sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Guardador de Rebanhos


Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.


Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.


Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,


Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


"O Guardador de Rebanhos", IN: "Poemas Completos de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Equanimidade

  

 
Durante as guerras civis na China feudal, um exército invasor poderia facilmente dizimar uma cidade e tomar controle. Numa vila, todos fugiram apavorados ao saberem que um general famoso por sua fúria e crueldade estava se aproximando. Todos excepto um mestre Zen, que vivia afastado.Quando chegou à vila, seus batedores disseram que ninguém mais estava lá, além do monge. O general foi então ao templo, curioso em saber quem era tal homem. Quando ele lá chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria.


"Seu tolo!!" ele gritou enquanto desembainhava a espada, "não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?"

Mas o mestre permaneceu completamente tranquilo.
"E você percebe," o mestre replicou calmamente, "que você está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?"

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Menino Jesus



Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.


O que é o Zen - Teoria e Prática da Meditação Zen


O que é o Zen?


O Zen não é decididamente um sistema fundado na lógica e na análise. É algo antípoda da lógica e do modo dualístico de pensar. Pode haver um elemento intelectual no Zen, pois ele é a mente total onde encontramos muitas grandes coisas. Mas a mente não é um composto, que deva ser dividido em tantas faculdades, nada deixando após a dissecação. O Zen nada tem a ensinar, no que diz respeito à análise intelectual, nem impõe qualquer conjunto de doutrinas aos seus seguidores. A esse respeito, o Zen é caótico, se assim o quiserem chamar. Seus adeptos podem formular conjuntos de doutrinas, formulando-os porém por sua conta e para benefício próprio, e não do Zen. Portanto, não há, no Zen, livros sagrados ou assertivas dogmáticas, nem qualquer fórmula simbólica através da qual se obtenha um acesso à sua significação. Se me perguntassem o que ensina o Zen, responderia que ele nada ensina. Qualquer ensinamento que exista no Zen vem mediante nossa própria mente. Ensinamo-nos a nós mesmos. O Zen meramente aponta o caminho. A menos que consideremos este apontar como um ensinamento, nada há no Zen propositadamente estabelecido como doutrinas cardeais ou filosofia fundamental.


sábado, 23 de abril de 2011

Você Está Preparado Para a Vinda do Reino de Deus?

Pai Joaquim - O porquê dos humanos estarem "surtando"

O porquê dos humanos estarem "surtando", pelo Espírito Pai Joaquim de Aruanda

Ciência e Espiritismo: a descoberta da matéria-escura e a física quântica



Em 1933, o astrofísico e astrônomo suíço Fritz Zwicky, do Instituto da Califórnia fez uma importante descoberta: a partir de cálculos matemáticos, descobriu-se que a velocidade orbital das estrelas situadas na orla das galáxias apresentavam uma velocidade muito maior do que a esperada, denotando que, o centro da galáxia não tinha força gravitacional suficiente para fazer com que tais estrelas permanecessem coesas no sistema. A questão era: "por que elas não saem pela tangente, ou seja, voando pelo espaço afora?" A única resposta plausível era supor um acréscimo de MATÉRIA INVISÍVEL e indetectável pelos instrumentos de observação, fora da galáxia. E esta é a origem da MATÉRIA ESCURA, e posteriormente, da ENERGIA ESCURA.


A Psicologia dos Evangelhos Segundo Friedrich Nietzsche




           Em toda a psicologia dos Evangelhos os conceitos de culpa e punição estão ausentes, e o mesmo vale para o de recompensa. O “pecado”, que significa tudo aquilo que distancia o homem de Deus, é abolido – essa é precisamente a “boa-nova”. A felicidade eterna não está meramente prometida, nem vinculada a condições: é concebida como a única realidade – todo o restante não são mais que sinais úteis para falar dela.


Concentração



Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro.
O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro.
"Sim!", ele exclamou para o velho arqueiro, "Veja se pode fazer isso!"

Máscaras de Deus



Máscaras de Deus!


Nesse momento crucial em que as teorias científicas e a razão ocidental perde o fôlego, sucumbida nos seus esforços incansáveis de perscrutar o mundo e o universo EXTERIOR, a Filosofia Oriental resgatada, de um lado pelos seus adeptos na internet, e de outro, pela Antropologia do Conhecimento, cujos estudos já estão formalizados na cátedra, vem figurar à conta de "ciência desconhecida" e incompreendida pela mentalidade ocidental. Ciência essa, que têm os seus métodos, e, à maneira das exigências de Testabilidade e Comprovação Experimental, por parte da ciência ocidental, esse Mundo Interior renegado pela ciência do ocidente, pode ser conhecido e experimentado. E não só isso: os experimentos, podem ser repetidos por outros.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Armadilha de Maya


Certa vez, Narada (um grande sábio) disse a Krishna: "Senhor, mostre-me Maya (Ilusão Cósmica)". Alguns dias se passaram e Krishna convidou Narada para um passeio pelo deserto e, depois de andarem algumas milhas, Krishna disse: "Narada, estou com sede; você pode trazer-me um pouco d'água?" "Partirei imediatamente, senhor, para buscar sua água." Assim, Narada partiu.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O Silêncio Interior


Luzes de Nisargadatta Maharaj - Advaita Bodha Deepika 

M = Mestre
D = Discípulo

M: Sábio filho, abandone a mente – o atributo limitador que origina a individualidade, assim causando a grande enfermidade de repetidos nascimentos e mortes – e realize Brahman.

D: Mestre, como se pode extinguir a mente? Não é muito difícil? Não é a mente muito vigorosa, inquieta e sempre vacilante? Como se pode renunciar à mente?

M: Abandonar a mente é muito fácil, tão fácil quanto amassar uma flor delicada, tirar um fio de cabelo da manteiga ou piscar os olhos. Não tenha dúvida. Para um buscador resoluto, senhor de si e não enfeitiçado pelos sentidos, que pelo intenso desapaixonamento se tornou indiferente aos objetos externos, não pode haver a menor dificuldade em abandonar a mente.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Fazendeiro, o Filho e o Burro


Um fazendeiro e seu filho viajavam para o mercado, levando consigo um burro. Na estrada, encontraram umas moças salientes, que riram e zombaram deles:
- Já viram que bobos? Andando a pé, quando deviam montar no burro?

O fazendeiro, então, ordenou ao filho:
- Monte no burro, pois não devemos parecer ridículos.
O filho assim o fez.


Sempre foi assim...



Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, quando um macaco fazia menção de subir a escada, os outros o pegavam e o enchiam de pancada. Após mais algum tempo, nenhum macaco queria subir a escada, apesar da tentação das bananas.


Um dia, substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que o calouro fez foi tentar subir a escada, mas foi impedido pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo desistiu de subir a escada.


Um segundo macaco foi substituído e o mesmo ocorreu, sendo que o primeiro substituto participou com entusiasmo da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu.
Um quarto e afinal o ultimo dos veteranos foi substituído.
Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo sem nunca ter tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Auto-conhecimento - Instruções de Nisargatta Maharaj



Esqueça o "eu" e perceba o "Eu".

Aprofunde-se na percepção do “Eu Sou” e você encontrará. Como se encontra algo que você ignora ou se esqueceu? Você o mantém em mente até se lembrar. A percepção de ser, do “Eu sou” é a primeira a emergir. Pergunte-se de onde ela vem ou apenas observe-a em silêncio. Quando a mente permanece no “Eu sou”, sem se mover, você entra em um estado que não pode ser verbalizado, mas pode ser experienciado. Tudo o que você precisa fazer é tentar e tentar novamente.

Eu vejo o que você também poderia ver, aqui e agora, se não fosse o foco errôneo de sua atenção. Você não dá atenção ao Ser. Sua mente está sempre com coisas, pessoas e idéias, nunca com seu Eu. Traga seu Eu para o foco, torne-se consciente de sua própria existência. Veja como você funciona, observe os motivos e resultados de suas ações. Estude a prisão que você, sem querer, construiu ao redor de si mesmo.



A Águia que Foi Criada Com as Galinhas



Conta-se que uma águia foi criada pelas galinhas. Cresceu com os pintainhos e sempre agiu como as outras aves do galinheiro. Embora nos seus sonhos mais profundos ansiasse por algo diferente, atirava-os para trás das costas. Estava acostumada e conformada com a sua existência.

Um dia um naturista soube do caso e resolveu libertar a águia. Dizia à águia:
- Vôa, vôa livre, vôa!
Mas, espantado, confirmou que a ave insistia em fazer e ter o que fazem e têm as galinhas. Contudo, não desistiu. Levou-a para cima do telhado e disse:
- És uma águia, abre as asas, vôa!

Confusa e amedrontada a águia correu para o galinheiro.
Pacientemente, no dia seguinte o naturista levou a águia a uma montanha. Longe de tudo e de todos, levou-a a grandes alturas. Ergueu-a bem alto, apontou para o horizonte e sussurrou-lhe:
- Vê ! O céu é teu Abra as asas e vôa!
E impulsionou o animal para cima. A rainha dos pássaros ao receber aquele encorajamento sentiu um tremor. Olhou para o galinheiro, tão distante, e para o céu. Percebeu que diante de si havia outras possibilidades. Mas não levantou vôo.

Numa derradeira tentativa, o naturista colocou-a na direcção do sol. Maravilhada por aquele esplendor, sentindo um delicioso tremor tomar conta de si a águia abriu as asas, emitiu um sonoro crocitar e levantou vôo. Seu primeiro vôo de Liberdade!



sábado, 16 de abril de 2011

Deus em Nós - O que é a Meditação Afinal? - Praticando o Espiritualismo


Bom, depois de tantas postagens, a partir de diversos autores, textos, poemas, comentários, chega um pouco de teoria não é mesmo?

O que é a Meditação afinal? Como se pratica o desapego? Desapego de que? Será vender tudo o que temos e dar aos pobres? Pois, esta foi a idéia errônea e deturpada que o Cristianismo nos legou.

Pois que, o desapego que devemos ter é precisamente das idéias. Tais idéias e pensamentos continuam fluindo o tempo todo em nossa mente, e geram, não raro, estados de ânimo diversos como pré-ocupação, ansiedade, alegria, sentimentos de culpa, indecisão, desejos, desânimo, vontades, ódios ressentidos, sentimentos de vingança, de ternura, e principalmente o medo: medo de perder o que temos, medo de não mais termos o status social de que desfrutávamos, medo de perder o nosso amor, a nossa posição dentro da empresa, medos... Medo de tentar, medo de fracassar, medo disso ou daquilo.

Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada


Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada - Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) 
 
                       Há metafísica bastante em não pensar em nada.
                       O que penso eu do mundo?

                       Sei lá o que penso do mundo!
                       Se eu adoecesse pensaria nisso. 

 
                       Que idéia tenho eu das cousas?
                       Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
                       Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
                       E sobre a criação do Mundo?

 
                       Não sei.  Para mim pensar nisso é fechar os olhos
                       E não pensar. É correr as cortinas
                       Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 


                       O mistério das cousas?  Sei lá o que é mistério!
                       O único mistério é haver quem pense no mistério.
                       Quem está ao sol e fecha os olhos,

Como se deve evitar a excessiva familiaridade - Tomás de Kempis







Imitação de Cristo - Tomás de Kempis
CAPÍTULO 8 -  Como se deve evitar a excessiva familiaridade
1- Não abras teu coração a qualquer homem (Eclo 8,22); mas trata de teus negócios com o sábio e temente a Deus. Com moços e estranhos conversa pouco. Não lisonjeies os ricos, nem busques aparecer muito na presença dos potentados. Busca a companhia dos humildes e simples, dos devotos e morigerados, e trata com eles de assuntos edificantes. Não tenhas familiaridade com mulher alguma; mas, em geral, encomenda a Deus todas as que são virtuosas. Procura intimidade com Deus apenas, e seus anjos, e foge de seres conhecidos dos homens.

2- Caridade se deve ter para com todos; mas não convém ter com todos a familiaridade. Sucede, freqüentemente, gozar de boa reputação pessoa desconhecida que, na sua presença, desagrada aos olhos dos que a vêem. Julgamos, às vezes, agradar aos outros com a nossa intimidade, mas antes os aborrecemos com os defeitos que em nós vão descobrindo.


Duas Interpretações a Respeito do Ego



AS DUAS INTERPRETAÇÕES A RESPEITO DO EGO - Joseph Campbell, IN: "As Máscaras de Deus"


O termo indiano yoga deriva tia raiz verbal sânscrita yuj, "ligar, juntar ou unir", etimologicamente relacionada com "emparelhar" — uma canga de bois — e é, em certo sentido, análoga à palavra "religião" (latim re-ligio), "ligar de volta ou atar". O homem, a criatura, é ligado de volta a Deus pela religião. Entretanto, a religião, religio, refere-se a uma vinculação historicamente condicionada por meio de uma aliança, sacramento ou livro sagrado, enquanto a ioga é a vinculação psicológica da mente com o princípio superior "pelo qual a mente conhece".21 Além do mais, na ioga o que é unido é, finalmente, o Si-Próprio consigo mesmo, consciência com consciência; pois o que parecia, através da māyā, ser dois, na realidade não é assim; ao passo que na religião, o que se une são Deus e o homem, que não são a mesma coisa. Nas religiões populares do Oriente, entretanto, os deuses são adorados como se fossem exteriores a seus devotos e são observados todos os ritos e regras de uma relação convencionada.

Em outras palavras, a maturidade espiritual, conforme entendida no moderno Ocidente, requer uma diferenciação entre o ego e o id, enquanto no Oriente, ao longo de pelo menos toda a história de todas as doutrinas que provieram da Índia, o ego (aham-kāra: "a emissão do som 'Eu'") é impugnado como o princípio da ilusão libidinosa, a ser dissolvida.

Somos todos "máscaras de Deus"





Somos “máscaras” de Deus.

 

 Soa estranho dizer que somos a própria divindade. Mas, é o que os místicos e os iluminados sempre afirmaram, como também Jesus também ao dizer “eu e o Pai somos um”. As grandes tradições místicas orientais ensinam que somos apenas “máscaras de Deus”. Que somos, biologicamente, fisicamente, diferentes uns dos outros; diferentes na aparência, no modo de ser, mas que dentro de nós está o próprio Deus, único ator neste mega-drama universal que é a nossa vida de todos os dias.
         

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Espiritismo e Ciência Política - As Origens da Sociedade e da Família: um estudo sociológico à luz de Kardec e da Teoria Política Clássica




AS ORIGENS DA SOCIEDADE E DA FAMÍLIA



 Como surge e se organiza uma sociedade??


Um dos aspectos culturais pelos quais faz uma sociedade se originar e coexistir é o incesto. Se não houvesse o incesto (proibição de sexo dentro da família ou mesmo grupo consangüíneo), haveria disputas sexuais dentro da família; assim, num primeiro momento não existiria esta.

Supõe-se que os primeiros humanóides se reuniram em famílias, e posteriormente em pequenos grupos para se defenderem de grupos rivais. A constituição de uma família tem lá as suas vantagens: o homem pode construir uma habitação e com isso proteger a sua prole; pode estar sempre perto de sua companheira e dos filhos, e, é dentro da família pois, que se dá o princípio do exercício do poder, em que a força física do macho determina as relações familiares.


O que é o Poder

Há várias definições e conceituações sobre o Poder: “posse dos meios pelos quais se exerce a coação física com vistas a certos fins” (Hobbes); “conjunto de meios pelos quais domina-se outrem, com certos fins, mesmo contra a vontade deste” (Max Webber) e outras definições mais.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Divindade dos Homens


Houve um tempo em que todos os homens eram deuses. Mas eles abusaram tanto de sua divindade que Brahma, o mestre dos deuses, tomou a decisão de lhes retirar o poder divino. Resolveu então escondê-lo em um lugar onde seria absolutamente impossível reencontrá-lo.
O grande problema era encontrar um esconderijo. Brahma convocou um conselho dos deuses menores, para juntos resolverem o problema.

- Enterremos a divindade do homem na terra, foi a primeira ideia dos deuses.
- Não, isso não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la.
Então os deuses retrucaram:
- Joguemos a divindade no fundo dos oceanos.

Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem, um dia iria explorar as profundezas dos mares e a recuperaria. Então os deuses concluíram:
- Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar que o homem não possa alcançar um dia.

Brahma então se pronunciou:
- Eis o que vamos fazer com a divindade do homem: vamos escondê-la nas profundezas dele mesmo, pois será o único lugar onde ele jamais pensará em procurá-la.
Desde esse tempo, conclui a lenda, o homem deu a volta na terra, explorou escalou, mergulhou e cavou, em busca de algo que se encontra nele mesmo.

Lenda Sioux da Águia e do Falcão



Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo ...


- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem.
- E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?


E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...

Tomás de Kempis - Do Amor à Solidão e ao Silêncio



CAPÍTULO 20
Do amor à solidão e ao silêncio
  1. Procura tempo oportuno para cuidar de ti e relembra a miúdo os benefícios de Deus. Renuncia às curiosidades e escolhe leituras tais, que mais sirvam para te compungir, que para te distrair. Se te abstiveres de conversações supérfluas e passeios ociosos, como também de ouvir novidades e boatos, acharás tempo suficiente e adequado para te entregares a santas meditações. Os maiores santos evitavam, quando podiam, a companhia dos homens, preferindo viver com Deus, em retiro.
  2. Disse alguém: "Sempre que estive entre os homens menos homem voltei" (Sêneca, Epist. 7). Isso experimentamos muitas vezes, quando falamos muito. Mas fácil é calar de todo, do que não tropeçar em alguma palavra. Mas fácil é ficar oculto em casa, que fora dela ter a necessária cautela. Quem, pois, pretende chegar à vida interior e espiritual, importa-lhe que se afaste da turba, com Jesus. Ninguém, sem perigo, se mostra em público, senão quem gosta de esconder-se. Ninguém seguramente fala, senão quem gosta de calar. Ninguém seguramente manda, senão o que perfeitamente aprendeu a obedecer.

Quanto você vale?



O aluno e anel de ouro




- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
 



O professor, sem olhá-lo, disse:
- Sinto muito meu jovem, mas não posso te ajudar, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois. 



E fazendo uma pausa, falou:
- Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa te ajudar.



- C...claro, professor, gaguejou o jovem, que se sentiu outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor.



O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao garoto e disse:

Evolução do Espírito: existe mesmo?



A FÁBULA DOS DOIS PÁSSAROS

"Toda a filosofia da Vedanta está contida nesta história:
Dois pássaros de plumagem dourada pousaram na mesma árvore. O que estava no alto era sereno, majestoso, imerso em sua própria glória; o que estava mais abaixo era inquieto e comia os frutos da árvore, ora doces, ora amargos. Certa vez ele comeu um fruto excepcionalmente amargo e olhou para o majestoso pássaro do alto; mas logo esqueceu-se do outro pássaro e prosseguiu comendo os frutos da árvore, como antes. Comeu, de novo, um fruto amargo, e, desta vez, alçou-se para um pouco mais perto do pássaro do topo. Isto aconteceu muitas vezes até que, finalmente, o pássaro que estava embaixo veio até o lugar do pássaro de cima e perdeu sua identidade. Ele compreendeu, subitamente, que nunca houvera dois pássaros, e que ele fora, durante todo o tempo, aquele pássaro de cima, sereno, majestoso e imerso em sua própria glória."

E também:

"O QUE EXISTE ALÉM?

Os processos da evolução, combinações cada vez mais elevadas, não existem na alma; ela já é o que é. Eles estão na natureza. Suponha que aqui existe um biombo e que atrás dele há um belo cenário. Há um pequeno furo no biombo através do qual podemos somente captar pequena parte do cenário que fica por detrás. `A medida em que o furo aumentar de tamanho, cada vez mais descortinaremos a cena escondida; e quando o biombo todo desaparecer não haverá nada mais entre você e o cenário; você o verá em sua totalidade. Este biombo é a mente do homem. Atrás dela se esconde a majestade, a pureza, o infinito poder da alma, e quanto mais a mente se tornar clara e pura, tanto mais se manifestará a majestade da alma. Não é que a alma se modifique, mas a mudança é no biombo. A alma é a Unidade Imutável, a imortal, a pura, a sempre-abençoada Unidade." (Swami Vivekananda)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Sapo e a Cobra



O Sapo e a Cobra  

Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido deitado no caminho.
- Alô! Que é que você está fazendo estirada na estrada?
- Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha, e você?
- Um sapo. Vamos brincar?
E eles pularam a tarde toda pela estrada.
- Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando pelo tronco.
E eles subiram. Ficaram com fome e foram embora, cada um para sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.
- Obrigada por me ensinar a pular.
- Obrigado por me ensinar a subir em árvore.
Em casa o sapinho mostrou à mãe que sabia rastejar.
- Quem ensinou isto para você?
- A cobra, minha amiga.
- Você não sabe que a família cobra não é gente boa? Eles têm veneno. Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem.
Em casa, a cobrinha mostrou à mãe que sabia pular.
- Quem ensinou isso para você?
- O sapo, meu amigo.
- Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família Sapo?
Da próxima vez, agarre o sapo e... bom apetite! E pare de pular. Nós cobras não fazemos isso.
No dia seguinte, cada um ficou na sua.
- Acho que não posso rastejar com você hoje.
A cobra olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: "Se ele chegar perto, eu pulo e devoro ele". Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato. Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficavam sempre ao sol, pensando no único dia em que foram amigos.


"O Livro das Virtudes"- uma antologia de William J. Bennett
   

Meditação e Yoga - Prática do Desapego ao Mundo




INTRODUÇÃO

 
Jesus, foi o grande mestre do ocidente. Ele já nasceu pobre, ao contrário de Sidarta Gautama, o Buda. Mas ambos tiveram um mesmo objetivo: ensinar a todos o desprezo ao mundo, porque a alma não é deste mundo. Estamos aqui de passagem. “O meu reino não é deste mundo”.

E, o mestre Vivekananda – discípulo de Sri-Ramakrishna – vem retomar as lições de Jesus e de Buda na prática.

Assim como Jesus, Buda teve grandes tentações. Sidarta Gautama nasceu filho de reis, e portanto era príncipe. Antevendo a ilusão do mundo material e suas falsas promessas de felicidade e ventura, tornou-se mendigo, e foi para o bosque meditar. Sua primeira tentação é a visita de um ilustre rei, que, ao vir honrá-lo pelo seu intento de se tornar Buda, tenta demovê-lo de seu propósito: “Oh! Grande meditador! Tu nasceste para reinar entre os homens, e pregar entre eles, a virtude. Vós não nascestes para a mendicância, mas sim para lavrar leis e comandar os homens para uma sociedade perfeita”. E Buda simplesmente responde: “Oh Rei! Poderá o peixe que escapou do anzol estar com fome da isca?? Poderá o pássaro que se encontra livre estar enamorado de sua gaiola”?? Eis a primeira tentação de Buda.

As demais tentações consistem em visões de mulheres nuas, enviadas por Maya (ilusão cósmica) e por fim, em visões de monstros com o fito de atemorizar Buda. E Maya, ante o silêncio de Buda exclama revoltado: “Parece que ele não tem sentidos!”.

E essa foi a grande descoberta de Buda: que o eu (ou ego) é uma ilusão! Ora, uma vez tendo desbancado o conceito e pseudo-realidade do eu, Buda logo reconhece que o tu é uma ilusão, e com isso, desconstrói e faz desvanecer todos os pares de opostos.

No amanhecer daquele dia – narra o historiador – Buda atingiu a onisciência, ou seja, tornou-se deus.

O que é Meditação - Biografia de Swami Vivekananda, o grande meditador

Swami (mestre) Vivekananda






Biografia do mestre Vivekananda, o grande meditador indiano


"Se a gente pudesse tê-lo conhecido!" - dizemos.

A maioria de nós reconhece que poderia ser capaz de identificar um grande instrutor espiritual se pudesse encontrar algum. Seria verdade? Provavelmente estamos nos gabando. Contudo, deve-se concordar que um instrutor vivo é muito mais preferível que seu livro morto. As meras palavras impressas não podem carregar o tom de voz de quem as pronunciou e muito menos o poder espiritual que se esconde atrás daquela voz.

Mas Vivekananda é uma das raras exceções. Ao ler suas palavras impressas, podemos captar algo do tom de sua voz e mesmo experimentar algum sentido de contato com seu poder. Qual a razão disto?

Talvez porque muitos desses ensinamentos eram originalmente falados, e não escritos por ele. Tinham a informalidade e a naturalidade do falar. Além disso, Vivekananda fala uma linguagem que podemos entender, mas que é inimitavelmente sua; o inglês de Vivekananda - aquele idioma maravilhosamente forte, de frases pitorescas e explosivas exclamações. Ela recria sua personalidade para nós ainda hoje, passados três quartos de um século.

O que Swami Chetanananda fez aqui foi trazer Vivekananda em pessoa, para ensinar-nos como meditar. Esses resumidos extratos de suas obras completas dizem-nos o que é religião, porque é de interesse vital para nós e como devemos praticá-la para torná-la parte de nossas vidas. Não se apresse em ler este livro de cabo a rabo. Escolha um extrato e reflita sobre ele o dia inteiro, ou a semana inteira. Esses ensinamentos cabem em poucas palavras, mas exigem intermináveis reflexões.

A franqueza de Vivekananda é desconcertante. Ele aponta seu dedo direto para você - como o Tio Sam nos velhos cartazes de recrutamento. Você não pode fingir para si mesmo que ele está falando com qualquer outra pessoa. Ele se dirige a "você" e é melhor que você ouça.

É melhor que você escute, diz Vivekananda, porque você não sabe quem é. Você pensa que é o Sr. ou a Sra. Jones. É o seu erro fundamental e fatal. Sua opinião a respeito de si mesmo, seja boa ou ruim, é também equivocada; mas isto é de importância secundária. Você pode andar pavoneando pela vida como o Imperador Jones ou arrastar-se pelo chão como Jones, o escravo; não faz diferença. O Imperador Jones, se existisse tal criatura, teria súditos; o escravo Jones teria um capataz. Você não tem nem um nem outro. Pois você é Brahman, o Deus Eterno e, para qualquer lugar que olhe, você nada vê a não ser Brahman, utilizando os muitos milhões de disfarces que são chamados por nomes tão absurdos como o seu próprio - Jones, Juarez, Jinnah, Jung, Jocho, Janvier, Jagataí, Jablochov; nomes que significam todos a mesma coisa, "eu não sou você".

O que é Meditação - 2





MEDITAÇÃO DE ACORDO COM A IOGA

O pensar em objetos dos sentidos
Fará com que você se apegue a eles.
Fique apegado e tornar-se-á viciado;
Impeça os seus vícios e ficará colérico;
Fique irado e sua mente tornar-se-á confusa;
Conturbe sua mente e esquecerá a lição da experiência;
Esqueça a experiência e perderá o discernimento;
Perca o discernimento e perderá o único objetivo da vida.
A mente descontrolada
Não percebe que o Atman está presente:
Como pode ela meditar?
Sem a meditação, onde estará a paz?
Sem paz, onde estará a felicidade?
(Bhagavad Gita, II.62,63,65)

O que é Meditação - 3



UMA TREMENDA TAREFA

De acordo com os Iogues, há três principais correntes nervosas: uma é chamada Ida, a outra Pingala, e a do meio Sushumna e todas ficam dentro da coluna espinhal. Ida e Pingala, à esquerda e à direita, são feixes de nervos, enquanto a do meio, Sushumna, é oca e não é um feixe de nervos. Sushumna está fechada e para o homem comum não tem uso, pois ele utiliza somente Ida e Pingala. Correntes, constantemente, fluem através desses nervos, transportando ordens por todo o corpo, através de outros nervos que correm por diferentes órgãos do corpo.

A tarefa diante de nós é vasta; em primeiro lugar e principalmente, devemos procurar controlar a enorme massa de pensamentos submersos que se tornaram automáticos em nós. A má ação está, sem dúvida, no plano consciente; mas a causa que produziu a má ação está muito além no reino do inconsciente, oculta, e, por isso, mais poderosa.
Esta é a primeira parte do estudo, o controle do inconsciente. A próxima é ir além do consciente (o estado de vigília). Vemos, assim, que deve haver um trabalho duplo. Primeiro, pelo adequado trabalho de Ida e Pingala, que são as duas correntes comuns existentes; e, em segundo lugar, para ultrapassar a consciência superficial.
Aquele que, depois de longa prática de auto-concentração, alcançou esta verdade, pode ser chamado Iogue. Então Sushumna se abre e uma corrente quen nunca antes entrou nessa nova passagem irá circular por ela e, gradualmente, ascenderá (o que dizemos em linguagem figurada) aos diferentes centros do loto, até atingir o cérebro. Então o Iogue torna-se consciente de que é realmente, o próprio Deus. (II. 30, 34-36)

O que é Meditação? - 4



A PRIMEIRA LIÇÃO

Assente-se por algum tempo e deixe a mente atuar. Simplesmente espere e observe. O conhecimento é poder, diz o provérbio, o que é verdade. Até que você saiba o que a mente está fazendo, você não poderá controlá-la. Solte as rédeas; muitos pensamentos sujos poderão aflorar; você ficará espantado como foi possível ter tais pensamentos. Mas verificará que a cada dia as extravagâncias da mente se tornarão cada vez menos fortes e a cada dia ela se tornará mais calma.
Desista de toda argumentação e de outras confusões.
Existe algo na árida tagarelice intelectual? Ela somente desequilibra e perturba a mente. As coisas dos planos mais sutis devem ser sentidas. Tagarelar fará isso? Assim, elimine toda conversa vã. Leia somente aqueles livros que foram escritos por pessoas que atingiram a realização. (I. 174, 176-77)

O Eu - Paradoxo do Eu Não-substancial - A Vacuidade




O Eu


A palavra eu foi definida diferentemente por diversas religiões e filosofias do passado até nossos dias. O bön/budhismo insiste muito na doutrina do não-eu, ou vacuidade (shunyata), que é a verdade última de todos os fenômenos. Se não compreendermos a vacuidade, será difícil cortar a raiz do eu egoísta e libertar-nos dos seus limites.

Porém, nossas leituras sobre o tema da caminhada espiritual nos informam também sobre a auto-liberação e a auto-realização do eu. Parecemos certamente ter um eu. Precisamos argumentar bastante para convencer
alguém que não possuímos um eu, se nossa vida é ameaçada ou qualquer coisa nos é tomada, o eu do qual proclamamos a inexistência pode ficar verdadeiramente apavorado ou transtornado.

Para o bön/budhismo, o eu convencional existe verdadeiramente. Senão, não haveria alguém para criar carma, para sofrer e para encontrar a liberação. É o eu inerentemente existente que não tem existência. A ausência do eu inerente significa que não existe uma entidade central distinta e imutável. Embora a natureza da mente não mude, ela não deve ser confundida com uma entidade distinta, um ego, uma pequena parcela de consciência indestrutível que seria o eu . A natureza da mente não é uma possessão individual, não é um indivíduo. É a natureza da sensação em si mesma; ela é a mesma para todos os seres dotados de sensibilidade.

O Water Chevrotain engana a Águia-real!


Escapada fantástica desse bicho chamado "Water Chevrotain", da Harpia !!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por que palavras?



Um monge aproximou-se de seu mestre — que se encontrava em meditação no pátio do templo à luz da Lua — com uma grande dúvida:

"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"

O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"

"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."

"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"

"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."

O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Dr. Quantum explica o Experimento da Fenda Dupla

O Espiritualismo Científico - A Doutrina dos Espíritos está apoiada na razão?







O que é o Espiritualismo Científico ou Novo Espiritualismo? Ele é novo em que sentido?


"Espiritualismo Científico"; "Novo Espiritualismo"; "Moderno Espiritualismo" ou "Espiritualismo Novo", foram os termos utilizados pelos americanos e ingleses - mas também Emmanuel e tantos outros Espíritos usam esse termo - para o que mais tarde foi chamado de Espiritismo, na França.


Esses termos sempre me chamaram a atenção, pelo fato de até hoje não se ter esclarecido porque o Espiritismo é "espiritualismo científico"? Ou seja, ele é um espiritualismo científico porque a existência e a imortalidade da alma foi comprovada experimentalmente por cientistas daquela época - meados do século XIX - ou ele é um espiritualismo científico, porque, como posteriormente se referiu Allan Kardec, era o único tipo de espiritualismo que poderia "encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade"?


No primeiro caso, se Allan Kardec não tivesse codificado a Doutrina dos Espíritos ou Doutrina Espírita todos esses fenômenos conhecidos como "mesas girantes", "mesas falantes", manifestações espirituais de ordem física como pancadas, sumiço e desaparição de objetos, barulhos, e também os diversos tipos de comunicações, que, posteriormente foram elencadas de maneira criteriosa por Allan Kardec, tudo teria sido inútil, já que, como sabemos, até hoje na França e em muitos países da Europa, consta que as "mesas girantes" foram apenas o resultado do "magnetismo animal", de Mesmer, que era transmitido de pessoa para pessoa tendo os dedos míninos unidos, enquanto sentados á volta de uma mesa redonda.

domingo, 10 de abril de 2011

Vídeo - "Filosofia: a liberdade", com Paulo Ghiraldeli Jr.

Vídeo - "Forte, fraco e Além-homem" em Friedrich Nietzsche

Vídeo - "O Mito da Caverna"

Filme-documentário "Quem Somos Nós?" - Baseado no filme "O Segredo" - Física Qüântica e Espiritualismo

Filme Quem Somos Nós? Parte 2

Filme Quem Somos Nós? Parte 3

Filme Quem Somos Nós? Parte 4

Filme Quem Somos Nós? Parte 5

Filme Quem Somos Nós? Parte 6

Filme Quem Somos Nós? Parte 7

Filme Quem Somos Nós? Parte 8

Filme Quem Somos Nós? Parte 9

Filme Quem Somos Nós? Parte 10

Filme Quem Somos Nós? Parte 11

Filme Quem Somos Nós? Parte 12

História da Filosofia Oriental - Fundamentos da Filosofia Vedanta



A corrente filosófica na qual o pensamento de Nisargadatta Maharaj se insere é acadêmicamente conhecida como Vedanta Advaita.

Para essa corrente filosófica, o conhecimento fundamental é Atman é Brahman. Atman é o Self e Brahman significa a Alma universal ou Consciência Universal. Os Vedas falam da união mística como sendo a compreensão de que Atman é Brahman.

Advaita é uma palavra em sânscrito cujo significado literal é “não-dois”. A interpretação moderna do Advaita é algumas vezes apresentada como “Não-dualidade” ou mesmo como o final dos Vedas ou “Não-dualidade além do conhecimento”. Outro nome ainda para o estudo do Advaita é Jnani Yoga (Yoga do Conhecimento). No século 20, os mestres modernos do Advaita Ramana Maharshi e Nisargadatta Maharaj quebraram o caminho tradicional, de trasmitir o ensinamento por via escrita, e falaram diretamente de sua experiência.

Sociologia e Ideologia da Ciência: a ciência como mito e representação simbólica dominante na sociedade



 Para quem não sabe, devo dizer que o debate sobre a relação entre a Física Quântica e a Filosofia Oriental,   já se encontra formalizado na Antropologia em termos acadêmicos desde há algumas décadas.

Acredito que hoje, essas teorias estejam mais desenvolvidas e estão ganhando força, principalmente com a divulgação das doutrinas e filosofias orientais na internet.

Digo isso porque não precisamos unicamente recorrer à Filosofia Oriental para tentar trazer uma nova visão de mundo no Ocidente.

Enquanto a razão ocidental dizia que a diferença entre o homem e os outros animais é que "o homem é racional e o animal é irracional", a Antropologia veio desbancar essa descrição/definição pobre e arrogante e dizer que a diferença básica é que o homem é um animal simbólico, ou seja, ele constrói uma realidade simbólica a partir de representações, idéias e conceitos sobre o mundo em que vive.

A História do Homem



Conta-se que na Pérsia antiga vivia um rei chamado Zemir. Coroado muito jovem, julgou-se na obrigação de instruir-se: reuniu em torno de si numerosos eruditos provenientes de todos os Países e pediu-lhes que editassem para ele a história da humanidade.Todos os eruditos se concentraram, portanto, nesse estudo.
Vinte anos se escoaram no preparo da edição. Finalmente, dirigiram-se ao palácio, carregados de quinhentos volumes acomodados no dorso de doze camelos.
O rei Zemir havia, então, passado dos quarenta anos.
"Já estou velho," disse ele. "Não terei tempo de ler tudo isso antes da minha morte. Nessas condições, por favor, preparai-me uma edição resumida."
Por mais vinte anos trabalharam os eruditos na feitura dos livros e voltaram ao palácio com três camelos apenas.
Mas o rei envelhecera muito. Com quase sessenta anos, sentia-se enfraquecido:
"Não me é possível ler todos esses livros. Por favor, fazei-me deles uma versão ainda mais sucinta."
Os eruditos labutaram mais dez anos e depois voltaram com um elefante carregado das suas obras.
Mas a essa altura, com mais de setenta anos, quase cego, o rei não podia mesmo ler. Pediu, então, uma edição ainda mais abreviada.
Os eruditos também tinham envelhecido. Concentraram-se por mais cinco anos e, momentos antes da morte do monarca, voltaram com um volume só.
"Morrerei, portanto, sem nado conhecer da historia do Homem - disse ele."
À sua cabeceira, o mais idoso dos eruditos respondeu:
"Vou explicar-vos em três palavras a história do Homem: o homem nasce, sofre e, finalmente, morre."
Nesse instante o rei expirou.

sábado, 9 de abril de 2011

Kantaka e o fio de aranha




O Buddha, um dia, passeava no Céu Trayastrimsa, às margens do lago da Flor de Lótus. Nas profundezas do lago, lobrigava o Naraka (um tipo de região de demérito Kármico, na tradição do Buddhismo Mahayana).
Nessa ocasião, viu ali um homem chamado Kantaka que morto dias antes, se debatia e padecia nas profundezas.
Transbordando de compaixão, o Buddha Shakyamuni queria socorrer todos os que, embora se achassem mergulhados no Naraka, tivessem praticado uma boa ação na vida.
Kantaka fora ladrão e levara uma existência devassa. Por isso mesmo estava no Naraka.
Certa vez, no entanto, agira com generosidade: um dia, enquanto passeavam, avistara uma inofensiva aranha e tivera vontade de esmagá-la; reprimira-se, contudo, pensando, subitamente, que talvez pudesse favorecê-la; deixara-a com vida e seguiu o seu caminho.
O Buddha Shakyamuni viu nessa ação generosa um bom espírito, e sentiu-se inclinado a ajudá-lo. Por isso fez descer as profundezas do lago um comprido fio de teia de aranha, que chegou ao Naraka no lugar onde estava Kantaka.
Kantaka olhou para a novidade e concluiu que se tratava de uma corda de prata muito forte. Mas, não querendo acreditar nisso, disse consigo que devia ser, sem dúvida, um fio de teia de aranha pendurado, muito fino, e que seria provavelmente dificílimo trepar por ele; mesmo assim, arriscaria tudo, pois desejava ardentemente sair daquele Naraka.
Agarrou, portanto o fio, embora não deixasse de pensar nos perigos da escalada, pois a linha poderia rebentar de um momento para outro; mas foi subindo... subindo... auxiliando-se com os pés e as mãos, e envidando grandes esforços para não escorregar.
A escalada era longa. Chegado a metade do caminho, quis olhar para baixo e contemplar os Narakas, que já tinham ficado, decerto, muito longe. Acima dele, via a luz e só ambicionava alcançá-la.
Inclinando-se para baixo, a fim de olhar pela derradeira vez, viu uma multidão de pessoas que também subiam pelo fio, numa sucessão ininterrupta, desde as grandes profundezas do Naraka. Kantaka foi tomado de pânico: a corda poderia, quando muito, agüentá-lo; mas com o peso daquelas centenas de pessoas agarradas a ela acabaria cedendo, e todos, com ele, voltariam ao Naraka!
Que azar! Que droga!
Aquela gente lá embaixo não tinha nada que sair do Naraka. Por que precisa seguir-me? - praguejava ele, increspando os seguidores.
Nesse preciso momento, o fio cedeu, exatamente a altura das mãos de Kantaka, e todos remergulharam nas profundezas tenebrosas do lago.
Naquele mesmo instante, o sol do meio-dia resplandecia sobre o lago em cujas margens tranqüilas passeava o Buddha...

Osho: você não é a mente, você é a testemunha que observa a tudo!



Evite esses hipócritas que decidem por você. Tome as rédeas nas suas mãos. Você tem que decidir. Na verdade, é nesse próprio ato de decisão que a sua alma nasce. Quando os outros decidem por você, sua alma continua adormecida e obtusa. Quando você começa a decidir por si próprio, passa a ter perspicácia. A maioria se compõe de idiotas, completos idiotas. Cuidado com a maioria. Se tantas pessoas estão seguindo alguma coisa, isso já e prova suficiente de que ela está errada. A verdade acontece a indivíduos, não a multidões.

O homem nasce como uma semente: ele pode se tornar uma flor ou não. Tudo depende de você, do que faz consigo mesmo. Tudo depende do fato de crescer ou não. A escolha é sua — e essa escolha tem que ser feita a todo momento. A todo momento você se encontra em uma encruzilhada. Sempre que você explora seu potencial, se torna o melhor. Sempre que se desvia dele, continua medíocre. Toda a sociedade se compõe de pessoas medíocres por uma simples razão: ninguém é o que se destinava a ser — é alguma coisa diferente. Sua mente está sempre perguntando: "Por quê? Para quê?"
E qualquer coisa que não tenha resposta para a pergunta "para quê" aos poucos passa a não ter valor para você. E assim que o amor passou a não ter valor. Para que serve o amor? Aonde ele leva você? O que se pode conseguir com ele? Ele vai levá-lo a algum tipo de utopia, a algum paraíso? É claro que, pensando assim, o amor não tem qualquer sentido. Ele é sem sentido. Qual é o sentido da beleza? Você contempla o pôr-do-sol e fica maravilhado. E tão lindo... Mas um idiota qualquer pode vir e perguntar: "Qual o sentido disso tudo?" E você fica sem resposta. Se não existe sentido algum, então por que fazer tanto alarde sobre a beleza?
Uma flor, um quadro, uma música ou uma poesia bonita — eles não têm qualquer sentido. Não são argumentos para se provar nada nem são meios para se atingir um fim. E viver consiste somente nessas coisas que não têm sentido algum. Deixe-me repetir: viver consiste somente nessas coisas que não têm absolutamente sentido, que não têm significado algum — significado no sentido de não ter objetivo, de não levar você a lugar algum, de não o fazer ganhar nada com elas. Em outras palavras, viver é significativo por si mesmo. Esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, viva. Em vez disso, divirta-se! Não analise, celebre!

Antropologia do Conhecimento e Filosofia Oriental: a impossibilidade do conhecimento pelo Espírito Humanizado





É possível o conhecimento? - pergunta básica de Michel de Montaigne à Descartes e Kant!

A Realidade Objetiva é Deus e o Mundo dos Espíritos, segundo a Doutrina Espírita (Introdução de O Livro dos Espíritos, Item 6). Vejam que interessante essa citação de Bachelard: "Nos primeiros tempos do espírito científico, foi construída uma razão à imagem do mundo; mas hodiernamente, a razão constrói um mundo à sua imagem e semelhança" .