sexta-feira, 8 de abril de 2011

Fábula do demônio e de deus à procura do EU



Um deus e um demônio foram aprender a respeito do Eu com um grande sábio: Estudaram com ele durante muito tempo. Por fim, o sábio lhes disse: "Vós mesmos sois o Ser que estais procurando". Ambos pensaram que seus corpos eram o Eu. Voltaram ao seu povo, muito satisfeitos, e disseram: "Aprendemos tudo quanto há para aprender: comei, bebei, e alegrai-vos. Somos o Eu. Nada há além de nós".

A natureza do demônio era ignorante, enevoada, por isso jamais indagou para além daquilo, mas ficou perfeitamente satisfeito com a idéia de que era Deus, de que "Eu" queria dizer "corpo". O deus tinha natureza mais pura. De início, cometeu o erro de pensar: "Eu, este corpo, sou Brama. Por isso, mantenho-o forte e saudável, bem vestido, e ofereço-lhe toda a sorte de prazeres". Dentro de poucos dias, porém, descobriu que não fora aquilo que o sábio, seu mestre, quisera dizer. Deveria haver algo mais alto. Assim, voltou, e disse: "Senhor, ensinaste-me que este corpo era o Eu? Se é assim, vejo todos os corpos morrerem, e o Eu não pode morrer".

O sábio falou: "Descobre: tu és Aquele!" Então, o deus pensou que o sábio se referisse às forças vitais que fazem o corpo trabalhar. Mas, depois de algum tempo, viu que se comesse, as forças vitais permaneceriam fortes, porém, se passasse fome, elas se tornariam fracas. Voltou ao sábio e disse: "Senhor, quereis dizer que as forças vitais são o Eu?" O sábio falou: "Descobre por ti mesmo: tu és Isto!"

O deus mais uma vez voltou para a sua casa, pensando que talvez a mente fosse o Eu. Logo depois, entretanto, viu que os pensamentos eram tão vários, ora bons, ora maus. A mente era mutável. demais para ser o Eu. Voltou ao sábio, e disse: "Senhor, acho que a mente não é o Eu. Foi isso que quisestes dizer?" E o sábio replicou: "Não. Tu és Aquele! Descobre por ti mesmo".

O deus voltou ao lar e finalmente descobriu que ele era o Eu, para além de qualquer pensamento, um, sem nascimento e sem morte, que o ar não podia secar ou a água dissolver; o sem começo e sem fim, o inabalável, o intangível, o onisciente, o Ser onipotente, que não era o corpo ou a mente, mas estava além de ambos. Assim, ficou satisfeito, mas o pobre demônio não obteve a verdade, porque amava demais seu próprio corpo.

O mundo tem grande número dessas criaturas demoníacas, mas tem alguns deuses, também. Se alguém se propõe ensinar qualquer ciência para aumentar a capacidade de sentir prazer, esse alguém encontra multidões prontas para receber seus ensinamentos. Se alguém pretende mostrar a meta suprema, bem poucos o querem ouvir.

2 comentários:

  1. Conta-se que existiu a seguinte passagem na vida de Sidarta Gautama, o Buda, considerado o fundador do budismo, no séc. VI a.C.:

    “Buda estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou.
    – Existe Deus? – perguntou.
    – Existe – respondeu Buda.
    Depois do almoço, aproximou-se outro homem.
    – Existe Deus? – quis saber.
    – Não, não existe – disse Buda.
    No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta:
    – Existe Deus?
    – Você terá de decidir – respondeu Buda.
    – Mestre, que absurdo! – disse um dos seus discípulos. – Como o senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?
    – Porque são pessoas diferentes – respondeu o Iluminado. – E cada uma se aproximará de Deus à sua maneira: através da certeza, da negação e da dúvida.

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  2. Olá!! Quer dizer então que você gosta de contos Zen né??

    Veja esse:

    O Bhudda certa vez contou uma parábola: um homem, encontrou um tigre num campo, e saiu a correr com o tigre em seu encalço, até chegar a uma ribanceira, em que ficou pendurado por uma vinha. Quando olhou para baixo, lá no fundo do precipício, viu outro tigre. Mas, ao olhar para cima novamente, havia dois ratos, um preto e outro branco, roendo a vinha que o sustinha. De repente, o homem viu um lindo morango vicejando. Com uma das mãos segurava a vinha, e com a outra pegou o morango e o comeu.

    Ele disse: "Que delícia"!

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