terça-feira, 29 de novembro de 2011

Que é Deus?


Que é Deus? - Concepção de Deus de Acordo com Várias Escolas Filosóficas

Swami Vivekananda



1- A Escola Dualista

A primeira escola de que vos falarei é chamada escola dualística. Os dualistas acreditam que Deus, Criador e Governador do universo, está eternamente separado da natureza, eternamente separado da alma humana. Deus é eterno, a natureza é eterna, e eternas são todas as almas. A natureza e as almas manifestam-se e mudam, mas Deus permanece o mesmo. Segundo os dualistas, Deus é pessoal, pelo fato de ter qualidades, não por ter um corpo. Tem atributos humanos. É misericordioso, justo, poderoso, onipotente; podemo-nos nos aproximar d'Ele, orar para Ele, amá-Lo. Ele retribui o amor, e assim por diante. Numa palavra, é um Deus humano, apenas infinitamente maior do que o homem, sem qualquer dos defeitos que o homem tem. Não pode criar sem materiais, e a natureza é o material do qual Ele se serve para criar todo o universo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Bhagavad-Gita - Excertos


Excertos

14. Ó filho de Kunti, o aparecimento transitório de felicidade e aflição, e seu
desaparecimento no seu devido tempo, são como o aparecimento e o
desaparecimento das estações de inverno e verão. Surgem da percepção
sensorial, ó descendente de Bharata, e é preciso aprender a tolerá-los sem
perturbar-se.
15. Ó melhor entre os homens (Arjuna), quem não se deixa perturbar pela
felicidade e aflição e que permanece estável em ambas as circunstâncias
decerto está qualificado para alcançar a liberação.


Libertando-se das atividades fruitivas

47. Tens direito de executar teu dever prescrito, mas não podes exigir os
frutos da ação. Jamais te consideres a causa dos resultados de tuas
atividades, e jamais te apegue ao não-cumprimento do teu dever.
48. Desempenhe teu dever com equilíbrio, ó Arjuna, abandonando todo o
apego a sucesso ou fracasso. Essa equanimidade chama-se yoga.
49. Ó Dhanañjaya, através do serviço devocional, mantém todas as atividades
abomináveis bem distantes, e com esta consciência, rende-te ao Senhor.
Aqueles que querem gozar o fruto de seu trabalho são mesquinhos.
50. Um homem ocupado em serviço devocional livra-se tanto das boas quanto
das más ações, mesmo nesta vida. Portanto, empenha-te na yoga, que é a
arte de todo o trabalho.
51. Ocupando-se nesse serviço devocional ao Senhor, grandes sábios ou
devotos livram-se dos resultados do trabalho no mundo material. Desse
modo, eles transcendem ao ciclo de nascimentos e morte e passam a viver
além de todas as misérias.
52. Quando tua inteligência tiver cruzado a densa floresta da ilusão, tornar-teás
indiferente a tudo o que se ouviu e a tudo o que se há de ouvir.
53. Quando tua mente deixar de perturbar-se pela linguagem florida dos
Vedas, e quando se fixar no transe da auto-realização, então terás
atingido a consciência divina.


Fonte: http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t176-bhagavad-gita#472



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Talvez...




Um homem possuía um belo cavalo. Certo dia, o cavalo desapareceu e seus vizinhos sabendo da notícia, exclamaram:
- Que azar!

Mas o homem simplesmente respondeu:
- Talvez...

Passado algum tempo, o cavalo reapareceu, trazendo consigo três ou quatro cavalos selvagens tão ou ainda mais belos e formosos do que ele. Os vizinhos, tomando conhecimento do fato, disseram:
- Que sorte!

Mas o fazendeiro simplesmente respondeu:
- Talvez...

O filho mais moço do fazendeiro então resolveu domar um dos cavalos mas o cavalo era selvagem e em um movimento brusco arremessou o rapaz ao solo e este ao cair quebrou a perna. E os vizinhos imediatamente se dirigiram ao pai mencionando: - Que azar!

Mas o fazendeiro simplesmente respondeu:
- Talvez...

Estourou uma guerra naquela região e muitos pais sofreram pois quase todos os jovens, querendo ou não, foram injustamente enviados para a guerra, menos um, que foi dispensado por que estava com a perna quebrada: O filho do fazendeiro!

Os vizinhos então disseram: "Mas, que sorte", e o fazendeiro, com um sorriso no rosto, apenas respondeu: "Talvez"...

sábado, 13 de agosto de 2011

A Sabedoria da Ausência do Ego


No Budismo Tibetano, o Ego é a ausência do conhecimento verdadeiro de quem somos juntamente com o seu resultado: um malfadado apego, mantido não importa a que preço, a uma imagem remendada e improvisada de nós mesmos, um Eu charlatanesco e camaleônico que está sempre mudando para manter viva a ficção de sua existência.

Em tibetano, o Ego é chamado dak dzin, que quer dizer “agarrado a um Eu” O Ego é assim definido como um movimento incessante de agarrar-se em uma noção ilusória de “eu” e “meu” de si mesmo e do outro e em todos os conceitos, idéias, desejos e atividades que sustentam esta falsa construção. Este agarrar-se é fútil desde o inicio e condenado à frustração uma vez que não tem nenhuma base ou verdade e portanto impossível de se reter e sabendo disto nascem todas as nossas inseguranças e medos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pensamento e Percepção Não-Condicionada - Krishnamurti

Krishnamurti

Será que podemos investigar, a fundo e com seriedade, se é possível ficar com o problema sem fugir dele? Suponhamos que perca meu filho e, sofrendo com isso um grande choque, experimentando uma dor imensa, descubra que sou um ser humano extremamente solitário. Não consigo encarar nem suportar a situação e, por isso, fujo dela. Há inúmeras formas de fuga - religiosas, mundanas ou filosóficas. Mas será que posso permanecer com o que aconteceu, com essa coisa chamada sofrimento, sem procurar, de modo algum, fugir da dor, da angústia, da solidão, da aflição, do abalo? Será que podemos observar um problema, observá-lo apenas, sem procurar resolvê-lo, olhar para ele como se fosse uma jóia preciosa, de fino acabamento? Para uma coisa bonita olhamos sem parar, sem qualquer desejo de fugir dela; sua beleza nos atrai tanto e tanto prazer nos proporciona que ficamos olhando para ela o tempo todo. Se, da mesma forma, pudermos observar nosso sofrimento, sem um movimento sequer de julgamento ou fuga, ficar com a tristeza... nesse caso, a própria ação de ficar com o fato nos liberta completamente daquilo que produziu a dor. Voltaremos a isso depois.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Noite de São João



Noite de S. João além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

IN: Poemas Inconjuntos, Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O que é a Filosofia Oriental




Por Filosofia Oriental entendo uma Epistemologia dentro da Teoria do Conhecimento, como fica bem claro neste vídeo do Tarananda Sati, cujos conhecimentos reúnem a sabedoria oriental com o conhecimento filosófico e científico ocidental.

http://www.youtube.com/watch?v=evAcojNxCDI

A questão é que, a ciência moderna, foi desenvolvida a partir da filosofia ocidental, mas ela desdenhou as considerações de Sócrates (que é o fundador da Filosofia propriamente dita) e Platão, cujos ensinamentos são similares às instruções dos mestres (filósofos) orientais.

Até mesmo os professores de Filosofia se "embanam" todos quanto à explicação da Alegoria ou Mito da Caverna, porque não têm, em sua maioria, conhecimento da Filosofia ou Misticismo Oriental.



terça-feira, 26 de julho de 2011

A Alma e Sua Escravidão



Nós somos o Ser Infinito do universo e ficamos materializados nesses seres pequeninos, homens e mulheres, que dependem da palavra doce de um homem, ou da palavra irada de um outro e assim por diante. Que dependência terrível, que horrível escravidão! Se você belisca meu corpo, sinto dor. Se alguém diz uma palavra carinhosa, fico alegre. Veja minha condição – escravo do corpo, escravo da mente, escravo do mundo, escravo de uma boa palavra, escravo de uma palavra má, escravo da paixão, escravo da felicidade, escravo da morte, escravo de tudo! Esta escravidão tem de ser rompida. Como? Pense sempre: “Eu sou Brahman.”


IN: Meditação e Métodos - Swami Vivekananda

Fonte: http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t134-a-alma-e-sua-escravidao#300

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Antropologia do Conhecimento e Física Quântica



Allan Kardec pode ter antecipado algumas conclusões da Mecânica Quântica quando disse que "os sabores, os odores e as cores só existem para os sentidos destinados a percebê-los" - questão no. 32 de O Livro dos Espíritos.

As idéias da Mecânica Quântica têm sido utilizada pelos pesquisadores em Sociologia e Antropologia para criticar a visão dualista de mundo, advinda do que eles chamam de "cartesianismo" (separação entre corpo e mente) e "newtonianismo", a metáfora do mundo e do ser humano como um relógio, ou como uma máquina (deus ex machina) cujas partes, podem ser estudadas e conhecidas isoladamente.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Consciência Criativa - Excertos do livro "O homem à procura de si mesmo", Rollo May




A consciência Criativa: conquistando a Liberdade a partir da negação das autoridades constituídas

O homem é um “animal ético” – ético em potencialidade, ainda que, infelizmente, na realidade não o seja. Sua capacidade de juízo ético – como a liberdade, a razão e as outras características exclusivas do ser humano – baseia-se na consciência de si mesmo.  

Há alguns anos, o Dr. Hobart realizou uma notável experiência no laboratório psicológico de Harvard. A finalidade era testar o senso “ético” dos ratos. Poderiam eles avaliar a longo prazo as boas e as más conseqüências de seu comportamento e agir de acordo? Bolinhas de comida foram lançadas num recipiente, diante dos animais esfomeados, mas segundo o plano eles teriam que aprender uma espécie de etiqueta – esperar três segundos antes de agarrar o alimento. Se não esperassem receberiam um castigo na forma de um choque elétrico no fundo da gaiola.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Homem: construtor do seu destino



O HOMEM, CONSTRUTOR DO SEU DESTINO

Os homens fracos, quando perdem tudo e sentem-se enfraquecidos, tentam toda espécie de disparatados métodos de fazer dinheiro e inclinam-se para a astrologia e todo tipo de coisas. "São o tolo e o covarde que dizem: "É o destino". Mas é o homem forte que se ergue e diz: "Farei o meu destino".

Há uma velha estória sobre um astrólogo que veio até um rei e disse: "O senhor irá morrer em seis meses". O rei ficou fora de si, completamente aterrorizado e estava quase a morrer de medo. Mas seu ministro era um homem inteligente e disse ao rei que os astrólogos eram tolos. Mas o rei não acreditava nele. Assim, o ministro viu que o único jeito do rei ver que eles eram tolos era convidar de novo o astrólogo. Lá, ele perguntou-lhe se seus cálculos estavam corretos. O astrólogo disse que não havia erro nenhum, mas, para satisfazê-lo, refez todos os cálculos e disse que estavam perfeitamente certos. A face do rei ficou lívida. O ministro então perguntou ao astrólogo: "E quando você pensa que irá morrer?" "Dentro de doze anos", foi a resposta. O ministro rapidamente puxou sua espada, separou a cabeça do astrólogo de seu corpo e disse ao rei: "O senhor vê este mentiroso? Ele acaba de morrer, neste momento."

IN: Meditação e Métodos, Swami Vivekananda.

domingo, 10 de julho de 2011

Religião: manancial de força ou de fraqueza? Excertos do livro "O homem à procura de si mesmo", Rollo May



Religião: Manancial de força ou de fraqueza? - o divino direito de ser protegido 

Palavras-chave: O divino direito de ser protegido; Filosofia Nietzchena; Psicologia Existencial-humanista Nietzscheana; Crítica de Nietzsche às religiões e à moral; Psicoterapia Existencial-humanista; Auto-conhecimento; Liberdade; O homem à procura de si mesmo; o problema da proteção paterna e das autoridades constituídas

Em qualquer discussão sobre a integração de religião e personalidade , o importante não é saber se a própria religião contribui para a saúde ou a neurose, e sim “que espécie” de religião e como é usada. Freud estava errado ao sustentar que religião é por si uma neurose compulsiva. Algumas são, outras não. Qualquer setor da vida pode ser utilizado como neurose compulsiva: a filosofia pode ser uma fuga da realidade para um “sistema” harmonioso, proteção da ansiedade e das desarmonias do dia-a-dia, ou pode ser um corajoso esforço para compreender melhor a realidade. A ciência pode ser utilizada como fé rígida e dogmática, por meio da qual a pessoa foge à insegurança emocional e às dúvidas, ou pode ser uma busca sincera de novas verdades. Desde que a fé na ciência tem sido mais aceitável nos círculos intelectuais de nossa sociedade e está, portanto, menos apta a ser questionada, é bem possível que em nossos dias esta fé represente com mais freqüência o papel de fuga compulsiva das incertezas do que a própria religião. Freud, contudo, estava tecnicamente certo ao fazer a pergunta correta em relação à religião: ela aumentará a dependência e manterá o indivíduo infantilizado?





sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não sei o que é conhecer-me



Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro
Não acredito que eu exista por detrás de mim.


Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Código Penal da Vida Futura



18º - Os Espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes, cuja harmonia perturbariam. Ficam nos mundos inferiores a expiarem as suas faltas pelas tribulações da vida, e purificando-se das suas imperfeições até que mereçam a encarnação em mundos mais elevados, mais adiantados moral e fisicamente. Se se pode conceber um lugar circunscrito de castigo, tal lugar é, sem dúvida, nesses mundos de expiação, em torno dos quais pululam Espíritos imperfeitos, desencarnados à espera de novas existências que lhes permitam reparar o mal, auxiliando-os no progresso.


Código Penal da Vida Futura. IN: O céu e o inferno, Allan Kardec

Vamos meditar?


Olá pessoal!

E aí?? Estão todos praticando a meditação??

Os pensamentos não param de fluir na nossa mente não é mesmo?? São os mais variados pensamentos, porque mesmo aqui, nesse nosso espaço de estudos e aprendizados, estamos constantemente em competição uns com os outros - e isso em todos os lugares - porque a sociedade nos ensina desde o berço que devemos ser assim. Devemos ser os melhores, estar entre os melhores, "fazer o bem", e por isso sempre estamos postando e postando, escrevendo textos, mas duvido que cada um de nós, dedique o tempo que dedicamos a escrever, tagarelar e fazer projetos para o futuro, para a meditação, ou seja, para pensar em nós mesmos como Espíritos imortais que somos. Espíritos unos com Deus. E sem a meditação o que somos senão um conjunto de ilusões que acreditamos reais??

domingo, 19 de junho de 2011

O Poder do Silêncio - Eckhart Tolle



Eckhart Tolle – “O Poder do Silêncio” (trechos 1-2-3- 4/12)

1 -“ Sempre que houver silêncio à sua volta, ouça-o. Isso significa apenas percebê-lo. Ouvir o silêncio desperta a dimensão de calma que já existe dentro de você, porque é só através da calma que se pode perceber o silêncio. Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano coletivo.”
“Qualquer barulho perturbador pode ser tão útil quanto o silêncio. Basta abolir suas resistências interiores ao barulho, deixando-o ser como é. Essa aceitação também leva você ao reino da paz interior que é a calma. ”
“A calma é o lugar onde a criatividade e as soluções dos problemas são encontradas”
“A calma e o silêncio são a própria inteligência. A consciência básica da qual provêm todas as formas de vida. A forma de vida que você pensa que é, vem dessa consciência e é sustentada por ela”.
“Quando você olha num estado de calma para uma árvore ou uma pessoa, quem está olhando? É algo mais profundo do que você. A consciência está olhando para a sua própria criação. A Bíblia diz que Deus criou o mundo e viu que era bom. É isso que você vê quando olha num estado de calma, sem pensar em nada ”.
“Você precisa saber mais coisas do que já sabe? Você acha que o mundo será salvo se tiver mais informações, se os computadores se tornarem mais rápidos ou se forem feitas mais análises intelectuais e científicas? O que a humanidade precisa hoje é de mais sabedoria pra viver. A sabedoria vem da capacidade de manter a calma e o silêncio interior. Veja e ouça apenas. Não é preciso mais nada, além disso. Manter a calma, olhando e ouvindo, ativa a inteligência real que existe dentro de você. Deixe que a calma interior oriente suas palavras e ações”.
“A maioria das pessoas passa a vida toda aprisionada nos limites os próprios pensamentos. Nunca vai além das idéias estreitas já fabricadas. Nunca vai além do”eu ” condicionado pelo passado.”
“Se você consegue reconhecer, mesmo esporadicamente, que os pensamentos que passam por sua cabeça são meros pensamentos; Se você consegue se dar conta dos padrões que se repetem em suas ações mentais e emocionais, é sinal de que a Consciência está emergindo. Ela é o espaço onde o conteúdo da sua vida se desborda”.
“Cada pensamento quer sugar sua completa atenção. Eis um novo exercício para praticar: Não leve seus pensamentos muito a sério”.


2 -“Pensar fragmenta a realidade, cortando-a em pequenos pedaços que são os conceitos. A mente pensante é útil e poderosa, mas torna-se muito limitador quando invade completamente sua vida, impedindo você de perceber que a mente é apenas um pequeno aspecto da Consciência que você é realmente.”
“Sempre que você mergulha em pensamentos compulsivos, está impedindo o que existe. Você está se negando a estar onde está: Aqui. Agora”.
“Despertar espiritualmente é despertar do sonho do pensamento. Quando você deixa de acreditar em tudo o que pensa, você sai do pensamento e vê claramente que quem está pensando não é quem você é realmente”.
“Quando a mente fica entediada, quer satisfazer sua fome lendo um livro, assistindo à tevê, navegando na Internet. A alternativa é aceitar o tédio e a ansiedade e observar como é sentir-se entediado e ansioso. À medida que você se dá conta dessa sensação, surge um espaço arejado e uma calma em volta da sensação. O tédio, a ansiedade, a raiva, a tristeza e o medo não são seus. Eles são estados da mente. É por isso que vão e voltam. Nada que vai e volta é você”.
“Estou triste. Quem percebe isso? Estou com medo. Quem percebe isso? Você é a pessoa que percebe isso. Você não é os seus sentimentos”.
“No estado de calma e consciência, se você precisar da mente para um fim prático, ela estará presente. Na verdade a mente funciona muito bem quando a inteligência maior e real que é você se expressa através dela, como uma ferramenta.”
“Aprenda a sentir-se à vontade dentro do não-saber. A mente teme o não-saber, mas um conhecimento mais profundo que não é baseado em qualquer conceito vai emergir desse estado”.
“A mente está sempre querendo alimentar-se para continuar pensando. Ela procura alimento para sua própria identidade, para seu sentido de ser. É assim que o ego se cria e recria continuamente”.
“Você se dá conta de que esse ego é fugaz e passageiro? Quem percebe isso? É o Eu-Sou. Esse é o seu eu mais profundo, que não tem nada a ver com o passado e o futuro. Quando você se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser você e não pára de falar, percebe que você vem se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, você compreende que não é essa voz, mas a pessoa que a percebe. Ter liberdade é saber que você é a consciência por trás dessa voz.”

Delírios da Razão III


Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) IN: Poemas Inconjuntos (1913-1915).

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Delírios da Razão II



Todas as opiniões que há sobre a natureza
Nunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.
Toda a sabedoria a respeito das coisas
Nunca foi coisa em que pudesse pegar como nas coisas;
Se a ciência quer ser verdadeira,
Que ciência mais verdadeira que a das coisas sem ciência?
Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito
Tem uma realidade tão real qwue até as minhas costas a sentem.
Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas.


Aberto Caeiro (Fernando Pessoa) - IN: Poemas Inconjuntos (1913-1915).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Delírios da Razão




O conto antigo da Gata Borralheira,
O João Ratão e o Barba Azul e os 40 Ladrões,
E depois o Catecismo e a história de Cristo
E depois todos os poetas e todos os filósofos;
E a lenha ardia lá fora em dias de destino,
E por cima da leitura dos poetas as árvores e as terras...
Só hoje vejo o que é que aconteceu na verdade.
Que a lenha ardida, exatamente porque ardeu,
Que o sol dos dias de destino, porque já não há,
Que as árvores e as terras (para além das páginas dos poetas) -
Que disto tudo só fica o que nunca foi:
Porque a recompensa de não existir é estar semrpe presente.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) IN: Poemas Inconjuntos

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dos Virtuosos


Dos Virtuosos

 “É com grande reforço de trovões e de celestes pirotécnicas que é preciso falar aos sentidos sonolentos e adormecidos.

Mas a beleza fala em voz baixa; ela só penetra nas almas mais despertas.

Meu arco tremeu mansamente, e me sorriu: era o riso sarado, o estremecimento sagrado da beleza.

Evangelho Essênio de João




"Buscai o ar fresco da floresta e dos campos, e ali,
em meio deles, encontrareis os anjos do ar.
Tirai os sapatos e as roupas e deixai que o anjo abrace
todo vosso corpo. Depois respirai longa e profundamente,
e o anjo do ar eliminará do vosso corpo todas as impurezas
que o aviltam por fora e por dentro."

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Da Virtude Amesquinhadora


I

Quando Zaratustra chegou à terra firme não foi logo direto à sua montanha e à sua caverna, mas deu muitas voltas e fez muitas perguntas para se informar duma porção de coisas; e dizia de si para consigo, gracejando: “Eis aqui um rio que, por mil voltas, retrocede à sua nascente!” Que ele queria saber o que fora feito do homem durante a sua ausência: se se tornara maior ou mais pequeno. E um dia divisou uma fileira de casas novas; admirado, disse:




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Auto-conhecimento - A Filosofia Advaita-Vedanta de Sri Ramana Maharshi: quem sou eu?




AUTO-CONHECIMENTO - FILOSOFIA ADVAITA-VEDANTA

O pensamento-eu é a fonte de todos os pensamentos.


A mente só vai se dissolver através da autoinvestigação "Quem sou eu?". O pensamento "Quem sou eu?" destruirá todos os outros pensamentos e depois destruirá a si mesmo também. Se outros pensamentos surgirem, devemos perguntar a quem esses pensamentos ocorrem, sem tentar completá-los. Que importa quantos pensamentos surgem? Na medida em que cada pensamento surgir, devemos estar vigilantes e perguntar para quem ele ocorre. A resposta será "para mim".


Se você perguntar "quem sou eu?", a mente então voltará à sua Fonte. O pensamento que surgiu também desaparecerá. À medida que você praticar dessa forma mais e mais, o poder da mente de permanecer em sua Fonte aumentará.

domingo, 22 de maio de 2011

Técnicas de Meditação Para Eliminar o Ego



Segue umas considerações do nosso amigo Coronel, sobre o pensamento, no intuito de se eliminar o ego.


Somos verdadeiramente donos de nossos pensamentos? Observe em você mesmo se consegue comandá-los por mais de alguns segundos. Os pensamentos não são nossos; eles, os mais variados, apenas, estão nos chegando, nascendo continuamente. Por isso os gnósticos dizem que somos muitos “eus”; é que continuamente e conforme as circunstancias e as associações que eventos exteriores e interiores nos provocam, estamos ora com o “eu” bondoso, ora com o maldoso, o ambicioso, o político, o pervertido, o curioso, estudioso, preguiçoso e tantos mais. Como disse Paulo: “... como se tivéssemos algum pensamento como de nós mesmos, pois eles vêm de Deus”, e mais: “É o Senhor que opera em nós o pensar...” Então meu amigo, que queiramos ou não “pensamos” e pensamos que pensamos por nós mesmos. É uma total ilusão. O ego é “sensibilizado” pelos pensamentos e age de acordo com eles.

sábado, 21 de maio de 2011

Louvado Seja Deus que Não Sou Bom e Tenho o Egoísmo Natural das Flores





Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.

O Observador é a Coisa Observada - Jiddu Krishnamurti



Tende a bondade de continuar a acompanhar-me um pouco mais. Esta matéria poderá ser um tanto complexa e sutil, mas, por favor, continuai comigo a investigá-la.

Pois bem; quando formo uma imagem a respeito de vós ou de qualquer coisa, tenho a possibilidade de observar essa imagem e, assim, há a imagem e o observador da imagem. Vejo uma pessoa, suponhamos, de camisa vermelha, e minha reação imediata é de gostar ou não gostar dessa camisa. O gostar ou não gostar é resultado de minha cultura, de minha educação, minhas relações, minhas inclinações, minhas características adquiridas ou herdadas. É desse centro que eu observo e faço meu julgamento, e, assim, o observador está separado da coisa que observa.

Pensar em Deus é Desobedecer a Deus



Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que não o conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-à fazendo de nós,
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-à verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos...
E não nos dará mais nada, porque dar-nos mais
Seria tirar-nos mais.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) IN: O Guardador de Rebanhos

A Questão dos Apegos - Ego, identidade, alteridade e o EU (Mooji)

 

Após assistir rapidamente alguns vídeos do Mooji, que me parece ser de alguma forma, seguidor da Filosofia do Nisargadatta, o que vemos é que, nós sofremos sempre pelos apegos que temos, e isto, mesmo quando estamos brigando com alguém. Estamos exigindo ATENÇÃO, quando brigamos, quando arrumamos um problema.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A História de Buda - Fundamentos do Budismo


Meio milênio antes de Cristo, o príncipe hindu Sidarta Gautama deixou seu luxuoso palácio e sua família para seguir os passos da mendicância, do jejum, da meditação. E acabou criando uma religião que crê no homem e que, hoje, influencia cada vez mais pessoas no Ocidente. Com você, a fascinante história de Buda e de sua doutrina.


Há 3 000 anos começaram a se formar as principais filosofias e religiões que organizaram as visões de mundo do homem contemporâneo. Alguns filósofos, como o alemão Karl Jaspers, dão a essa época o nome de Era Axial. Axial diz respeito a eixo. Foi, portanto, quando o homem começou a buscar o seu eixo. Ou, segundo Jaspers, quando passamos a prestar atenção em nós mesmos. A Era Axial estende-se entre os séculos VIII e II a.C. “Nessa época, as pessoas discutiam sobre espiritualidade com o mesmo entusiasmo com que hoje se discute futebol”, diz a escritora inglesa Karen Armstrong, uma das mais respeitadas estudiosas de religião, autora de best-sellers como Maomé e Buda. Os historiadores ainda não sabem o que causou esse despertar para a religião e para a filosofia, nem por que ele se concentrou na China, no Mediterrâneo Oriental, na Índia e no Irã. Acredita-se que com as sociedades agrícolas, mais estáveis, o homem ganhou tempo extra para dedicar-se à contemplação.


Técnicas de Meditação - Vídeo


Técnicas de Meditação
 







Documentário Sobre a Meditação Budista - National Geographic


Documentário Sobre a Meditação Budista
 
 



Algumas Instruções Para a Prática da Meditação

 

Por Thich Nhat Hanh

“Eu sei que (…) há muitos que podem sentar na posição de lótus completo, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda. Outros podem sentar em meio lótus, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita ou o pé direito sobre a coxa esquerda. Na nossa aula de meditação, em Paris, há pessoas que não conseguem sentar em nenhuma dessas posições e por isso ensino-lhes a maneira japonesa, ou seja, com os joelhos dobrados e o tronco apoiado sobre ambas as pernas. Pondo alguma espécie de acolchoado sob os pés, a pessoa pode facilmente permanecer nessa posição por hora ou hora e meia. Mas na verdade qualquer pessoa pode aprender a sentar em meio lótus, ainda que no início possa causar alguma dor. Gradualmente, após algumas semanas de treino, a posição se tornará confortável. No início, enquanto a dor ainda causar muito desconforto, a pessoa deve alterar a posição das pernas ou a posição de sentar. Para as posturas de lótus completo e meio lótus convém sentar-se sobre uma almofada, de forma a que os dois joelhos se apóiem contra o chão. Os três pontos de apoio dessa posição proporcionam uma grande estabilidade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Iniciando a Prática Zen




Minha cadela não se preocupa com o significado da vida. Ela pode se preocupar
em receber ou não a refeição pela manhã, mas não se senta preocupada em
conseguir ou não a realização, a libertação, a iluminação. Desde que receba um pouco
de comida e afeto, a vida lhe corre bem. Porém nós, seres humanos, não somos como
os cães. Temos mentes centradas em si mesmas que nos remetem a muitos
problemas. Se não entendermos o equívoco em nossa forma de pensar, nossa
autopercepção, que é nossa maior bênção, torna-se também nossa perdição.
Todos nós acreditamos que, em certa medida, a vida é difícil, intrigante e opressiva.
Mesmo quando tudo corre bem, como acontece por certo tempo, preocupamo-nos que
ela não se mantenha assim. Dependendo de nossa história pessoal, chegamos à
idade adulta tendo muitos sentimentos desencontrados a respeito da vida. Se eu lhes
dissesse que sua vida já é perfeita, completa e inteira exatamente do jeito que está,
vocês pensariam que estou maluca. Ninguém acredita que sua vida é perfeita. No
entanto, existe no íntimo de cada um uma dimensão que sabe que somos ilimitados,
infinitos. Vemo-nos presos à contradição de encontrar a vida em meio a um quebracabeça
muito desconcertante, capaz de nos causar muitos sofrimentos; ao mesmo
tempo, temos uma vaga consciência da natureza ilimitada, infinita da vida. Desta
maneira, começamos a procurar uma resposta a esse enigma.
A primeira forma de procurar é buscar soluções fora de nós mesmos. No começo,
pode acontecer num nível bastante comum. Existem muitas pessoas no mundo que
acreditam que se tivessem um carro maior, uma casa mais bonita, férias melhores, um
patrão mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, suas vidas seriam muito
melhores.

Não há quem não pense assim. Lentamente, vamos descartando os "se ao
menos", essas coisas que nos fariam viver melhor. "Se ao menos eu tivesse isto, isso
ou aquilo, então minha vida seria outra." Na prática, todos estão com alguns desses
"se ao menos", na cabeça em algum momento, contudo aos poucos essas idéias vão
se desgastando. Primeiro, as mais grosseiras. Depois nossa busca dirige-se a níveis
mais sutis. Por fim, na procura pelo elemento externo a nós mesmos que, em nossa
expectativa, irá nos completar, voltamo-nos para uma disciplina espiritual.
Infelizmente, nossa tendência é considerar com a perspectiva anterior essa nova
possibilidade. Muitas das pessoas que buscam o Zen Center não crêem que a
resposta esteja num Cadillac mais novo, mas em alcançar a iluminação. Conseguiram
um novo recurso, um novo "se ao menos". "Se ao menos eu tivesse condição de
entender do que se trata a compreensão, seria feliz." "Se ao menos eu tivesse uma
pequena experiência de iluminação, seria feliz." Ao iniciarmos uma prática como o zen,
trazemos nossas noções habituais de estar chegando em algum lugar, de alcançar
alguma coisa -no caso, a iluminação - podendo a partir de então comer todos os
docinhos que antes nos tinham sido proibidos.

Toda a nossa vida consiste neste pequeno indivíduo, olhando à sua volta em busca
de objetos. No entanto, se você olha algo que é limitado -como o são o corpo e a
mente -e procura alguma coisa fora de si, esta coisa torna-se um objeto e também
deve ser limitado. Assim, existe alguma coisa limitada procurando algo limitado e, no
final, só fica maior aquela velha loucura que o vem tornando uma- pessoa tão infeliz.
Todos passam anos a fio consolidando uma visão condicionada da vida. Existe o
"eu" e existe essa "coisa" aí adiante que ou me fere ou me agrada. Nossa tendência é
levar a vida de modo a tentar evitar tudo o que nos magoe ou nos desagrade,
reparando nos objetos, nas pessoas ou situações que, a nosso ver, parecem nos
proporcionar dor ou prazer; evitaremos uns e perseguiremos outros. Sem exceção,
todos nós fazemos isso. Mantemo-nos distantes de nossa vida, olhando-a, analisando-a,
julgando-a, buscando respostas para perguntas como "O que ganho com isso? Vou
ter prazer ou conforto, ou será preciso que eu fuja?". Fazemos esse questionamento
de manhã à noite. Por trás de nossas fachadas agradáveis e amistosas ferve um
constrangimento considerável. Se eu pudesse raspar o verniz e ir um pouco mais
fundo do que a superfície de qualquer pessoa, encontraria medo, dor e uma ansiedade
desvairada.

Todos temos métodos para encobrir tais sentimentos. Comemos demais,
bebemos demais, trabalhamos demais; assistimos à televisão demais. Estamos
sempre fazendo algo para encobrir nossa ansiedade existencial básica. Algumas
pessoas vivem dessa forma até o final de seus dias. Essa situação piora conforme o
tempo vai passando. 0 que talvez não seja tão ruim quando você tem 25 anos
parecerá terrível quando chegar aos cinqüenta. Todos conhecemos aquelas pessoas
que já morreram e se esqueceram de deitar-se; elas têm uma mentalidade tão
contraída em seus pontos de vista limitados, que a convivência é muito penosa tanto
para quem está à sua volta como para elas mesmas. A flexibilidade, a alegria e o fluir
da vida já se foram. Essa possibilidade tão sombria ameaça a todos nós a menos que
acordemos para o fato de ser necessário trabalhar nossa própria vida, praticar. É
preciso que enxerguemos a miragem de que existe um "eu" destacado de um "aquilo".

Nossa prática consiste em anular essa distância. Apenas no momento em que nós e
os objetos nos tornarmos um, é que poderemos enxergar o que é nossa vida.
A iluminação não é algo que se atinge. É a ausência de alguma coisa. A vida
inteira, a pessoa vai atrás de algo, perseguindo suas metas. A iluminação está em
deixar tudo isso de lado. Entretanto, falar sobre ela não adianta muito. A prática
precisa ser executada por cada um. Não há o que a substitua. Podemos ler a seu
respeito durante mil anos e não adiantará de nada para nós. É preciso que todos nós
pratiquemos, e temos de fazer com todo nosso empenho pelo resto da vida.
O que de fato queremos é uma vida natural. Nossas vidas são tão artificiais que
realizar uma prática como a do zen, no começo, é bastante difícil. Porém, assim que
começarmos a vislumbrar que o problema da vida não é algo externo a nós, teremos
começado a percorrer o caminho. Quando o despertar se inicia, quando começamos a
perceber que a vida pode ser mais aberta e alegre do que até então pensáramos ser
possível, queremos praticar.

Entramos numa disciplina como a prática zen para podermos aprender a viver de
modo lúcido. O zen tem quase mil anos e seus defeitos já foram corrigidos; embora
não seja fácil, não é insano. É sensato e muito prático. Diz respeito à vida cotidiana.
Refere-se a trabalhar melhor no escritório, a criar melhor as crianças, e estabelecer
relacionamentos melhores. Levar uma vida mais lúcida e satisfatória deve decorrer de
uma prática equilibrada e lúcida. O que desejamos fazer é encontrar uma maneira de
trabalhar com a insanidade elementar que existe em função de nossa cegueira.
É preciso coragem para se sentar bem. O zen não é uma disciplina para todos.
Precisamos estar dispostos afazer algo que não é fácil. Se o fizermos com paciência e
perseverança, com a orientação de um bom instrutor, então, aos poucos, nossa vida
irá se aquietar, ficar mais equilibrada. Nossas emoções não serão mais tão
dominadoras. Enquanto sentamos, descobrimos que a primeira coisa, a mais
elementar, para trabalhar, é nossa mente caótica, ocupada. Estamos todos enredados
num pensar frenético e o problema da prática está em começar a trazer esse
pensamento para a claridade e o equilíbrio. Quando a mente fica limpa, clara,
equilibrada, e não mais prisioneira dos objetos, então poderá haver uma abertura e,
por um instante, nos , daremos conta de quem somos, na verdade.
Contudo, sentar não é algo que praticamos durante um ou dois anos com a idéia de
dominar a questão. Sentar é algo que praticamos a vida inteira. Não há limites para a
abertura possível ao ser humano. Eventualmente percebemos que somos a base
ilimitada e incontida do universo. Para o resto da vida, nossa incumbência será
abrirmo-nos cada vez mais a essa imensidão e expressá-la. Quanto maior for nosso
contato com essa realidade, mais aumentará nossa compaixão pelos outros, maiores
serão as alterações em nossa vida cotidiana. Viveremos, trabalharemos e nos
relacionaremos de modo diferente com as pessoas. O zen é um estudo para a vida
toda. Não é só sentar-se numa almofada durante trinta ou quarenta minutos diários.
Toda nossa vida torna-se uma prática, vinte e quatro horas por dia.
Gostaria agora de responder a algumas perguntas sobre a prática do zen e sua
relação com a vida pessoal.







domingo, 15 de maio de 2011

O Desafio das Provas: comentário do Espírito Miramez à questão 266 de O Livro dos Espíritos

 
 
O Livro dos Espíritos
 
Escolha das provas
 
266. Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas?
Resposta: “Pode parecer-vos a vós; ao Espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar.”


Comentário do Espírito Miramez

O Espírito, quando se encontra na erraticidade, não pensa em provas fáceis, principalmente o que já se acha desperto para a luz do entendimento. Ele vê seu caminho cheio de lutas e deseja lutar; reconhece que as coisas fáceis lhe trazem dificuldades inúmeras, capazes de lhe fazer voltar às tarefas terrenas para recomeçar de novo, enquanto quase todos que carregam o peso da carne já têm outros pensamentos, querendo ficar livres de todas as provas, e se lhes fosse dado escolher, já não escolheriam o que escolheram quando desencarnados, por estar a sua visão vedada pela baixa vibração como encarnado.

sábado, 14 de maio de 2011

O que é a Ilusão?



Ilusão é aquilo que nos identifica com o mutável, o perecível, todos nós estamos, de alguma maneira, sujeitos às ilusões de maya, que nos compele à sua natureza dual.

Para perceber a ilusão, o homem pode usar suas faculdades mentais, mas, para superá-las totalmente, terá de desvenciliar-se delas, pois corpo e mente são apenas ilusões criadas para que a alma cresça, somente o coração é que pode salvar-nos da ilusão...

COMEÇO A CONHECER-ME...


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===
=

Não existo.


Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.


Álvaro de Campos - Fernando Pessoa

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Liberte-se do Medo e do Egoísmo - Jiddu Krishnamurti





O Egoísmo - A Ânsia de Prestígio — Os Temores e o Medo Total - A Fragmentação do Pensamento — A Cessação do Medo

Antes de irmos mais adiante, eu desejava perguntar-vos qual é o vosso interesse fundamental, constante, na vida. Pondo de parte quaisquer respostas equívocas, e encarando a questão direta e honestamente, que responderíeis? Sabeis?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Para Além da Curva da Estrada




Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.

Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada,
Essa é que é a estrada para eles.

Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro - Fernando Pessoa "Poemas Inconjuntos"

Como Vencer o Ego


  
A maioria das pessoas é condicionada pelas sociedades às quais pertencem a aplicar rótulos conceituais à
cadeia em constante mutação dos fenômenos mentais e materiais. Por exemplo, quando olhamos atentamente
para uma mesa, ainda a rotulamos, de modo instintivo, como uma mesa apesar dela não ser uma coisa
única, mas algo composto de várias partes diferentes: uma parte superior, as pernas, as laterais, uma parte de
trás e uma parte da frente. Na verdade, nenhuma dessas partes poderia ser identificada como a própria
mesa . Na verdade, mesa foi só um nome que aplicamos a um fenômeno que surge e se dissolve
rapidamente e que meramente produz a ilusão de algo definitivo ou absolutamente real.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O que é o Ego?


Imagine uma pessoa que subitamente acorda num hospital depois de sofrer um acidente
de carro na estrada, e percebe que está com amnésia total. Por fora, tudo está intacto: ela tem o
mesmo rosto, a mesma forma, os sentidos e a mente estão lá, mas não tem a menor idéia ou o
menor vestígio de memória de quem é. Exatamente do mesmo modo, não conseguimos nos lembrar
da nossa verdadeira identidade, nossa natureza original. Freneticamente e na realidade apavorados,

A Humanidade Odeia Cristo - Pai Joaquim de Aruanda


João - Cap 15 – v18 “Se o mundo odeia vocês lembrem-se que me odiou primeiro.”

O mundo odeia os Jesus Cristos, no plural, aqueles que vivem como Jesus viveu. É neste sentido que estou falando de hipocrisia. A humanidade diz que ama Jesus Cristo, ama o Cristo, mas odeia os Jesus Cristos.

A humanidade ama o Cristo mas odeia aquele que quebra as leis.

A humanidade ama o Cristo, mas é o primeiro a condenar e acusar aqueles que são pegos em flagrante delito.

Mas o Cristo não fez isto. Quando a mulher adultera lhe foi apresentada, o Cristo disse: “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”, e quando ninguem mais ficou, ele disse: “se ninguem lhe condena não sou eu que vou lhe condenar”.

O mundo detesta os Jesus Cristos, detesta aqueles que não seguem rigorosamente a lei humana. Mas só que para não seguir “a lei humana”, os Jesus Cristos, aqueles que buscam o caminho que leva a Deus, praticam o perdão: “Pai, perdoa porque ele não sabe o que faz”.

Krishnamurti - A Busca do Prazer



Como o desejo do prazer conduz à dor - O pensamento nunca é novo, porque ele é fruto da memória

No capítulo precedente, dissemos que a alegria era uma coisa inteiramente diferente do prazer; por conseguinte, vejamos o que está implicado no prazer e se é possível viver-se num mundo em que não exista o prazer, porém um extraordinário estado de alegria, de bem-aventurança.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Fundamentos da Filosofia Vedanta - Swami Vivekananda (Excertos)




Excertos de "A Meditação Segundo a Vedanta", IN: Meditação e Métodos, Swami Vivekananda

POR QUE DEUS?

            Já me perguntaram muitas vezes:  "Por que você usa aquela velha palavra, Deus?"  Porque é
a melhor palavra para o nosso objetivo;  você não pode encontrar melhor palavra que esta, porque todas as esperanças, aspirações e felicidade da humanidade têm sido centralizadas naquela palavra.  É agora impossível mudar tal palavra.  Palavras como esta foram primeiramente cunhadas por grandes santos que verificaram sua importância e compreenderam seu significado.  Mas, quando se tornam comuns na sociedade, os ignorantes se apossam dessas palavras e o resultado é que elas perdem seu espírito e sua glória.  A palavra Deus tem sido usada desde tempos imemoriais e a idéia desta inteligência cósmica e de tudo que é grandioso e sagrado, se associa a ela.  Você acha que, porque alguns tolos dizem que não está certo, deveríamos desprezá-la?  Algum outro homem pode chegar dizendo "Use esta palavra" e ainda outro "Utilize tal palavra".  Assim não haverá fim para palavras tolas.  Use a velha palavra, use-a somente no verdadeiro sentido, limpe-a de toda superstição e tenha plena consciência do que significa esta grande e antiga palavra.  (II. 210).

domingo, 8 de maio de 2011

Depus a Máscara



Depus a máscara e vi-me ao espelho. —
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)