sábado, 9 de abril de 2011

Osho: você não é a mente, você é a testemunha que observa a tudo!



Evite esses hipócritas que decidem por você. Tome as rédeas nas suas mãos. Você tem que decidir. Na verdade, é nesse próprio ato de decisão que a sua alma nasce. Quando os outros decidem por você, sua alma continua adormecida e obtusa. Quando você começa a decidir por si próprio, passa a ter perspicácia. A maioria se compõe de idiotas, completos idiotas. Cuidado com a maioria. Se tantas pessoas estão seguindo alguma coisa, isso já e prova suficiente de que ela está errada. A verdade acontece a indivíduos, não a multidões.

O homem nasce como uma semente: ele pode se tornar uma flor ou não. Tudo depende de você, do que faz consigo mesmo. Tudo depende do fato de crescer ou não. A escolha é sua — e essa escolha tem que ser feita a todo momento. A todo momento você se encontra em uma encruzilhada. Sempre que você explora seu potencial, se torna o melhor. Sempre que se desvia dele, continua medíocre. Toda a sociedade se compõe de pessoas medíocres por uma simples razão: ninguém é o que se destinava a ser — é alguma coisa diferente. Sua mente está sempre perguntando: "Por quê? Para quê?"
E qualquer coisa que não tenha resposta para a pergunta "para quê" aos poucos passa a não ter valor para você. E assim que o amor passou a não ter valor. Para que serve o amor? Aonde ele leva você? O que se pode conseguir com ele? Ele vai levá-lo a algum tipo de utopia, a algum paraíso? É claro que, pensando assim, o amor não tem qualquer sentido. Ele é sem sentido. Qual é o sentido da beleza? Você contempla o pôr-do-sol e fica maravilhado. E tão lindo... Mas um idiota qualquer pode vir e perguntar: "Qual o sentido disso tudo?" E você fica sem resposta. Se não existe sentido algum, então por que fazer tanto alarde sobre a beleza?
Uma flor, um quadro, uma música ou uma poesia bonita — eles não têm qualquer sentido. Não são argumentos para se provar nada nem são meios para se atingir um fim. E viver consiste somente nessas coisas que não têm sentido algum. Deixe-me repetir: viver consiste somente nessas coisas que não têm absolutamente sentido, que não têm significado algum — significado no sentido de não ter objetivo, de não levar você a lugar algum, de não o fazer ganhar nada com elas. Em outras palavras, viver é significativo por si mesmo. Esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, viva. Em vez disso, divirta-se! Não analise, celebre!


Tudo o que você vê foi inventado por pessoas espirituosas, não por pessoas sérias. As pessoas sérias vivem voltadas para o passado — elas não param de repetir o passado porque sabem que ele funciona. Elas nunca são inventivas. "Mente contemporânea" é, de certa forma, uma contradição. A mente nunca é contemporânea. Ela é sempre antiga. Mente é passado e nada mais. Mente significa memória. Nenhuma mente contemporânea pode existir. Ser contemporâneo é ser desprovido de mente. Apenas olhe, observe.

O que é a sua mente? O que se quer dizer com a palavra "mente"? No que ela consiste exatamente? Todas as suas experiências, os seus conhecimentos e o passado acumulados — essa é a sua mente. Você pode ter uma mente materialista pode ter uma mente espiritualista, isso não importa nem um pouco.
Mente é mente. A mente espiritual não é menos mente do que a mente materialista. E nós temos que ir além da mente. De Aristóteles a Wittgenstein, milhares de pessoas brilhantes desperdiçaram todo o seu brilho pela simples razão de que tentaram solucionar apenas problemas em vez de se voltarem para a própria raiz de todos eles.

A mente é o único problema. A mente só conhece o conflito. Mesmo quando não há conflito, a mente cria um. Mesmo quando não existe qualquer problema, a mente cria um. A mente não pode existir sem problemas: ela se nutre de problemas. Conflito, luta, desarmonia — e a mente está perfeitamente à vontade e ambientada. Silêncio, harmonia — e a mente começa a ficar com medo, porque harmonia, silêncio e paz são nada mais do que a morte para a mente.

A mente é um robô. O robô tem sua utilidade, e é desse jeito que a mente funciona. Você aprende algo. Quando aprende, de início fica consciente. Por exemplo, quando aprende a dirigir um carro, fica bem alerta, porque sua vida está em perigo. Tem que tomar cuidado com muitas coisas: o volante, a rua, os pedestres, o acelerador, o freio, a embreagem. Tem que prestar atenção em tudo. Há tantas coisas a lembrar que você fica nervoso.
E perigoso cometer um erro, por isso você precisa manter a atenção. Mas, no momento em que aprende a dirigir, essa atenção já não é mais necessária. Então a parte robotizada da mente entra em ação. Isso é o que eu chamo de aprender. Aprender significa que algo está sendo transferido da consciência para o robô. E disso que se trata o ato de aprender. Depois que você aprendeu uma coisa, ela deixa de fazer parte da mente consciente e é enviada para o inconsciente. Agora o inconsciente pode fazê-la. Agora a consciência está livre para aprender outra coisa. Isso é, por si só, extremamente significativo. Do contrário você ficaria aprendendo uma única coisa a vida inteira.

A mente é uma ótima serva, um ótimo computador. Use-a, mas lembre-se de que ela não pode dominar você.
Lembre-se de que tem que continuar sendo capaz de ficar consciente, de que ela não pode tomar posse de você totalmente, de que ela não pode se tornar tudo, de que a porta precisa ser deixada aberta para que você possa sair do robô. Não rejeite a mente — entenda-a. Quando entende algo, você vai além disso — isso fica abaixo de você. A mente tem sua utilidade — uma grande utilidade. Não existiriam qualquer ciência sem a mente, qualquer tecnologia. Todos os confortos do ser humano desapareceriam sem a mente humana.

O homem regrediria para o mundo dos animais ou até para um mundo ainda mais inferior. A mente nos deu muito.
O problema não é a mente. O problema é a sua identificação com ela. Você acha que você é a mente — aí está o problema. Pare de se identificar com a mente. Seja o observador e deixe-a funcionar — sob sua vigilância, seu testemunho, sua observação. Uma diferença radical ocorre por meio da observação. A mente funciona com muito mais eficácia quando você a observa, porque todo o lixo é descartado e ela não precisa carregar um peso desnecessário — fica leve.

E quando você se torna um observador, a mente também pode ter algum descanso. Do contrário, durante toda a vida a mente trabalha, dia após dia, ano após ano. Ela só pára quando você morre. Isso cria uma fadiga profunda, uma fadiga mental.


Agora os cientistas estão dizendo que até os metais se cansam — existe a chamada "fadiga do metal". Então o que dizer da mente, que é extremamente sutil, que é tão delicada? Trate-a com cuidado. Mas continue à distância, indiferente, desapegado. Quando escreve, você não se torna a caneta, embora não possa escrever sem ela. Uma boa caneta é essencial para uma boa escrita. Se você começar a escrever com os dedos, ninguém entenderá o que escreveu, nem mesmo você, e será muito primitivo. Mas você não é a caneta e a caneta não é o escritor, é só um instrumento para escrever.
A mente não é o mestre, mas só um instrumento nas mãos do mestre. Treinar a mente para a concentração é muito difícil: ela se revolta e continua a recair em antigos hábitos. Você a segura novamente e ela escapa. Você a leva para o assunto no qual estava concentrado e, de repente, descobre que ela está pensando em outra coisa — já até esqueceu em que estava concentrado. Não é uma tarefa fácil. Mas colocá-la de lado é algo extremamente fácil — não é nada complicado.

Tudo o que você tem que fazer é observar. Seja o que for que esteja passando na sua cabeça, não interfira, não tente detê-la, Não faça nada: qualquer coisa que fizer vai virar uma disciplina. Então não faça absolutamente nada. Só observe. O que há de mais estranho sobre a mente é que, se você se tornar um observador, ela começa a desaparecer. Assim como a luz dispersa a escuridão, a atenção plena dispersa a mente, seus pensamentos, toda a sua parafernália.
Intelecto é pensamento.

A consciência é descoberta em um estado de não-pensamento: no silêncio total em que nenhum único pensamento causa perturbação . Nesse silêncio você descobre seu próprio ser — ele é tão vasto quanto o céu. E conhecê-lo é entrar em contato com algo que realmente vale a pena. De outra maneira, todo o seu conhecimento é lixo. Seu conhecimento pode ser útil, mas não vai ajudá-lo a transformar o seu ser. Ele não pode lhe trazer satisfação, contentamento, iluminação, a ponto de você poder dizer: "Estou em casa." Seus pensamentos não são você. Existe um tráfego constante. Na sua tela mental, tantos pensamentos estão passando, mas você não é um deles. Você é a testemunha, está de fora. Está vendo esses pensamentos passarem. Nada que possa ver pode ser você. Esse deve ser o critério: nada que testemunhe pode ser você.
Você é a testemunha.

3 comentários:

  1. Olá Renato. Quanto ao meu blog, repito: a casa é nossa. Estarei também acompanhando a sua visão aqui. Vez por outra, colocarei o ponto de vista de alguns outros autores (não para contrariar, mas sim para compartilhar outros posicionamentos).

    Nesse contexto (como atualmente retornei ao volume básico do rosacrucianismo de Heindel), gosstaria de transcrever o seguinte trecho:

    [...]
    Nessa Revolução, os Arcanjos (a humanidade do Período Solar) e os Senhores da Forma encarregaram-se da reconstrução do corpo de desejos, mas não estavam sozinho nesta tarefa. Quando se deu a separação do Globo em duas partes, houve uma divisão similar nos corpos de desejos de alguns dos seres evolucionantes. Já indicamos que, ao dar-se essa divisão, a forma estava pronta para converter-se em veículo de um espírito interno.
    Com o objetivo de levar mais adiante esse propósito, os Senhores da Mente (a humanidade do Período de Saturno) cuidaram da parte mais elevada do corpo de desejos e nela implantaram o “eu” separado, sem o qual o homem do presente, com suas gloriosas possibilidades não teria podido existir.
    Assim, na última parte da Revolução Lunar, o primeiro germe da personalidade separada foi implantado na parte superior do corpo de desejos pelos Senhores da Mente.
    Os Arcanjos foram ativos na parte inferior do corpo de desejos, dando-lhe desejos puramente animais. Também trabalharam sobre o corpo de desejos, que não estavam divididos. Alguns destes Arcanjos converteram-se em espíritos-grupo dos animais, e agem sobre eles, de fora, nunca penetrando de todo nas formas animais, ao passo que o espírito separado o faz de dentro do corpo humano.
    Durante o Período Terrestre foi reconstruído o corpo de desejos, a fim de torná-lo apto para ser interpenetrado pelo mente germinal. Este trabalho efetuou-se em todos os corpos de desejos que admitiram a divisão já mencionada.
    [...]
    "Conceito Rosacruz do Cosmos" - "A Revolução Lunar do Período Terrestre" - pág. 195

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  2. é incrivelmente sábia e fantástica a maneira como Osho usa as palavras,seu entendimento e esclarecimento sobre assuntos relacionados ao intelecto vão muito além de qq psicologia. Seus ensinamentos são chaves, abrem portas e mudam uma vida.. parabéns pelo blog!!!

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  3. Obrigado Monique, seja sempre bem-vinda!

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