou de atenção à respiração ou a um mantra. Apenas sentar-se e permanecer sentado, em completa passividade, sentado sem atenção para nada, sempre sem qualquer esforço, sem qualquer expectativa ou esperança. Sentar-se e deixar que venham os pensamentos, mas não lhes dar qualquer atenção. Deixar que venham e que passem como se fossem nuvens flutuando pelo céu. Apenas isso; não se prender a nenhum; que venham, passem e que vão embora.



Outra; sentar-se; colocar a atenção ou, preferentemente, os olhos na direção da ponta do nariz ou uns palmos à frente dos pés. Esse movimento dos olhos, para baixo, teria a faculdade de levar a um relaxamento maior do corpo, fato que facilita a meditação.
Mantra: uma palavra, duas ou três sílabas suaves, sem consoantes estridentes, sem significação qualquer para você; havendo significado, pode trazer associação de idéias e o ego surge e interfere. Pronunciá-la lenta e mentalmente, suavemente. Ela se torna monótona e pode se “afastar”; traga-a suavemente à memória, sem esforço. Aos poucos, sem que você perceba, os hiatos entre a s repetições do mantra, ou entre as sílabas se tornam mais longos...


Nesses hiatos não há pensamentos, nem ego e tudo pode acontecer...
A única saída da escuridão em que estamos, é ‘aquietar o eu, esquecer o eu’, penetrar numa condição além do eu.
Mais uma coisa: conforme pesquisas científicas com a meditação transcendental, na “tentativa” de meditação o cérebro atinge um máximo de harmonização intra e inter-hemisférios ali pelos dezenove, vinte minutos de procedimento e, portanto, devemos praticar além desse tempo.

3 comentários:

  1. Meditação e Macacos



    Um homem estava interessado em aprender meditação. Foi até um zendo (local de prática meditativa zen) e bateu na porta. Um velho professor o atendeu:

    "Sim?"

    "Bom dia meu senhor," começou o homem. "Eu gostaria de aprender a fazer meditação. Como eu sei que isso é difícil e muito técnico, eu procurei estudar ao máximo, lendo livros e opiniões sobre o que é meditação, suas posturas, etc... Estou aqui porque o senhor é considerado um grande professor de meditação. Gostaria que o senhor me ensinasse."

    O velho ficou olhando o homem enquanto este falava. Quando terminou, o professor disse:

    "Quer aprender meditação?"

    "Claro! Quero muito?" exclamou o outro.

    "Estudou muito sobre meditação?", disse um tanto irônico.

    "Fiz o máximo que pude..." afirmou o homem.

    "Certo," replicou o velho. "Então vá para casa e faça exatamente isso: NÃO PENSE EM MACACOS."

    O homem ficou pasmo. Nunca tinha lido nada sobre isso nos livros de meditação. Ainda meio incerto, perguntou:

    "Não pensar em macacos? É só isso?"

    "É só isso."

    "Bem isso é simples de fazer" pensou o homem, e concordou. O professor então apenas completou:

    "Ótimo. Volte amanhã," e bateu a porta.

    Duas horas depois, o professor ouviu alguém batendo freneticamente a porta do zendo. Ele abriu-a, e lá estava de novo o mesmo homem.

    "Por favor me ajude!" exclamou aflito "Desde que o senhor pediu para que eu não pensasse em macacos, não consegui mais deixar de me preocupar em NÃO PENSAR NELES!!!! Vejo macacos em todos os cantos!!!!"

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  2. Hahaha essa é demais!! Muito boa mesmo!

    Esse é o problema da mente que falávamos lá no email.

    Vou arriscar uma de memória

    Gato Ritual - Complicando o que é simples

    Num certo zendo, o gato do mosteiro fazia tanto barulho que tirava a concentração dos monges na hora da meditação. E o mestre então, mandou que se amordaçasse o gato.

    Anos mais tarde, o mestre morreu, e o gato continuou sendo amarrado na hora da meditação diária.

    Eventualmente,o gato também morreu, e outro gato foi trazido para ser amordaçado durante as práticas daquele grupo de monges.

    E, séculos depois, após ter se extingüido o grupo de monjes, pesquisadores universitários, consultando livros e diários e documentos do mosteiro, fizeram uma Tese de Doutorado: "Da importância de se amordaçar gatos durante a prática da meditação".

    ;)

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  3. SONS INAUDÍVEIS



    Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande Mestre, com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa. Quando o príncipe chegou ao templo, o Mestre o mandou sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta. Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o Mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir. Então disse o príncipe:

    - Mestre, eu pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus...


    E ao terminar o seu relato, o Mestre pediu que o príncipe retornasse à floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do Mestre, pensando:

    - Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta...


    Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao Mestre. Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou:

    - Esses devem ser os sons que o Mestre queria que eu ouvisse...


    E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria Ter certeza de que estava no caminho certo. Quando retornou ao templo, o Mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir.


    Paciente e respeitosamente o príncipe disse:

    - Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite...


    O Mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:

    - Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um."



    Contos Zen Budista

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