quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Armadilha de Maya


Certa vez, Narada (um grande sábio) disse a Krishna: "Senhor, mostre-me Maya (Ilusão Cósmica)". Alguns dias se passaram e Krishna convidou Narada para um passeio pelo deserto e, depois de andarem algumas milhas, Krishna disse: "Narada, estou com sede; você pode trazer-me um pouco d'água?" "Partirei imediatamente, senhor, para buscar sua água." Assim, Narada partiu.




Não muito longe havia uma aldeia; entrou nela à procura de água e bateu numa porta, que foi aberta por uma linda mocinha. Ao vê-la, ele se esqueceu, imediatamente, que seu Mestre esperava pela água, talvez morrendo de sede. Esqueceu tudo e começou a conversar com a moça. Decorrido o dia todo, ele não voltou ao seu Mestre. No dia seguinte, lá estava ele de novo a conversar com a mocinha. A conversa transformou-se em amor; ele pediu a garota em casamento e eles se casaram e tiveram filhos. Passaram-se assim doze anos. Seu sogro faleceu e ele herdou sua propriedade. Vivia, como pensava, uma vida muito feliz com sua esposa e filhos, com seus campos e o gado e assim por diante. Então, houve uma enchente. Certa noite, o rio encheu-se até transbordar e inundar toda a aldeia. As casas caíram, homens e animais foram arrastados e afogados e tudo flutuava na violência da torrente. Narada teve de fugir. Com uma das mãos segurava sua mulher e com a outra dois de seus filhos; outro filho estava em seus ombros e ele tentava atravessar aquela tremenda inundação. Após dar alguns passos, viu que a corrente estava forte demais e a criança que estava em seus ombros caiu e foi carregada pelas águas. Narada soltou um grito de desespero. Ao tentar salvar a criança, largou uma das outras, que também se perdeu. Finalmente, sua mulher, que ele agarrara com toda sua força, foi arrebatada pela torrente e ele foi arremessado às margens, chorando e soluçando com amargas lamentações.


Atrás dele surgiu uma voz delicada: "Meu filho, onde está a água? Você foi procurar um bocado d’água e estou esperando por você. Já faz meia-hora que você partiu." "Meia-hora!", exclamou Narada. Doze anos tinham se passado em sua mente e todas essas cenas aconteceram em meia hora! É isto que é Maya. 

2 comentários:

  1. Sem dúvida, essa é a concepção de misticos e sábios, e essa armadilha é a vida q, conforme creem determinadas religiões, Deus nos impôs.

    ‘A busca é provocada pela ânsia de felicidade do homem e de sua procura de um meio de escapar da armadilha que é a vida.
    Não é sua culpa se ele supõe que a solução para a sua profunda insatisfação reside numa vida sensual ou nas realizações profissionais ou do mundo social, ou ainda em uma vida de experiências excitantes. Tampouco é culpa sua se a vida, em geral, não é bastante longa para ensinar-lhe, concretamente, que ele encontraria uma desilusão ainda maior e mais profunda se esses objetivos fossem satisfeitos por completo.
    O homem é impelido a essa busca pela desilusão (desencanto) com as coisas mundanas que o fascinam e das quais não consegue afastar o pensamento. Empenha-se o quanto pode em alcançar os prazeres dos sentidos e em evitar todos os tipos de sofrimento.
    Mas, enquanto ele atravessa dias, meses e anos das mais variadas experiências, surge, com freqüência, uma ocasião em que ele começa a questionar: ‘Qual a finalidade de tudo isso?’ E, incapaz de se contentar com as coisas transitórias da vida, questionando, ele se torna totalmente cético em relação aos valores habituais que até então aceitava sem hesitação.
    E, nesse desespero, o homem toma a decisão de descobrir e compreender o propósito da vida. É então que ele principia a verdadeira busca, a busca dos prazeres duradouros (Baba).
    ..............

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  2. Obrigado pelo comentário, Coronel. Maya é o mundo material, com seus conceitos de certo e errado, feio e bonito, bom ou mal. Creio que Krishna e Narada trata-se do Espírito (ou EU SUPERIOR, se quiser) conversando com o ego, respectivamente, como no Bhagavad Gita. A pergunta de Narada "Mestre, mostre-me Maya", representa a ignorância do espírito, ainda não conectado ao seu EU SUPERIOR, desejoso de experiências que lhe facultem o conhecimento de coisas novas e/ou a desmistificação da ilusão. O buscar água no deserto é demandar a reencarnação. O encontro com a mocinha e a felicidade material que ele vive, mas que depois é destruída, é o próprio Maya, e quando o "mestre" aparece perguntando "cadê a água meu filho', é ele mesmo tomando consciência de que escolheu uma prova fácil, e que portanto a reencarnação não lhe serviu de nada. É somente quando o espírito pede uma prova mais forte - em que a Vida bate nele de maneira mais contundente - que ele toma consciência do que é maya. Você diz que "é a vida que faz de nós o somos". Contudo, se cada espírito é mais ou menos livre para escolher o gênero de provas, a quem ele vai culpar se a vida o "ludibriou" com a promessa de uma felicidade sem fim, e que no final, deu em sofrimento e angústia? A encarnação é uma aventura, mas é uma aventura perigosa. O duro mesmo é quando um espírito ainda guarda consigo o cetro da autoridade, e os espíritos mais sábios dizem que o gênero de provas correto para ele, é ser um advogado, um delegado de polícia ou um juiz de direito. Faz sentido: se ele está no mundo espiritual e crê que ele é poderoso, que ele recebe ordens, mas por outro lado ele tbm manda, então ele tem que enfrentar Maya. Se ele fracassa novamente, há outras opções, como pedir para não ter poder na carne. O mais interessante é que FAZ PARTE o mundo ser como é. Você já percebeu que se nós não nascêssemos crianças, ou seja, se não tivesse a infância, seria impossível saber o que é Maya? O objetivo da encarnação é o espírito adquirir AUTO-PODER (= iluminação), ou seja, é ele ter o domínio completo sobre si mesmo, e esse domínio inclui não se submeter às exigências dos valores e normas do mundo material. Quanto mais difícil for a prova, melhor para o espírito. Se você passa por uma prova difícil agradeça a você mesmo, ou a deus se quiser. Há muitos espíritos torcendo para você sucumbir na prova, mas há muitos outros também trabalhando arduamente, assistindo de perto àqueles que lutam para vencer a prova. Quando um espírito vence uma prova, ele não traz ensinamentos só para ele próprio, mas ele se torna um "livro vivo", uma "ciência prática", que poderá servir de subsídios para outros espíritos possam mergulhar na carne e vencer a si próprios, vencer as fraquezas que adquiriram na própria carne. De que é a culpa nisso tudo? Não pensemos nisto: se há um desafio a ser superado, então o que importa é manter a concentração na superação desse desafio, sem pensar em culpas e culpados. Namastê, amém, que assim seja!

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