segunda-feira, 18 de abril de 2011

Auto-conhecimento - Instruções de Nisargatta Maharaj



Esqueça o "eu" e perceba o "Eu".

Aprofunde-se na percepção do “Eu Sou” e você encontrará. Como se encontra algo que você ignora ou se esqueceu? Você o mantém em mente até se lembrar. A percepção de ser, do “Eu sou” é a primeira a emergir. Pergunte-se de onde ela vem ou apenas observe-a em silêncio. Quando a mente permanece no “Eu sou”, sem se mover, você entra em um estado que não pode ser verbalizado, mas pode ser experienciado. Tudo o que você precisa fazer é tentar e tentar novamente.

Eu vejo o que você também poderia ver, aqui e agora, se não fosse o foco errôneo de sua atenção. Você não dá atenção ao Ser. Sua mente está sempre com coisas, pessoas e idéias, nunca com seu Eu. Traga seu Eu para o foco, torne-se consciente de sua própria existência. Veja como você funciona, observe os motivos e resultados de suas ações. Estude a prisão que você, sem querer, construiu ao redor de si mesmo.






Olhe para seu mundo pessoal e suas muitas contradições. Você quer paz, amor, felicidade e trabalha arduamente para criar dor, ódio e guerra; quer viver muito e se empanturra, quer amizade e explora. Veja seu mundo como composto de tais contradições e remova-as – o seu próprio ver os fará ir embora.


Como você faz para conseguir algo que muito deseja? Mantendo sua mente e coração naquilo. Deve haver interesse e constante lembrança. Lembrar-se do que precisa ser lembrado é o segredo do sucesso. Você consegue isso através da seriedade de intenção.


Dê o primeiro passo. Todas as bênçãos vêm de dentro. Volte-se para dentro. O “Eu sou” você conhece. Fique com isto todo o tempo que puder, até que você sempre volte a isso espontaneamente. Não existe caminho mais fácil ou simples.


Somos escravos daquilo que não conhecemos; do que conhecemos, somos senhores. Quaisquer vícios ou fraquezas em nós que conhecemos, descobrimos e entendemos suas causas e seus mecanismos, nós os superamos pelo próprio saber; o inconsciente se dissolve quando trazido à consciência. A dissolução do inconsciente libera energia; a mente sente-se “em casa” e torna-se quieta.


Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento “Eu sou!”. A mente vai se rebelar no começo mas, com paciência e perseverança, ela vai ceder e permanecer quieta.


Esteja alerta. Questione, observe, investigue, aprenda tudo o que puder sobre a confusão, como isso opera, o que faz para você e para os outros. Ao ter clareza sobre a confusão você se liberta dela.


Eliminando os intervalos de desatenção durante as horas de vigília, você vai gradualmente eliminar o longo intervalo de inconsciência que chama de sono. Você, então, estará consciente que está adormecido.


Desapegue-se de tudo aquilo que deixa sua mente inquieta. Renuncie a tudo o que perturba a sua paz. Se você quer paz, mereça-a.


D: De que forma eu perturbo a paz?


M: Ao ser um escravo de seus desejos e medos. Pense clara e profundamente, mergulhe na estrutura de seus desejos e suas ramificações. Eles são uma das partes mais importantes na sua composição mental e emocional e afetam suas ações poderosamente. Lembre-se, você não pode abandonar o que não conhece. Para ir além de si mesmo, você deve conhecer a si mesmo. Você deve se observar continuamente – em particular a sua mente – de momento a momento, sem perder nada. Isso é essencial para a separação do Eu e do não Eu.


Já que é a Pura Consciência que faz a consciência ser possível, existe Pura Consciência em cada estado de consciência. Portanto, a própria consciência de ser consciente já é um movimento dentro da Pura Consciência. O interesse em seu fluxo de consciência leva-o para Pura Consciência.


Quando você entende que nomes e formas são coisas vazias sem qualquer conteúdo e o que é real é sem nome e forma – é pura energia de vida e luz da consciência – você está em paz, imerso no profundo silêncio da realidade.


Realizar o verdadeiro significado da única afirmação que você pode fazer: “ Eu sou”. Apenas mantenha em mente o sentimento “Eu sou”, absorva-se nisso, até que sua mente e sentimento tornem-se um. Perseverando, você vai se deparar com o equilíbrio correto entre atenção e sentimento e sua mente estará firmemente estabelecida no pensamento-sentimento “Eu sou”.


Comece com trabalho desinteressado, “deixando a Deus” o fruto de suas ações; então poderá cessar os pensamentos e, finalmente, os desejos. Desistir dos pensamentos é o fator operacional. Ou não se importe com as coisas que quer, pensa, faz, e apenas permaneça firme no pensamento e sentimento “Eu sou”, mantendo-o firmemente em sua mente. Todo tipo de experiência pode lhe acontecer – permaneça firme na certeza de que tudo que é perceptível é transitório e apenas o “Eu sou” é permanente.


D: Quando olho para dentro de mim, encontro sensações e percepções, pensamentos e sentimentos, desejos e medos, memórias e expectativas. Fico mergulhado nessa nuvem e não consigo ver nada mais.


M: Aquele que vê tudo isso, e o nada também, é o mestre interno. Apenas ele existe; todo o resto apenas parece existir. Ele é seu verdadeiro ser; encontre-o, agarre-se a ele e você estará realizado.


Ver o falso como falso é meditação. Isto deve ser contínuo, o tempo todo.


Vou falar-lhe sobre mim. Eu era um homem simples, mas confiei em meu mestre. Ele disse que me concentrasse no “Eu sou” – assim o fiz. Ele me disse que eu estou além de tudo o que é perceptível e concebível – eu acreditei. Dei a ele meu coração, minha completa atenção e todo meu tempo disponível. Como resultado do esforço dedicado, eu realizei o Ser.


Estabeleça-se na consciência de “Eu sou”. Este é o começo e também o fim de todo o esforço. Para saber o que você é, você deve primeiro saber e investigar o que você não é. E para saber o que você não é, você deve observar-se cuidadosamente, rejeitando tudo o que necessariamente não combina com o fato básico “Eu sou”. Nossa atitude comum é “Eu sou isso”. Separe firmemente o “eu sou” do “isto” e do “aquilo”, e tente sentir o que significa ser, apenas ser, sem ser “isto” ou “aquilo”. Estamos condicionados a pensar que somos “isto” e “aquilo”, e a tarefa de lutar contra isso é, às vezes, longa e árdua, mas o entendimento esclarecido ajuda muito. Quanto mais claramente você entender que no nível da mente você pode ser descrito apenas em termos negativos, mais rapidamente chegará ao fim de sua busca e realizará seu ser ilimitado. Permaneça com o “Eu sou”.


D: Como conseguir isso?


M: A ausência de desejo e de medo o levará lá. O Supremo é fácil de alcançar, pois é o seu próprio ser. É suficiente não desejar nem pensar em nada que não o Supremo, Eu sou.


É erro dizer que isso é difícil e que traz problemas. Ao contrário, sendo erro, essa crença é vazia, e está sempre em busca de confirmação e reconfirmação. Tem medo da inquirição e a evita; identifica-se com qualquer falso dizer que isso é difícil e nocivo. Prende-se a qualquer apoio, por mais fraco e momentâneo que seja. O que quer que consiga, perde, e pede mais.


Mesmo que eu diga que você é apenas testemunha, um observador silencioso, isto não significará nada para você a menos que encontre o caminho para seu próprio ser.


D: Como encontrar o caminho para o próprio ser?


M: Desista de todas as perguntas, exceto “Quem sou eu?” Pois, afinal, o único fato do qual você tem absoluta certeza é que você é. O “Eu sou” é certo. O “eu sou isto” não é. Esforce-se para encontrar o que você é na realidade. Lembrar-se de si mesmo é virtude; esquecer de si mesmo é pecado. O procedimento correto é aderir ao pensamento de que você é o campo de todo conhecimento, a Consciência imutável e perene de tudo o que acontece aos sentidos e à mente. A idéia “Eu sou apenas testemunha” purificará o corpo e a mente e abrirá o olho da sabedoria. Então, o homem vai além da ilusão e seu coração se liberta de todos os desejos.


Por sua própria natureza, o prazer é limitado e transitório. Da dor (insatisfação) nasce o desejo e a busca de alcançá-lo e tudo termina na dor da frustração e do desespero. A dor é o pano de fundo do prazer; toda busca de prazer nasce na dor e termina na dor.


Discriminar e descartar são absolutamente necessários. Tudo deve ser examinado cuidadosamente e o desnecessário deve ser impiedosamente destruído.


Acredite, não haverá destruição em excesso, pois na realidade nada tem valor. Seja apaixonadamente desapaixonado – isto é tudo.


Quando, através da prática da discriminação e desapego, você perder de vista os estados sensorial e mental, o puro ser emergirá como seu estado natural.


Por conhecer o mundo, você se esqueceu do Ser – para conhecer o Ser, você tem de se esquecer do mundo. O que é o mundo, afinal? Uma coleção de memórias. Agarre-se ao que importa, segure-se no “Eu sou” e abra mão de todo o resto. Isto é a prática da sabedoria. Esteja plenamente consciente de seu próprio ser e você estará na bem-aventurança conscientemente. É pelo fato de dirigir sua mente para fora de si mesmo e a fixar naquilo que você não é, que você perde sua tranqüilidade e passa a sofrer.


A individualidade é apenas um obstáculo. A auto-identificação com o corpo pode ser boa para uma criança, mas para a realização você tem de ir além do corpo. Há muitos que tomam uma experiência momentânea pela plena realização e destroem até mesmo o pouco que tinham conseguido, por excesso de orgulho. A humildade e o silêncio são essenciais para um buscador, por mais avançado que seja. Apenas um buscador plenamente amadurecido pode permitir-se completa espontaneidade.


Seja atento, investigue incessantemente. Isto é tudo.


Seja egoísta, mas da maneira correta. Deseje estar bem, trabalhe no que é bom para você. Destrua tudo o que se coloca entre você e a felicidade. Seja tudo – ame tudo – seja feliz – faça feliz.


A memória é material – destrutível, perecível, transitória. Sobre tais frágeis fundações construímos um sentido de existência pessoal, que consideramos real. Essa vaga persuasão: “Eu sou isto e isto” obscurece o estado imutável da Pura Consciência e nos faz acreditar que nascemos para sofrer e morrer.


Liberdade de fazer o que se quer é, na verdade, escravidão; liberdade para fazer o deve, o que é correto, é a real liberdade.


Tudo o que você tem a fazer é ver o sonho, o falso, esta vida, como sonho e como falso.


Se você deseja alguma coisa seriamente, faz uso de cada acontecimento, cada segundo de sua vida para esse propósito. Não desperdiça tempo e energia em outras coisas. É totalmente dedicado, chame a isto vontade, sinceridade, honestidade, atenção, mente focada ou amor. É assim que deve ser a busca.


Encontre o real e permanente no falso e transitório; o real, o “Eu sou” é o único fator constante em cada experiência.


Nada pode bloqueá-lo se você mesmo não permitir, pois isso mostra a falta de seriedade, sem a qual nada pode ser feito.


Comece desassociando-se de sua mente. Resolutamente lembre-se que você não é a mente e que os problemas dela não são seus problemas.


Dê atenção total ao que é mais importante em sua vida – você mesmo. Você é o centro de seu universo pessoal – se não conhecer esse centro, o que mais você pode conhecer?


Para ir além da mente, você deve manter sua mente em perfeita ordem. Você não pode deixar uma bagunça para trás e seguir em frente. A confusão vai lhe puxar para trás. “Recolha seu lixo” parece ser uma Lei Universal. E uma lei justa também.


Apenas lembre-se de você mesmo. “Eu sou” é suficiente para curar sua mente e levá-lo além. Apenas confie um pouco.


Se quiser conhecer sua verdadeira natureza, deve ter a si mesmo em mente todo o tempo, até que o segredo de seu ser lhe seja revelado .


http://obuscadordedeus.blogspot.com/




4 comentários:

  1. AHHH AQUI TÁ COMPLETINHO...
    MUITO BOM....

    OS PEIXINHOS JÁ PARARAM DE CHORAR...

    ResponderExcluir
  2. Daqui a pouco eles terão é que fazer dieta!! rsrs

    Bjuxxx

    ResponderExcluir
  3. A trilha do Bezerro


    Certo dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu pasto. Sendo um animal irracional, abriu uma trilha tortuosa...cheia de curvas...subindo e descendo colinas.

    No dia seguinte, um cão que passava por ali usou essa mesma trilha torta para atravessar a floresta. Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros seguirem pela trilha torta.

    Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam a direita, à esquerda, abaixando-se, desviando-se de obstáculos, reclamando e praguejando até com um pouco de razão . . . mas não faziam nada para mudar a trilha .

    Depois de tanto uso, esta acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em, no máximo, uma hora, caso a trilha não tivesse sido aberta por um bezerro.

    Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo e, posteriormente, a avenida principal de uma cidade .

    Logo, a avenida transformou-se no centro de uma grande metrópole, e por ela passaram a transitar diariamente milhares de pessoas, seguindo a mesma trilha torta feita pelo bezerro centenas de anos antes . . . Os homens têm a tendência de seguir como cegos pelas trilhas de bezerros de suas mentes, e se esforçam de sol a sol a repetir o que os outros já fizeram. Contudo, a velha e sábia floresta ria daquelas pessoas que percorriam aquela trilha, como se fosse um caminho único...sem se atrever a mudá-lo.


    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

    ResponderExcluir

Comente esse texto