sábado, 9 de abril de 2011

Antropologia do Conhecimento e Filosofia Oriental: a impossibilidade do conhecimento pelo Espírito Humanizado





É possível o conhecimento? - pergunta básica de Michel de Montaigne à Descartes e Kant!

A Realidade Objetiva é Deus e o Mundo dos Espíritos, segundo a Doutrina Espírita (Introdução de O Livro dos Espíritos, Item 6). Vejam que interessante essa citação de Bachelard: "Nos primeiros tempos do espírito científico, foi construída uma razão à imagem do mundo; mas hodiernamente, a razão constrói um mundo à sua imagem e semelhança" .



Quer dizer, até Descartes, as percepções que se tinham do mundo, eram aquelas baseadas no testemunho dos sentidos. Assim, os filósofos e cientistas pré-socráticos olhavam para o Sol e diziam: "do tamanho de um prato", assim como os aristotélicos - e isso até Galileu e Johannes Kepler - viriam a dizer que as "estrelas fixas" eram pontinhos luminosos no céu. Não havia então uma linguagem construída de maneira tão requintada, a ponto de separar do signo, significado e significante (Ferdinand Saussure). Depois da Revolução Científica do Século XVII, privilegia-se a razão.

E hoje sabe-se não só que o Sol é uma estrela muito maior do que se pensava, mas que, em relação às chamadas anteriormente "estrelas fixas", é muito menor que estas. Vejam então que, a razão parou de olhar o mundo e testemunhá-lo a partir dos sentidos, e a partir da poderosa construção simbólica, a partir da poderosa lógica matemática passou a interpretar a realidade, desprezando o testemunho dos sentidos, porque os sentidos enganam, só a razão pode conhecer (Descartes). Na verdade, nem uma, nem outra pode conhecer a "realidade objetiva".

A razão apenas, valendo-se do poderoso simbolismo matemático retira a personalidade dos fenômenos e com isso, confere um significado que seja interpretável e decodificável a partir de sua própria lógica. Assim, ela não constrói apenas uma explicação para a realidade, mas lhe confere um sentido e uma lógica. Não que Einstein estava errado ao formular a Teoria da Relatividade. Pois que, primeiro ele formulou a teoria, e somente depois uma equipe chefiada por Sir Arthur Eddington foi a Sobral - CE medir, durante um eclipse, a curvatura dos raios de luz de uma estrela, que segundo Einstein deveria sofrer ligeiro desvio devido à massa do Sol, o que foi constatado pela equipe de Eddington, em 1919.

É como encontramos na própria Doutrina Espírita: há um bom conhecimento do funcionamento das coisas do mundo material. Mas do ponto de vista do mundo espiritual não se sabe nada, a ciência não sabe nada. Isso é complicado, mas é simples também: se a personalidade (ego) existe para criar as provas para o Espírito, então a comunidade científica sendo uma "personalidade coletiva" só poderá estudar a ilusão, ou seja, ela sempre irá interpretar um fenômeno à luz dos atributos da própria razão e dos preconceitos, valores e normas vigentes na sociedade. Ela não consegue movimentar-se fora desse âmbito.

O pensamento pois, a razão gera a ilusão. A ciência contemporânea é apenas uma forma sofisticada de se gerar ilusões uma vez que, ela estudando o ser humanizado, e acreditando que ele é real, passa ao largo da Realidade Absoluta, ou a realidade objetiva, que seria o Espírito.

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